Neoclassicismo
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De volta ao lirismo
da Grécia antiga

     O ideal romântico de ressuscitar os valores estéticos da antiguidade clássica inspirou o movimento artístico conhecido como neoclassicismo, que dominou a Europa por quase um século.

     Tendência predominante na pintura, na escultura e na arquitetura européias desde as últimas décadas do Século 18 até meados do Século 19, o neoclassicismo surgiu como reação ao barroco e ao rococó, e se inspirava nas formas artísticas e arquitetônicas da Grécia e de Roma.

     Contribuíram para a afirmação do movimento neoclássico a curiosidade pelo passado que se seguiu às escavações de Pompéia e Herculano, e a obra de eruditos como Johann Winckelmann -- autor da célebre Geschichte der Kunst des Altertums (1764; História da arte da antiguidade) -- e outros estudiosos da antiguidade greco-romana.

     Inicialmente, tanto as formas gregas quanto as romanas serviram de modelo aos artistas neoclássicos.

Na pintura, a influência
foi maneirista

     Do Século 19 em diante, a preferência voltou-se para a estética grega. Ressalte-se, entretanto, que a pintura era uma forma artística pouco cultivada na Grécia e em Roma.

      Em verdade, gregos e romanos davam mais atenção à escultura e à arquitetura e, assim, os pintores neoclássicos tomaram como modelo alguns maneiristas, como os Carracci, e principalmente certos renascentistas, como Rafael.

     Como ocorrera no Renascimento, o neoclassicismo preconizava o retorno aos ideais clássicos de beleza, mas o espírito que o plasmou diferia nitidamente do espírito humanista que deu origem ao primeiro.

     Sob os temas heróicos ou mitológicos inspirados na antiguidade clássica e traduzidos num vocabulário formal apenas superficialmente grego ou romano, o que se descobre na arte neoclássica é a busca de reviver uma época tida como origem da beleza e virtude.

Democrático no início,
imperialista no fim

     Embora não tenha tido entre seus adeptos nenhum grande nome, não deve ser menosprezado o cunho democrático do movimento neoclássico, que, de início, buscava reagir contra a pompa e o gosto aristocrático da época de Luís 14.

     Essa característica explica a popularidade e o prestígio de que desfrutou na França e na Europa após a revolução francesa.

     Napoleão pressentiu as potencialidades sociais do estilo neoclássico e submeteu-o ao poder imperial, o que deu origem ao que se convencionou chamar de estilo império.

     Assim, criou-se uma situação paradoxal, em que uma tendência, a princípio democrática, tornou-se o estilo oficial do império napoleônico e, por fim, a bandeira do reacionarismo artístico.

Dominou as academias e
sufocou as artes

    Na verdade, de 1820 a 1850, já em decadência, o neoclassicismo opôs-se ao romantismo e, abrigado nas academias e escolas de belas-artes, confundiu-se com o academicismo e assim reagiu a todas as tendências de vanguarda, a começar pelo impressionismo.

     De modo geral, a pintura neoclássica se caracteriza pelo predomínio do desenho e da forma sobre a cor, o que a distingue da arte romântica.

     Quanto ao conteúdo, é ilustrativa e literária, enquanto a romântica é expressiva e pictórica.

Nomes importantes

     Nomes importantes do neoclassicismo, na França, foram Jacques-Louis David, líder da escola, Jean-Auguste Ingres, François Gérard, Théodore Chassériau, Alexandre Cabanel, Jean-Jacques Henner e Adolphe Willian Bouguereau.

INGRES (Dominique), pintor francês (Montauban, 1780 – Paris, 1867). Aluno de David, distinguiu-se pela pureza de seu desenho. Principais obras: A Capela Sistina, O voto de Luís XIII, A apoteose de Homero, A odalisca, O banho turco.
GÉRARD (François, barão), pintor francês (Roma, 1770 – Paris, 1837), aluno de Louis David. Sua Batalha de Austerlitz celebrizou-o.
CHASSÉRIAU (Théodore), pintor francês (Sainte-Barbe-de-Samana, São Domingos, República Dominicana, 1819 - Paris, 1856). Discípulo de Ingres, conciliou o desenho do mestre com a cor de Delacroix em seus retratos (Lacordaire) e em seus nus (A toalete de Ester).

     Na Inglaterra, destacou-se Sir Lawrence Alma-Tadema; Nos Estados Unidos, Washington Allston.

     Na escultura neoclássica registre-se o italiano Antonio Canova, o dinamarquês Bertel Thorvaldsen e o britânico John Flaxman.

CANOVA (Antonio), escultor italiano (Possagno, 1757 - Veneza, 1822). Principal representante do neoclassicismo, foi o autor, notadamente, das esculturas Amor e Psique e Paulina Borghese.
FLAXMAN (John), escultor inglês (York, 1755 – Londres, 1826). Neoclássico (túmulos e estátuas na catedral de São Paulo, em Londres), forneceu modelos à manufatura de faianças de Wedgwood.

Fonte: Enciclopédia Britânica.


Pintores do Período


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