Romantismo
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Romantismo e Neoclassicismo -
Qual a diferença ?

     A definição do romantismo, principalmente nas artes plásticas, é bastante polêmica. Sobretudo, é difícil estabelecer seu ponto de duração. Alguns acreditam que ele se estende desde meados do Século 18 até hoje, enquanto outros o vem como uma escola que floresceu entre os Séculos 18 e 19.

     Além disso, a separação entre Romantismo e Neoclassicismo é outro ponto de difícil consenso entre os historiadores de arte.

     Alguns críticos acreditam que essas tendências não têm, no fundo, tantas diferenças entre si, apresentando-se, antes, como as duas faces de uma mesma moeda.

    Já outros estudiosos pensam que o romantismo é uma escola à parte, que se desenvolveu depois do neoclassicismo.

     Acredita-se que, na música e na literatura, tenha sido mais fácil sua expressão como uma escola distinta das demais.

Um estado de espírito

     O romantismo, nas artes plásticas, talvez esteja mais ligado a um estado de espírito e crenças filosóficas do que a um estilo ou imagem visual específica.

     Além disso, os próprios líderes do movimento romântico, nas artes plásticas, apresentam grande diferenciação entre si.

     De uma forma geral, o romantismo caracteriza-se pela valoração da experiência individual e da imaginação como principal fonte de recursos para a expressão artística.

      Além disso, esse movimento marcou uma revolta contra o conservadorismo nas artes, pautando-se, todavia, pela moderação.

     Tanto como o Classicismo, aspectos como a virtude ou a grandeza são valorizados, bem como um modo de vida pertencente ao passado.

Liberdade de expressão

     Um dos maiores méritos creditados aos artistas desse período foi terem conseguido imprimir mais liberdade à arte, dando espaço para suas próprias expressões pessoais, o que talvez, até então, somente um poeta poderia fazer.

     O Gótico Revival, que foi a revalorização estética dos construções da Idade Média, em especial o estilo gótico, pelo menos em suas primeiras manifestações, pode ser considerado um aspecto do romantismo.

     A partir do momento em que se desenvolve, entretanto, chega a ser considerado por alguns historiadores como uma escola própria, separada já do romantismo.

Na arquitetura, somente
o Gótico Revival

     Um de seus maiores expoentes foi o inglês Horace Walpole (1717-1797), arquiteto amador e escritor, que tendo construído sua casa de campo Strawberry Hill, em Twickenham, como um castelo medieval, acabou por ajudar a estabelecer o estilo entre as construções do gênero do país.

     Augustus Welby Pugin (1812-1852), também inglês, arquiteto, um dos nomes mais importantes do estilo na Inglaterra foi responsável pelos detalhes góticos nas Casas do Parlamento inglês.

     Por fim, destaca-se o francês Eugène Viollet-le-Duc, que reconstruiu obras góticas e romanescas francesas, além de ter escrito um dicionário sobre a arquitetura francesa dos Séculos 11 a 14, popularizando bastante a estética medieval.

O Romantismo europeu

     Na pintura romântica, destacam-se a Inglaterra, a França e a Alemanha como os países mais ligadas ao Romantismo.

     O Romantismo na Inglaterra deveu muito a estrangeiros, principalmente os americanos Benjamin West (1738-1820) e John Singleton Copley (1738-1815).

WEST (Benjamin), pintor norte-americano (Springfield, 1738 - Londres, 1820). Trabalhando na Inglaterra, realizou retratos solenes e quadros históricos.

     West foi o segundo presidente da Royal Academy, em Londres, pintor da corte de George 3º, conhecido entre outras coisas, por ter introduzido na tradicional academia britânica uma obra histórica com pessoas vestidas na maneira contemporânea ("A Morte de General Wolfe").

     Copley é conhecido por seus retratos e obras como "Watson e o Tubarão", que narra um acidente ocorrido com um seu amigo Brook Watson.

Na Inglaterra,
Bake e Turner

     Mas talvez o maior nome do movimento seja William Blake (1757-1827), seguido de Turner.

BLAKE (William), poeta, pintor e gravador inglês (Londres, 1757 - id., 1827), vítima de visões e acessos de loucura (de que se serviu para ilustrar o Livro de Jó e obras de Chaucer, Virgílio e Dante). Sua obra, das mais importantes da literatura inglesa, tem provocado as mais diversas interpretações, dada a profundeza da emoção, o seu misticismo e a intensa musicalidade dos versos, em que já se prenuncia o romantismo. Obras principais: Cantos de inocência (1789), Cantos de experiência (1789) e o grande poema O Evangelho eterno (1818).
TURNER (William), pintor inglês (Londres, 1775 - id., 1851). Por sua visão da natureza anuncia o impressionismo.(V. arte inglesa.)

     Blake era um homem místico, que desprezava a academia e era considerado visionário e louco em sua própria época.

     Além de pintor e gravador era poeta, tendo como hábito ilustrar seus escritos. Entre essas ilustrações destacam-se um trabalho extremamente poderoso e conhecido "O Ancião dos Dias", feito para o poema "Europe, a Prophecy". O criador do mundo nu, (para Blake conhecido como Urizen), segura um compasso luminoso que usa para medir o globo em uma noite de tempestade.

     A influência de Michelângelo, de quem era grande admirador e profundo estudioso, aparece clara na escolha temática ("A Criação de Adão" do artista renascentista parece ter inspirado essa obra).

Na França, destaque
para Delacroix

     Na França, Eugène Delacroix (1798-1863) e Theodore Géricault (1791 - 1824) aparecem como os principais líderes românticos.

GÉRICAULT (Théodore), pintor francês (Rouen, 1791 – Paris, 1824). Foi o primeiro dos românticos e influenciou as primeiras obras de Delacroix. Sua obra mais conhecida é A jangada da Medusa" (1819). É também o autor de Oficial dos caçadores da guarda imperial.

     Antoine-Jean Gros (1771-1835), com seu uso de cores, pinceladas vigorosas e próprio temperamento romântico, também pode ser considerado um nome importante do movimento.

GROS (Antoine, barão), pintor francês (Paris, 1771 – Meudon, 1835), autor de grandes composições que foram o prelúdio do romantismo: Os pestilentos de Jafa; O campo de batalha de Eylau (Louvre).

     Theodore Géricault foi bastante influenciado por Gross e, por sua vez, exerceu grande influência sobre Delacroix. Foi um pintor bastante preocupado com o detalhamento e com o estudo da natureza.

     Estudou pormenores de um acontecimento para realizar seu dramático quadro "A Balsa da Medusa", que relata o resgate dos sobreviventes de uma tragédia marítima que foi escândalo em sua época. "Corrida de Cavalos", é outra obra do pintor em que se utiliza de seu talento para retratar as famosas corridas em Epsom.

     Delacroix foi o pintor romântico francês mais conhecido em sua época, sempre à volta em discussões com os neoclássicos como Ingres e conhecido por obras como "Liberdade Guiando as Pessoas", de 1830.

Valorização da paisagem

     Foi ainda durante o romantismo que as pinturas de paisagem tornaram-se bastante valorizadas. Essas pinturas procuravam expressar a relação do artista com a natureza, numa época que a arte tornava-se mais livre.

     William Turner (1775-1851), por exemplo, um dos mais famosos paisagistas ingleses, seguido por John Constable (1776 - 1837) é considerado, ao lado de Blake, uma das principais figuras do romantismo no país.

TURNER (William), pintor inglês (Londres, 1775 - id., 1851). Por sua visão da natureza anuncia o impressionismo.(V. arte inglesa.)

     Turner, em suas obras, criava cenas fantásticas, cheias de luz, movimento e efeitos dramáticos que impressionassem o público. "Vapor numa Tempestade de Neve" é uma obra extremamente arrojada do pintor, que mostra a natureza extremamente poderosa em uma tempestade marítima, digna da imaginação romântica.

     Já o estilo de Constable, apesar de contemporâneo a Turner, era bastante diferente deste último. Desprezava as tradições pictóricas e as fórmulas de representação da natureza que procuravam suplantá-la. Suas pinturas eram serenas, como demonstra "A Carroça de Feno", uma pacata cena rural extremamente sincera e desprovida de pretensões.

CONSTABLE (John), pintor inglês (East Bergholt, 1776 - Londres, 1837). É considerado um dos precursores do paisagismo moderno. (V. Arte Inglesa.)

     Na Alemanha, destacam-se Caspar Friedrich (1774 - 1840), famoso por suas paisagens, principalmente ambientadas no gelo e na neve, topos de montanhas e procissões funerárias.

Fontes: Enciclopédia Digital Master. -
              Enciclopédia Koogan-Houaiss.


Pintores do Período


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