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Antônio Bandeira

1922-1967
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O homem põe e
Deus dispõe

     Uma simples operação para extração de amígdalas, um inesperado choque pós-operatório e uma carreira cortada abruptamente em sua fase mais brilhante.

     Eis a grande tragédia de um dos maiores representantes da pintura brasileira moderna no Brasil, desaparecido aos 45 anos de idade, na plenitude de sua arte e no apogeu de sua carreira, com talento comprovado e já. a essa altura, suficientemente reconhecido tanto no Brasil, como no exterior.

De familia mediana

     Antônio Bandeira nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1922, e faleceu em París, em 1967, no momento em que pretendia, uma vez mais, retornar à sua pátria, com a mente cheia de planos para o desenvolvimento da carreira, num ponto em que o sinuoso caminho se transformara em uma larga auto-estrada, capaz de levá-lo a um futuro de glórias.

     Não nasceu em berço de ouro, mas seu pai, um ferreiro de mão cheia, ganhava o suficiente para garantir-lhe os estudos no Colégio Marista, em Fortaleza, onde a professora de desenho bem cedo percebeu o talento de Bandeira para a arte pictórica, dando-lhe o primeiro apoio para o desenvolvimento de seus pendores.

Um grupo renovador

     Em 1941, aos 19 anos de idade, participou da criação de um Centro Cultural em Fortaleza, juntamente com Clidenor Capibaribe, o Barrica (1913) e Mário Barata (1915-1983). Um e outro, mais velhos e experientes que ele, muito orientaram Bandeira em sua iniciação no movimento artístico daquele Estado.

     Não tardou que a eles se juntassem outros artistas, provindos do eixo Rio-São Paulo, como Aldemir Martins  (1922), Inimá José de Paula (1918-1999), João Maria Siqueira e Francisco Barbosa Leite (1920-1996). Com o grupo assim reforçado, os objetivos do Centro Cultural foram ampliados e criou-se, então, a Sociedade Cearense de Artes Plásticas.

Ceará, Rio, França...

     Neste ponto, Antônio Bandeira deslocou-se ao Rio de Janeiro para participar da exposição do Instituto dos Arquitetos realizada em 1945, na qual foi contemplado com uma bolsa de estudos na França.

     Foi o fim de um pintor regional e o início de uma carreira internacional que só a morte viria pôr um fim. Em 1946, viajou a Paris, matriculando-se na Escola Superior de Belas Artes e, posteriormente, na Academia da Grande Chaumière.

      O estudo acadêmico foi a primeira grande decepção de sua vida. Independente, pouco afeito à disciplina, com idéias próprias que tencionava desenvolver, em breve Bandeira romperia com o ensino tradicional, juntando-se a Wols e Bryen, dois pintores mais experientes que ele.

Entre os dois, meu
coração balança

     Todavia, essa associação não durou muito: Wols morria um ano depois e, em 1950, o pintor estava de volta ao Brasil. Não conseguiu, porém, fixar residência, nem num país, nem noutro.

     Em 1953, participando da 2ª Bienal de São Paulo, recebeu um prêmio que o levou de novo à França mas, em vezes seguidas, retornou para participar de eventos artísticos. Paralelamente, participou de exposições em Veneza, Londres, Viena, Nova Yorque e outros centros culturais.

     Ainda em Paris, em 1967, preparava-se para regressar ao Brasil, a fim de participar da exposição do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Necessitando realizar uma operação das amígdalas, decidiu fazê-la ainda na França onde havia maiores recursos médicos e hospitalares, dando-lhe segurança absoluta de sucesso.

O livro que se fecha

     O homem põe e Deus dispõe. A intervenção, a mais simples e segura dentre todas operações cirúrgicas, trouxe complicações inesperadas e sua subsequente morte.

     A exposição do MAM, no Rio de Janeiro, se realizou com todas as obras inscritas por Antônio Bandeira, mas sem a presença dele, ou apenas com sua presença espiritual.

     Morria o autor; sua obra permaneceria viva, inscrita indelevelmente na história da pintura brasileira.

(Texto de Paulo Victorino)
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