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Batista da Costa é um exemplo da força do destino,
do poder irrefreável do talento e da atração irresistível que o futuro exerce sobre o
ser humano. Nasceu na semi-indigência e, para piorar as coisas, seus pais morreram quando
era apenas menino. Irriquieto e indisciplinado, largou a tutela de seus tios e foi pedir
asilo em um orfanato para menores desamparados, onde era obrigado a se submeter a uma
disciplina ainda maior, tendo inclusive de usar uma farda que o identificava como órfão.
Pois foi nesse
abrigo que seu talento começou a ser observado e incentivado e, aos 12 anos de
idade, o matricularam na Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde concluiu o
curso, seis anos depois.
Daí para diante,
a carreira de Batista da Costa foi meteórica: reiniciou os estudos com Almeida Júnior,
que já havia sido seu professor na academia; recebeu bolsa de estudos e passou nove anos
na França, estudando com os melhores mestres; voltando ao Brasil viu coroados seus
esforços, ao ser nomeado professor e, mais tarde, diretor da Escola Nacional de Belas
Artes, tendo entre seus alunos o jovem iniciante Cândido Portinari. (Paulo Victorino)
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Texto do livro de Laudelino Freire:
Um Século de Pintura (1816-1916)
[João Batista da Costa],
paisagista, é, nesta especialidade, a individualidade mais acentuadamente artística que
possuímos.
Os que mais nela se distinguiram (Félix Emílio, Agostinho da Mota, Augusto Muller,
Vinet, Langerok, Vasquez, Caron, Parlagreco e outros) nenhum se lhes iguala na revelação
de qualidades de interpretação, colorido, sentimento e objetividade, ao transportar para
a tela o cenário brasileiro. Nenhum o excedeu na sinceridade com que interpreta as
infinitas nuanças do nosso verde, das nossas árvores, das nossas florestas, das nossas
paisagens, sempre cheias de luz, de tons, de brilho e indizíveis encantos, nem da
sobriedade, no sentimento e na fidelidade com que se sabe reproduzir.
Possui, como nenhum outro pintor brasileiro, o supremo poder de sentir a realidade e
transmiti-la completa. Ao grande artista, tem cabido o maior sucesso nas exposições
anuais. Nelas percorreu toda escala de recompensas, desde o prêmio de viagem, logo
conquistado na exposição inaugural, até a medalha de honra, somente a ele conferida
até hoje.
É natural do Estado do Rio de Janeiro, nascido a 24 de novembro de 1865. Iniciou seus
estudos no Asilo de Menores Desamparados, hoje Instituto Profissional Masculino, de que
também é professor [1916].
Em 1885, transferiu-se para a Escola, onde foi discípulo de Sousa Lobo, J. Medeiros,
Zeferino e Amoedo.
Esteve na Europa de 1894 a 1897, matriculado no Ateliê Julian, em Paris. Percorreu as
principais cidades européias, tendo visitado os mais importantes museus. Concluiu o tempo
de pensionista na ilha de Capri, de onde regressou em 1898.
A sua mais brilhante reprodução está representada nas paisagens Fim de jornada,
premiada com a primeira medalha de outo; Quaresmas, da Pinacoteca de São Paulo;
Tranqüilidade, [propriedade] de Laudelino Freire; Saudoso Recanto, casa em que
residiu o Barão do Rio Branco, em Petrópolis; A Prisioneira, [propriedade] do Dr.
Artur Lemos; Para a pesca. [propriedade] do Dr. Osvaldo Cruz; Idílio rústico,
[propriedade] do Dr. Emílio Grandmasson; A caminho do curral, da Galeria Nacional;
Manhã no alto da serra de Petrópolis, entre muitas outras.
Merecem destaque, igualmente, Em repouso, com a qual alcançou o prêmio de viagem;
Um transe doloroso, premiado com a terceira medalha de ouro; os Retratos de
Prudente de Morais, Azevedo Lima, Rodrigues Alves, Sá Freire, Francisco Sales; Pouca
pressa, do Dr. Augusto de Freitas, etc.
Escolhido em 1906 para professor de pintura da Escola, foi reconduzido em 1911. Em 1915,
foi nomeado diretor, em substituição de Rodolfo Bernardelli.
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