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Varredores (1935) - Óleo sobre tela -
100 x 120 cm
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Em boas companhias
Carlos Prado nasceu na cidade de São Paulo-SP, em 1908.
Formando-se em arquitetura pela Escola Politécnica de São Paulo, viajou em seguida para
a Europa, a fim de se aperfeiçoar em urbanismo.
Interessando-se desde muito novo pelo desenho e pela pintura, foi aluno de Jorge Fischer
Elpons, como tantos futuros grandes pintores de sua geração e da geração anterior à
sua.
Manteve, em 1931, ateliê com Flávio de Carvalho e Antonio G. Gomide, núcleo do CAM -
Clube de Arte Moderna, que os três fundariam em 1932, ao lado de Di Cavalcanti e de
outros artistas.
Na década de 1930, ainda participou de um ou outro evento artístico, recebendo por
exemplo menção honrosa no Salão Paulista de Belas Artes de 1935.
Isolado e esquecido
Seu problema, porém, era ter um temperamento arredio e totalmente incapaz de se integrar
no chamado sistema das artes. Por isso, preferiu levar vida isolada em seu reduto
de Bragança Paulista, no interior de São Paulo.
Esse isolamento e a circunstância de raramente ter mostrado seus quadros e desenhos
explicam, até certo ponto, o relativo desconhecimento que o envolve, a despeito de ser um
dos mais importantes pintores de sua geração.
Com efeito, sua primeira exposição deu-se em 1943, em seu ateliê de São Paulo; a
segunda, em 1976, no MAM-SP; a terceira e última, em dezembro de 1980, quando da
inauguração do Studio José Duarte de Aguiar, também em São Paulo.
Tendo participado da 1ª e da 2ª Bienais de São Paulo, em 1951 e 1953, e publicado dois
álbuns de desenhos Memórias sem palavras (1954) e A cidade
moderna (1958) - o artista teve três de suas pinturas incluídas na Sala
Expressionismo no Brasil Heranças e Afinidades da 18ª Bienal de São Paulo, em
1985: o célebre Varredores, de 1935, e ainda Nu feminino (cerca de
1941) e Maternidade, de 1946.
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Entre
o real e o
metafísico
Carlos Prado praticou a paisagem e a cena urbana, a natureza-morta, a figura e o gênero,
em todas essas modalidades pictóricas revelando-se possuidor de uma personalidade
singularmente dotada para a pintura.
A temática social foi certamente aquela em que mais se destacou, chegando a ser comovente
a simpatia e solidariedade de que dá provas ao representar trabalhadores, operários e
camponeses.
Suas figuras possuem plasticidade marcante e parecem deslocar-se numa atmosfera rarefeita,
como se libertas do espaço e do tempo.
Tais características emprestam-lhes consistência singular porque, resolvidas embora
dentro do mais estrito realismo, chegam por outro lado a atingir um estranho metafisicismo
(Homem e Cachorro, Enterro), revestindo-se mesmo os temas mais corriqueiros de
certa grave religiosidade (Figura, Meninos na Praia).
Cético e
desencantado
Mas o artista, ele próprio, é um cético em matéria de arte, e conclui o curto
depoimento que escreveu especialmente para a sua mostra de desenhos de 1980 com essas
palavras, que denunciam todo o seu desencanto:
«Na verdade, portanto, a avaliação do "valor" das obras de arte (e do
trabalho dos artistas) depende, em última instância, do julgamento dos "entendidos
em arte". Os "entendidos em arte" estão porém raramente de acordo.
«Na realidade, portanto, o valor "artístico" das obras de arte depende, tal
como seu valor mercantil, da maior ou menor publicidade que delas é feita. Em suma, tal
como sucede no caso de refrigerantes, sorvetes, cuecas, etc.»
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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