Carlos Prado
1908-1992

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Varredores (1935) - Óleo sobre tela - 100 x 120 cm


Em boas companhias

     Carlos Prado nasceu na cidade de São Paulo-SP, em 1908.

     Formando-se em arquitetura pela Escola Politécnica de São Paulo, viajou em seguida para a Europa, a fim de se aperfeiçoar em urbanismo.

     Interessando-se desde muito novo pelo desenho e pela pintura, foi aluno de Jorge Fischer Elpons, como tantos futuros grandes pintores de sua geração e da geração anterior à sua.

     Manteve, em 1931, ateliê com Flávio de Carvalho e Antonio G. Gomide, núcleo do CAM - Clube de Arte Moderna, que os três fundariam em 1932, ao lado de Di Cavalcanti e de outros artistas.

     Na década de 1930, ainda participou de um ou outro evento artístico, recebendo por exemplo menção honrosa no Salão Paulista de Belas Artes de 1935.

Isolado e esquecido

     Seu problema, porém, era ter um temperamento arredio e totalmente incapaz de se integrar no chamado sistema das artes. Por isso, preferiu levar vida isolada em seu reduto de Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

     Esse isolamento e a circunstância de raramente ter mostrado seus quadros e desenhos  explicam, até certo ponto, o relativo desconhecimento que o envolve, a despeito de ser um dos mais importantes pintores de sua geração.

     Com efeito, sua primeira exposição deu-se em 1943, em seu ateliê de São Paulo; a segunda, em 1976, no MAM-SP; a terceira e última, em dezembro de 1980, quando da inauguração do Studio José Duarte de Aguiar, também em São Paulo.

     Tendo participado da 1ª e da 2ª Bienais de São Paulo, em 1951 e 1953, e publicado dois álbuns de desenhos –Memórias sem palavras (1954) e A cidade moderna (1958) - o artista teve três de suas pinturas incluídas na Sala Expressionismo no Brasil – Heranças e Afinidades da 18ª Bienal de São Paulo, em 1985: o célebre Varredores, de 1935, e ainda Nu feminino (cerca de 1941) e Maternidade, de 1946.

Entre o real e o
metafísico

     Carlos Prado praticou a paisagem e a cena urbana, a natureza-morta, a figura e o gênero, em todas essas modalidades pictóricas revelando-se possuidor de uma personalidade singularmente dotada para a pintura.

     A temática social foi certamente aquela em que mais se destacou, chegando a ser comovente a simpatia e solidariedade de que dá provas ao representar trabalhadores, operários e camponeses.  

     Suas figuras possuem plasticidade marcante e parecem deslocar-se numa atmosfera rarefeita, como se libertas do espaço e do tempo.

     Tais características emprestam-lhes consistência singular porque, resolvidas embora dentro do mais estrito realismo, chegam por outro lado a atingir um estranho metafisicismo (Homem e Cachorro, Enterro), revestindo-se mesmo os temas mais corriqueiros de certa grave religiosidade (Figura, Meninos na Praia).

Cético e desencantado

     Mas o artista, ele próprio, é um cético em matéria de arte, e conclui o curto depoimento que escreveu especialmente para a sua mostra de desenhos de 1980 com essas palavras, que denunciam todo o seu desencanto:

     «Na verdade, portanto, a avaliação do "valor" das obras de arte (e do trabalho dos artistas) depende, em última instância, do julgamento dos "entendidos em arte". Os "entendidos em arte" estão porém raramente de acordo.

     «Na realidade, portanto, o valor "artístico" das obras de arte depende, tal como seu valor mercantil, da maior ou menor publicidade que delas é feita. Em suma, tal como sucede no caso de refrigerantes, sorvetes, cuecas, etc.»

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»

 

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