Aluísio Carvão
(1920-2001)

     Nascido em Belém (PA). Após ter tentado sucessivamente a escultura e a cenografia, realizou em 1946 suas primeiras pinturas, dentro de um estilo a que se poderia chamar de impressionismo tardio. Nesse mesmo ano ganhou menção honrosa no Salão Paraense de Belas Artes. Radicando-se logo depois no Rio de Janeiro, tornou-se aluno de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, instituição da qual viria a ser anos mais tarde professor.

     Integrante do Grupo Frente, tomou parte de suas manifestações no Rio de Janeiro, em Resende e Volta Redonda, ligando-se em meados da década de 1950 ao Concretismo, de cujas mostras de 1956 em São Paulo e 1957 no Rio também participaria.

      Em 1958 realiza em São Paulo, na Galeria de Arte das Folhas, uma individual em que apresenta trabalhos de tipos a que denomina de núcleo-tensivo e ritmo-centrípeto-centrifugal, nos quais se evidencia o aspecto ótico de suas pesquisas de então.

     Mas tais obras serão, também, o canto de cisne de sua pintura de conotação concretista, pois já no ano seguinte Carvão abandona a estruturação geométrica que vinha até então imprimindo a seus trabalhos e passa a construí-los diretamente com a cor. As pinturas desse momento possuem títulos significativos: Vermelho-Vermelho, Amarelo-Amarelo, Rosa-Amarelo-Amarelo e assim por diante, querendo o artista deixar bem claro que doravante a cor, e somente ela, nortearia o seu trabalho pictórico.

     Ligando-se ao Neoconcretismo, Carvão expõe nas mostras de arte neoconcreta realizadas de 1959 a 1961 no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, além de ter estado representado em 1960 nas Exposições de Arte Concreta de Munique e de Zurique.

     Nesse mesmo ano de 1960 recebe, no Salão Nacional de Arte Moderna, o prêmio de viagem ao estrangeiro, demorando-se dois anos em vários países da Europa, entre 1962 e 1963.

Em 1966, na mostra Nova Objetividade Brasileira  (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), dois trabalhos de Carvão foram incluídos como exemplos de pesquisas que iriam frutificar em tendências mais recentes.

     Dez anos mais tarde, o artista passa a utilizar em seus trabalhos materiais insólitos, como barbantes e chapinhas de garrafas ("superfícies farfalhantes"). Abandonando todo dogmatismo, parte logo em seguida, durante uma permanência em Saquarema, para a retomada da pintura figurativa, no caso marinhas, a que mais recentemente alterna, quando tem vontade, a prática de uma pintura mais construída e despojada, evocativa de sua fase concretista, embora externada com absoluta liberdade cromática.

Além das mostras coletivas já mencionadas, Carvão esteve presente na I Exposição Nacional de Arte Abstrata (Petrópolis 1953), em várias Bienais de São Paulo (a partir de 1953), na IV Bienal de Tóquio (1957) e na I Bienal Interamericana do México (1958), tendo realizado também diversas individuais, notadamente em 1961 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e em 1967 na Galeria Guignard de Belo Horizonte. Importantes retrospectivas foram-lhe dedicadas entre 1996 e 1997 nos Mams do Rio de Janeiro e Salvador e no Museu de Arte de Curitiba.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»

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