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JOTABÊ MEDEIROS
O Estado de S. Paulo
16 de outubro de 2001
Artista japonês, que participou da
1.ª Bienal de São Paulo,
tinha 81 anos
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Morreu no domingo em São Paulo o artista plástico Tikashi
Fukushima, aos 81 anos. Nascido em Kashima, no norte do Japão, em 19 de janeiro de 1920,
Fukushima veio para o Brasil em 1940, com receio da entrada de seu país na 2.ª Guerra.
Segundo seu filho, Takashi
Fukushima, também artista plástico e professor universitário, Fukushima fora
internado na quarta-feira com suspeita de enfarte no Hospital Santa Cruz. Foi submetido a
uma angioplastia e, à meia-noite de domingo, não resistiu.
O pintor e artista plástico, que
participou da primeira Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, teve a história de
sua vida e sua arte publicados em livro, recentemente. Fukushima por Fukushima, editado
pela Imprensa Oficial do Estado, foi escrito pelo filho, Takashi, como sua tese de
mestrado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
Fukushima também organizou uma
minirretrospectiva da obra do pai na Pinacoteca do Estado, em janeiro, por ocasião do
lançamento do livro.
Quando chegou do Japão, Fukushima morou em
Lins, no interior de São Paulo, e depois veio para a Capital, abrindo uma molduraria na
zona sul. Entre seus clientes, que levavam quadros para que ele emoldurasse, estavam Lasar
Segall, Aldo Bonadei, Inimá de Paula, entre outros.
Ali nas imediações do
Largo Guanabara, no Paraíso, onde vivia, reuniu um grupo de pintores de origem japonesa,
naquele que ficou conhecido como o Grupo Guanabara. Entre eles, estavam Yoshiya Takaoka
(1909-1978), Yuji Tamaki (1916-1979), Tomoo Handa (1906-1996),Valter Shigeto Tanaka
(1910-1970), Takeshi Suzuki (1908-1987), Hajime Higaki (1908), Kenjiro Massuda (1915-1960)
e Jorge Mori.
Além do time nipônico, outros artistas
importantes ingressaram no grupo, como Arcangelo Ianelli.
Retratavam, em geral, marinhas, casarios e
naturezas-mortas. A última exposição do Guanabara foi realizada em 1959. Logo a seguir,
todos os artistas daquele grupo passaram para a pintura abstrata.
Ao chegar ao Brasil, ele não tinha
realizado até então nenhuma atividade artística, disse ontem o filho, Takashi.
Começou aqui no Brasil, lembra.
Fukushima era um imigrante
comum, diz o filho. Só não começou a trabalhar na lavoura porque arrumou um emprego num
armazém de secos e molhados. Nos intervalos do trabalho, desenhava.
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