Mostra realça o tom lírico e lúdico
que povoa obra do artista, morto em 2001
Camila Molina
Delicada, mas com relações cromáticas essenciais, como diz
Flávio Cohn, um dos diretores da Dan Galeria, a obra de Thomaz Ianelli (1932-2001) ficou
de certa forma relegada do mercado de arte por uma série de motivos. Entre eles, dada a
própria natureza tímida e retraída do artista, que preferia dar aulas e ficar
preparando suas criações longe de holofotes a ter de fazer concessões. Mas,
ultimamente, uma série de ações vem contribuindo para que a sua produção ganhe a
devida importância no cenário brasileiro.
No ano passado, foi apresentada na Pinacoteca do Estado a
retrospectiva Thomaz Ianelli - Flutuações da Cor, com curadoria de Angélica de Moraes,
e está em andamento o processo de catalogação da sua produção. E agora, na Dan
Galeria, acaba de ser inaugurada a mostra Thomaz Ianelli - Pintura Absoluta, que reúne
seleção de cerca de 30 telas e aquarelas e cinco esculturas (assemblages) feitas por ele
entre o fim dos anos 1970 e o ano 2000.
A exposição, com curadoria de Cohn e Olívio Tavares de
Araújo, é realizada em parceria com o Instituto Cultural Thomaz Ianelli - presidido por
sua viúva, Célia Franco de Godoy Ianelli. A Dan Galeria tornou-se a representante do
instituto, o que significa não apenas ser a catalisadora da comercialização das obras
de Thomaz - irmão mais novo do pintor Arcangelo Ianelli - como também ser articuladora
da atual mostra.
No conjunto de criações exibidas agora, é um prazer ver o
tom lírico e lúdico que povoa a trajetória do grande colorista. ''Cada obra pede um
tempo para ser observada'', diz Cohn, ressaltando que na relação entre figura e fundo o
artista foi criando jogos de equilíbrio e desequilíbrio, de ''dança e música'' no
campo da tela e do papel (também segmento muito significativo em sua produção). ''A
obra de Thomaz, sem contar com nenhuma facilitação de produto consumível, é sutil,
requintada e exigente, impondo um ritmo mais lento, fazendo-se progressivamente descobrir,
não espetacular, não barulhenta, tão terra firme num tempo de descartáveis - e tanto
mais bela por tudo isso'', como escreve Olívio Tavares de Araújo no texto presente no
catálogo da exposição.
É um ponto muito positivo dessa mostra reunir um número
considerável de aquarelas, nas quais podemos fazer a relação visível entre a
delicadeza das composições nas pinturas e das obras sobre papel. ''O Thomaz preparava as
telas e as tintas para conseguir fazer as transparências presentes em suas pinturas. Ele
ia diluindo o óleo ao máximo para chegar a um aspecto aquoso, de fluidez,
solubilidade'', acrescenta Flávio Cohn.
Serviço
Thomaz Ianelli - Pintura Absoluta.
Dan Galeria.
Rua Estados Unidos, 1.638, tel. 3083-4600.
2.ª a 6.ª, 10h às 18 h (sáb. até 13 h). Grátis. Até 2/8