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Menino ainda, e a
crítica aplaudia
Brasileiro, mas descendente
de imigrantes japoneses, Jorge Mori nasceu na cidade de São Paulo-SP no ano de 1932.
Iniciou seu aprendizado de
pintura aos 11 anos, com Yoshiya Takaoka, e já aos 13 anos participava do Salão dos
Recusados do 11º Salão Paulista de Belas Artes.
Em 1947 realizou sua
primeira individual, na Galeria Itá de São Paulo. Já um ano antes, com Retrato de
Meu Pai, suscitara a admiração da crítica, tendo sobre o mesmo escrito
critico Mário Pedrosa:
«Contudo, o retrato do pai
é sem dúvida uma realização. A colocação da cabeça na tela é uma certeza e
audácia de quem já é um retratista consumado: os planos da figura são dados com
exatidão; a sobriedade dos fundos, nos seus tons cinzas, a fatura, a composição
perfeitamente equilibrada, tudo no quadro é de uma grande unidade.
«No entanto, só
dificilmente a gente se conforma com o fato de ser aquilo obra de um menino de 12 ou 13
anos.»
Também em 1947 - aos 15
anos portanto - participou da coletiva 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia, de São
Paulo, com uma paisagem que suscitou a Menotti del Picchia as seguintes palavras de
entusiasmo:
«Sem favor, a paisagem de
Mori - rua com movimento de gente e de veículos - não foi apenas o trabalho mais
notável aparecido na exposição dos 19 Pintores, como é uma das mais belas telas
pintadas entre nós ultimamente.
Rumo à Europa
Após ter recebido medalha
de bronze no Salão Nacional de Belas Artes de 1949 e de ter participado da 1ª Bienal de
São Paulo em 1951, Mori partiu para a Europa, matriculando-se na Academia da Grande
Chaumière e no curso mantido por André Lhote.
Cedo, decepcionado com uma
e outro, decidiu desenvolver autodidaticamente uma pesquisa estribada na obra dos Velhos
Mestres, que estudou profundamente no Louvre, e nos tratados antigos de pintura.
Ao mesmo tempo buscava um
retorno ao artesanato, freqüentando o curso de mosaico mantido por Gino Severini e
assimilando a técnica do afresco na École Nationale des Beaux-Arts de Paris.
De 1955 a 1967 empreendeu a
cópia da Batalha de San Romano, de Paolo Ucello (180 x 300 cm), trabalho de
infinita paciência que bem caracteriza sua minuciosa busca de perfeição formal.
De volta ao Brasil
Em 1979, após ter vivido
cerca de 26 anos em Paris, regressou definitivamente ao Brasil, onde vem dando
prosseguimento à sua carreira.
Em 1985, a Galeria André,
de São Paulo, comemorou com uma exposição seus 40 anos de carreira.
Jorge Mori é um realista,
de um realismo que não raro transcende a própria realidade, aproximando-se do trompe-l'oeil,
da ilusão ótica.
Tal como alguns de seus
antigos colegas do Grupo dos 19 - Grassmann, Octavio Araujo e Gruber por exemplo -, pouco
o seduzem os problemas da arte contemporânea, refugiando-se Mori num mundo pretérito, no
qual recolhe impressões e idéias de velhos pintores flamengos, italianos ou franceses.
Buscando refúgio
na têmpera
Autor de paisagens de uma
exatidão quase metafísica e de naturezas-mortas severas e despojadas, Mori é servido
por técnica admirável, dando preferência à tempera sobre os demais meios expressivos -
como explicou numa entrevista há muitos anos:
«Pinto à têmpera porque
permite-me fazer detalhes que o senhor vê em meus quadros.
«Mas também pinto à
têmpera porque sua própria limitação de meios me estimula, impondo-me um rigor que
corresponde perfeitamente à minha compreensão de arte.
«Creio que toda obra de
arte é um produto de um esforço sobre-humano. A facilidade é inimiga da arte. Sou
rigoroso, pinto lentamente e levo muito tempo para terminar um quadro.
«Meu gosto pela sobriedade
é tal que se fosse músico, em vez de piano tocaria cravo...»
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»