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O FALECIMENTO:
José Paulo Moreira da Fonseca morreu ontem
[04/12/2004], aos 82 anos, de insuficiência cardíaca, no Hospital Samaritano, onde
estava internado há seis meses.O pintor e poeta deixa viúva, três filhos e seis netos.
(Jornal "O Globo" de 05/12/2004)
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Folha
de S.Paulo - 11/12/2004
CARLOS HEITOR CONY
José Paulo
RIO DE JANEIRO - Sem
repercussão na mídia, morreu nesta semana o poeta e pintor José Paulo Moreira da
Fonseca, um dos expoentes da geração de 45 na poesia e um dos pintores mais valorizados
nas artes plásticas, com suas portas que foram abrigadas em grandes museus e nas
coleções particulares mais sofisticadas.
O temperamento recluso, o bom gosto em não se promover talvez
expliquem o silêncio sobre a sua morte. Não importa. Sua obra, tanto na poesia como na
pintura, é dessas que ficam -e isso não é um palpite meu, que nada compreendo de
pintura e de poesia, mas daqueles que realmente entendem de uma e de outra expressão da
arte. Seu primeiro livro, "Elegia Diurna", marcou o rompimento com aquele
modernismo anedótico e iconoclástico que tanto deformou e prejudicou o movimento
iniciado em 1922.
Lembro o ano de 1946, quando o conheci no vestibular da PUC,
ainda na rua São Clemente, ao lado do colégio Santo Ignácio, onde estudara. Ele morava
perto, na Barão de Lucena, com o pai, que foi médico do cardeal dom Sebastião Leme e
médico dos seminaristas, inclusive de mim, que tomei muito fosforocalcinoiodato, o
remédio que ele gostava de receitar para nossos ossos e neurônios em crescimento - no
meu caso, o remédio foi inútil, mas útil foi a convivência com o filho. E com outro
rapaz sempre vestido de branco, também ex-aluno do Santo Ignácio e colega de vestibular,
Cândido Mendes de Almeida, hoje reitor da UCM e colega de academia.
Eram dois rapazes brilhantes, Zé Paulo já concluíra o curso de
direito e se inscrevera no curso de filosofia. Mostrava-me os seus poemas -eu vinha de um
meio que recusava o modernismo e me deslumbrava com o domínio do verso sem os atavios dos
parnasianos e sem as piadas dos modernistas.
Eduardo Portella o quis na academia, não foi possível. Zé Paulo era mais do que um
poeta e pintor. Era um homem íntegro em sua vida, em sua obra, em seu enigma.
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