Às
vésperas de completar 82 anos de idade, o escultor Frans Krajcberg faz a primeira
exposição, no Brasil, sem suas famosas esculturas. Vai mostrar apenas relevos em papel,
inéditos, a partir de quinta-feira, na galeria Marcia Barrozo do Amaral. Ele chega hoje
ao Rio e aproveita a ocasião para rever amigos e comemorar o aniversário.
O senhor não costuma mostrar os
desenhos, sem as esculturas.
O que o levou à exposição atual?
Quis encontrar meus amigos. Faço aniversário dia
12, e achei que seria mais agradável encontrá-los numa exposição. Além disso, e os
desenhos combinavam com o tamanho da galeria. Todos os trabalhos são ligados à natureza,
a folhagens. E também será uma surpresa, pois ninguém viu ainda esses desenhos.
O que eles representam
em sua produção?
Comecei a fazer desenhos há muito tempo, em Minas
Gerais, com cola e aplicação de pigmentos naturais. Continuei a usar folhagens,
natureza, flores, mas sempre falando da destruição. As folhas estão queimadas, e os
desenhos são escuros.
Hoje, que balanço o senhor
faria de sua carreira?
Recebi três convites para expor em Paris em 2005,
que será o ano do Brasil na França. Não penso em fazer balanço, se sou grande
escultor, pequeno ou se sou escultor. Estou preocupado em organizar meu trabalho, em como
serão os espaços em Curitiba; em Paris; e a fundação em Nova Viçosa, um conjunto de
sete prédios que abrigará fotos, gravuras, esculturas, trabalhos meus e dos amigos. Com
82 anos, preciso me organizar, não quero deixar uma bagunça! Depois da guerra, descobri
que a vida não é só o homem. Quando cheguei ao Brasil descobri as florestas. Nova
Viçosa (Sul da Bahia, onde ele vive) tinha a floresta mais rica e bonita. Em 50 anos
destruíram tudo. Quero exprimir minha revolta através do meu trabalho.
O senhor diz que tudo o que nasce na Terra
merece viver. Como vê o momento atual, no mundo e no Rio?
Estamos em guerra civil. É impressionante como o
povo do Brasil não vai às ruas protestar contra isso, acabar com essa guerra, com o
banditismo. Há mais mortos aqui do que no Iraque. Mas só se protesta contra a guerra do
Iraque, que é de uma hipocrisia completa, é tudo negociata.