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Emeric Marcier nasceu em Cluj, na Romênia, em 1916,
falecendo em Paris, no ano de 1990. Embora fazendo freqüentes viagens à Europa, passou a
maior parte de sua vida na cidade do Rio de Janeiro e em Barbacena, Estado de Minas
Gerais.
Marcier faz parte daquela leva de pintores, escultores, escritores e cientistas que
aportaram ao Rio de Janeiro, a partir de 1940, em conseqüência da 2ª Guerra Mundial,
iniciada um ano antes.
Por algum tempo, viveu na Pensão Mauá, no morro de Santa Teresa, sendo pensionista de
Djanira, que lhe dava comida e acomodações em troca de aulas de pintura.
Em 1947, quando outros refugiados, como Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva,
voltavam à Europa, Marcier preferiu ficar no Brasil, tornando firme essa decisão ao
conhecer a cidade de Barbacena, ao Sul de Minas Gerais, que se tornou modelo para suas
paisagens. Artista bem solicitado, manteve residência, alternadamente em Barbacena e Rio
de Janeiro, com algumas escapadas a Paris.
Emeric Marcier não era abertamente um modernista, sofrendo por toda vida a influência
dos primeiros mestres em Milão, aos 19 anos, quando tomou contato com a pintura italiana
do pré-renascentismo.
Assim, sua arte estava muito presa à pintura religiosa e muitos de seus trabalhos, em
murais, eram realizados ainda pela técnica do afresco. Não eram porém uma cópia da
obra dos antigos mestres, muito pelo contrário, sua pintura tinha um toque especial,
pessoal, nada acadêmica, revelando aproximação ao modernismo e plena assimilação da
pintura do século 20.
Em sua carreira, não se fixou particularmente em nenhum gênero: apreciava a pintura
religiosa, não menos que a paisagem; pintava naturezas mortas, mas fazia também
retratos, aos quais chamava de «paisagens de gente»; ousava experimentar, sem entretanto
abandonar por completo a experiência anterior já sedimentada. Em resumo, era um
renovador mas não um iconoclasta; o novo não representava, para ele, a destruição do
velho.
Entre
todos os refugiados de guerra que passaram pelo Brasil, Marcier teve características
pessoais que o diferenciaram: judeu por nascimento, converteu-se ao catolicismo, fazendo
da pintura religiosa uma vertente importante de sua obra; romeno por nacionalidade,
naturalizou-se brasileiro, abraçando por completo a nova cidadania; dependente da Europa
para manter-se como um pintor internacional, nem por isso deixou o Brasil, que considerava
sua residência permanente. Aqui se casou, aqui nasceram seus filhos e um deles, Jorge
Tobias Marcier (1948-1982) tornou-se pintor, como o pai. (Texto de Paulo Victorino)
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