Nivouliès de Pierrefort
1879-1968

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A janela

     Era uma janela privilegiada, aquela do apartamento na ladeira da Glória: à esquerda uma ampla vista da cidade do Rio de Janeiro; Ao centro, toda a baía da Guanabara, com veleiros enfeitando suas águas tranqüilas, em cuja orla se erguiam, como cenário coadjuvante, os morros que se tornaram os mais belos cartões-postais da cidade maravilhosa.

     Mais à direita, no ponto mais alto do outeiro, a Igreja da Glória, majestosa na sua simplicidade, borbulhante de eventos que agitavam a vida naquele recanto aparentemente sossegado da cidade. Da janela, contemplava-se o movimento de fiéis, atendendo o chamado às missas regulares; via-se a chegada de noivos em busca das bênçãos divinas para um amor que juravam seria eterno; acompanhava-se, por fim, a alegria das quermesses realizadas no pátio da Igreja.

A artista

     Imagine-se agora, a sensibilidade e experiência de uma artista, com o cavalete instalado em frente essa abertura para o mundo, captando e transportando para a tela cada partícula daquele cenário e daquela agitação positiva da vida.

     Pois lá estava Marie Anne Nivouliès de Pierrefort, registrando em seus quadros cada momento da vida da cidade e cada fragmento das atividades que se desenvolviam à sua volta.

     Nivolliès de Pierrefort nasceu em Toulon, histórica cidade francesa no litoral do mar Mediterrâneo, no dia 6 de janeiro de 1879, e, nesse lugar, viveu uma infância de extrema pobreza.

     Egressa de um colégio de freiras, ainda na adolescência, conseguiu uma bolsa de estudos que lhe permitiu mudar-se para París, onde estudou na Escola de Belas Artes.

     Desenvolvendo bem seu talento para a pintura, recebeu um prêmio de viagem à Tunísia, ao norte da África, que era, na época, um protetorado francês. Lá pintou vários quadros, alguns dos quais foram adquiridos pelo governo da França.

Coração atribulado

     Embora nascida no dia dos Santos Reis e com um talento que fez dela uma rainha no campo das artes, a vida de Nivoliès tem uma trajetória marcada por grandes dificuldades e revezes.

     Em 18 de maio de 1911, casou-se com Paul Ternisien, nove anos mais velho que ela, o qual tornou-se sua inseparável companhia até a morte dele, em 1944. Mas Ternisien era um músico vivendo do subemprego, o que aumentava as responsabilidades da pintora na complementação da renda doméstica.

     Cinco anos após o casamento, nasceu seu único filho, porém com sérios problemas de saúde. Portador de hidrocefalia, o menino viveu anos de luta contra o mal, vindo a falecer, ainda na França, em 1923, aos sete anos de idade.

A Ladeira da Glória

     Em 1938, a artista e seu marido mudam-se para o Brasil, residindo na cidade do Rio de Janeiro, primeiro na ilha de Paquetá, depois na rua Pinheiro Machado,  e transferindo-se, mais tarde, de forma definitiva, para o apartamento da Ladeira da Glória, onde fixaram residência.

     Em 1944, morre-lhe o esposo. Em 17 de junho de 1968, com sérios problemas de saúde, ela é internada no Asilo São Luís para a Velhice, onde veio a falecer, na véspera do Natal.

     Inicialmente a pintora assinava simplesmente como Nivouliès. Pouco antes de vir ao Brasil, descobriu ter uma linha genealógica ascendente que a ligava aos condes de Pierrefort e, a partir de 1937, passou a assinar como Nivouliès de Pierrefort. Alguns quadros aparecem ainda como Marie de Nivoliès e outros, muito poucos, registram o autógrafo de Pierrefort.

(Texto de Paulo Victorino).
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