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Antônio Poteiro
10 de outubro de 1925 (Minho - Portugal)
8 de junho de 2010 (Goiânia - Brasil)
São Paulo, quarta-feira, 09 de junho de 2010


Morre artista plástico naïf
Antônio Poteiro

Um dos grandes nomes da arte popular brasileira,
ele tinha 84 anos e sofria de câncer


SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

     Morreu na madrugada de ontem, após parada cardíaca, o artista plástico Antônio Poteiro, aos 84 anos, no hospital Jardim América, em Goiânia. Ele sofria de câncer e estava internado há uma semana. Seu corpo foi velado no cemitério Jardim das Palmeiras, onde seria enterrado ontem à noite.

     Nascido Antônio Batista de Souza em Santa Cristina da Posse, em Portugal, ele veio criança ao Brasil e se radicou em Goiânia.

     Começou a trabalhar cedo com cerâmica e escultura, fazendo santos, urnas com relevos e animais. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão "Presépio da Tartaruga" e "O Abraço".

     Incentivado pelo artista Siron Franco, Poteiro começou a pintar. Em seus quadros, revisitou um universo semelhante ao da escultura.

     "Uso os mesmos temas da cerâmica: Deus-único, Deus-balança, um punhado de santos, temas regionais, as cavalhadas, cirandas", disse em entrevista em 1977.

     "Tudo [na obra de Poteiro] tem um sentido ligado à história do povo, suas aflições e seus sonhos de felicidade", escreveu o poeta, crítico e colunista da Folha Ferreira Gullar, sobre a obra do artista.

     O artista participou das edições de 1981 e 1991 da Bienal de São Paulo e da Bienal de Havana em 1989.

     Poteiro deixa mulher e três filhos, um deles o ceramista Américo Souza Neto.

ANTÔNIO POTEIRO - O HOMEM E A OBRA
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A propósito da nota acima, recebemos a seguinte retificação:

Responsável pelo site Pitoresco;

 A reportagem escrita por vocês não esta correta.( http://www.pitoresco.com.br/brasil/poteiro/poteiro.htm)
Meu avo Antonio Poteiro
não morreu de câncer. Ele sofria de uma doença crônica de dilatação da bexiga, o que ocasionava constantes infecções. Dentre idas e vindas do hospital, desta ultima vez ficou 9 dias na UTI, e não suportou 2 arritmias seguidas dentre outras complicações.

 Obrigado;
Antonio Neto

www.antoniopoteiro.com


Primeiro potes, depois a pintura

     Antônio Batista de Sousa (Antônio Poteiro) nasceu em Santa Cristina de Pousa (Portugal) no ano de 1925.

     Chegando ao Brasil em criança, morou sucessivamente em São Paulo e Minas Gerais, viveu ano e meio na Ilha do Bananal entre os Carajás e, finalmente, radicou-se em Goiânia.

     Ganhando a vida como fabricante de cerâmica utilitária (de onde lhe adveio o epíteto de Poteiro), aos poucos foi imprimindo qualidade artística a seus potes, estimulado por Antonio de Melo e pela pintora e folclorista Regina Lacerda.

     Com o passar dos anos muitos de seus potes assumiriam a condição de autênticas esculturas em cerâmica, superando pela carga estética sua condição primeira de simples recipientes caseiros para revelar, na forma cada vez mais complexa e na elaborada ornamentação, uma imaginação dominada pelo insólito e o fantástico.

     Passando posteriormente a pintar, a conselho de Siron Franco e de outros artistas goianos, carreou para a pintura os mesmos elementos utilizados em suas peças cerâmicas, priorizando uma temática nascida do sonho e do pesadelo, antes de que apreendida diretamente da realidade concreta.

     É, dentre os artistas brasileiros, dos mais conhecidos e apreciados no exterior, em função do enorme número de exposições internacionais de que tem participado desde 1972.

     Estranha figura de barbas longas como as de um profeta bíblico, leitor constante das Sagradas Escrituras e conhecedor da História, sob a aparência singela e o despojamento quase desleixado esconde-se um autêntico criador de formas, dotado de uma visão pessoal e que por isso mesmo soube dar corpo a um mundo-de-idéias que não se assemelha ao de nenhum outro artista.

     Como a seu respeito escreveu Frederico Morais em 1983:

     «O mundo que Poteiro constrói em seus quadros e cerâmicas é rigorosamente lógico, a começar pela sua simetria. Nele temos o céu e a terra, o alto e o baixo, a esquerda e a direita, o dentro e o fora, Deus e o diabo, o bem e o mal, o leve e o pesado.

     «São vários níveis, planos, andares. Há o mundo de dentro (Poteiro põe um presépio dentro de um chapéu de couro nordestino, imagem que lembra uma nave ou gruta) e o de fora".

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»

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