Nascido no Recife (PE). Em 1944, vivendo no Rio de
Janeiro, tornou-se aluno de Cândido Portinari (1903-1962). De volta de uma viagem à
Europa, em 1949, e novamente residindo no Rio, aprendeu por três anos com Henrique
Oswald, no Liceu de Artes e Ofícios (Rio de Janeiro), a técnica da gravura.
Em 1952 retornou ao Recife,
matriculando-se nas aulas de modelo vivo da Escola de Belas Artes e cursando por algum
tempo o Ateliê Coletivo, fundado naquele ano por Abelardo da Hora. Muito depois, evocaria
essa experiência do Ateliê Coletivo:
«O espírito desta nova
sociedade não me agradava. Pintar num ambiente coletivo era para mim completamente
impossível. Mas como a pintura sempre foi tudo para mim, precisava da companhia de outros
artistas para falar sobre o assunto constantemente: aderi ao grupo. Durante o dia pintava
em casa e à noite ia encontrar o pessoal e transmitia aos mais inexperientes o que
sabia.»
Em 1958 realizou sua
primeira individual, no Recife, e mais ou menos pela mesma época passou a lecionar
desenho na Escola de Belas Artes. Após bem sucedida individual na Galeria Bonino, do Rio
de Janeiro, em 1969, Reynaldo mais uma vez fixou-se nessa cidade, dividindo desde então
sua atividade entre o Rio e Recife.
Influenciado, conforme ele
mesmo afirmou numa entrevista, pelos primitivos flamengos e italianos, pelos primitivos
americanos dos Séculos 18 e 19, por Balthus e pelos surrealistas em geral, Reynaldo
Fonseca mantém-se deliberadamente apartado das correntes que buscam renovar a arte
brasileira, ou contribuir com qualquer inovação estilística para o seu desenvolvimento.
Dotado de boa técnica, fazendo uso de
sólido desenho e de colorido suave e sensível, consegue por vezes incutir em seus
personagens e objetos alguma coisa de inefável, certa nostálgica carga de poesia e
silêncio, que em seus mais frágeis momentos roça o piegas, mas nos melhores adquire
conotação transcendental.
Na mesma entrevista acima
referida, explicou ele ao critico Walmir Ayala o relacionamento profundo que existe entre
seu trabalho e o passado:
«Para conseguir a
atmosfera de mistério e nostalgia que pretendo dar aos meus quadros, uso com
freqüência, como assunto, velhas fotografias e gravuras. Tecnicamente parto do antigo
(por encontrar nele os elementos necessários ao que quero expressar), tratando de dar uma
construção pessoal, portanto atual.»
Fonte: CD-Rom: 500 Anos da Pintura Brasileira
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