Roberto Magalhães
(29.03.1940)

Na velocidade da luz

     Nascido no Rio de Janeiro. Autodidata (a não ser por breve estágio no ateliê de gravura da Escola Nacional de Belas Artes), começou a mostrar xilogravuras em 1962, numa individual realizada na Galeria Macunaíma da própria ENBA, destacando-se desde o início por técnica apuradíssima e extrema originalidade.

     Em 1963 ganhou um dos prêmios de aquisição da I Exposição do Jovem Desenho Nacional (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo), participando em seguida com destaque de importantes coletivas dentro e fora do país, entre elas a IV Bienal Internacional da Gravura, de Tóquio (1964), a IV Bienal de Paris (1965 - Prêmio da Gravura), a mostra de vanguarda Opinião 65 (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1965), a VIII Bienal de São Paulo (1965) e o Salão Nacional de Arte Moderna, no qual fez carreira rapidíssima, conquistando logo na estréia (1964) o certificado de isenção de júri e dois anos depois o prêmio de viagem ao exterior.

Europa escandaliza o pintor

     Embarcando em 1967 para a Europa, fixou-se em Paris, realizando sucessivas excursões a diversos países do continente. Num depoimento de 1982, o artista assim se referiu à premiação, e aos resultados dela advindos:

     «Meu trabalho daquela época até hoje não mudou em nada. É o mesmo tipo de trabalho. Não vi nada que me impressionasse lá fora. Achei que o que se fazia em Paris era muito decadente. Também me assustei com a Bienal de Paris, quando cheguei lá e vi quase caí para trás. Era um negócio terrível. Não tinha a importância que lhe atribuíam aqui. Era um horror.

     Em outros países eu via mais era museus. Na Europa entendi a minha profunda ligação com o Brasil. O meu lugar era aqui mesmo, nasci aqui, vivi aqui, gosto daqui e podia aqui fazer a minha arte.»

Um artista místico

     Retornando da Europa em 1969, Roberto Magalhães fixou-se novamente no Rio de Janeiro.

     Aos poucos, afastou-se da xilogravura para adotar como técnica expressiva dominante a aquarela, permanecendo fiel ao seu mundo de ideias.

     Contrário à maioria, sua filosofia de trabalho era alimentada no estudo da Alquimia e do Misticismo oriental, praticando um figurativismo mágico ou fantástico, do qual não se acha ausente certa dose de humor.

     Pouco participando de exposições coletivas e raramente realizando mostras individuais, acabou por se afastar, durante algum tempo,  de toda atividade artística ,para se dedicar à meditação budista.

Pintura, filosofia e fé

     Roberto Magalhães é um dos principais artistas de sua geração, e hoje como em 1970 pode externar, sobre a Arte, os mesmos conceitos e pontos de vista que confiou ao crítico Walmir Ayala, numa entrevista-depoimento reproduzida no livro A Criação Plástica em Questão:

·          Arte é apalpar a Divindade.

·          Arte é um poder mágico e só os magos têm acesso a ela.

·          Se pudesse descrever os momentos da criação artística, diria: O antes não existe, porque nada existe antes de ser. O durante não existe, porque nada existe sem estar completo. O depois também deixa de existir, porque já foi.

·          Para compreender o que faço, só outro igual a mim.

·          Massificação é sinônimo de fraqueza de espírito,

·          A cor é uma ilusão.

·          Sofremos influências enquanto não nos conhecemos.

·          Novo é tudo aquilo que nunca vi e que não conheço.

·          Apesar de desenvolver hoje o pensamento de ontem, minha preocupação maior é com o amanhã.

     Em 1992 seus 30 anos de atividade artística foram comemorados com uma retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil, ocasionando novas exposições importantes em 1996 e 1997, no Paço Imperial e no MAM do Rio de Janeiro.

Fonte: CD-ROM «500 Anos de Pintura no Brasil»

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Roberto Magalhães na Bolsa de Arte-RJ

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