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Veneza (1992) - óleo sobre tela - 41,5 x 38
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A escola risonha e franca
Antigamente, a escola era risonha e franca. Não a Escola Nacional de Belas Artes, criada
em 1816, após a chegada da missão francesa ao Brasil. Esta conservava, ainda, o mesmo
ranço dos primeiros tempos, mantendo seus alunos presos a uma severa disciplina, não
apenas quanto ao comportamento como também quanto à aplicação, enquadrando-os a
processos de ensino e de estilos já superados.
A escola risonha e franca era aquela criada em 1916 pelo pintor Levino Fânzeres
(1884-1956), aluno consagrado da Escola Nacional, discípulo de Batista da Costa e, como
este, um ardoroso fã da paisagem. De maneira sugestiva, seu criador deu a este curso
aberto o nome de Colméia de Pintores do Brasil.
Como uma faculdade ao ar livre, não havia regras de espécie alguma, cada um pintava o
que desejasse, da forma que achasse conveniente. A interferência do mestre era para
corrigir desvios técnicos, aprimorar o conjunto, fazendo o aluno aperceber-se das falhas
cometidas. Jamais interferia na escolha do tema, ou da concepção individual dos
aprendizes quando à utilização dos pincéis ou na seleção das tintas.
Influências
marcantes
Sua escola funcionou por décadas, no mesmo lugar e hora. Poucos, dentre seus alunos,
destacaram-se na pintura nacional, mas todos aprenderam sem traumas, desenvolveram-se sem
limitações, e levaram sua arte até o ponto que julgaram necessário para sua
satisfação pessoal.
Entretanto, pelo menos dois nomes encontraram ressonância nos meios artísticos
brasileiros: um deles foi Antônio Garcia Bento (1897-1929), aluno da primeira leva de
iniciantes, que é relacionado hoje entre os melhores marinhistas do país, ao lado de
Navarro da Costa (1883-1931), João Batista Castagneto (1851-1900) e José Pancetti
(1902-1958).
O outro é Sérgio Telles, bem mais jovem que Garcia Bento, que participou das últimas
turmas da Colméia, onde aprendeu os primeiros elementos da arte pictórica, e cuja
influência se faz presente em toda a primeira fase de sua obra. O estilo deste pintor só
se alterou muito tempo depois, na convivência com a pintora Nivouliès de Pierrefort
(1879-1968).
Entre
a pintura e a diplomacia
Sérgio Telles nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1936 e já aos nove anos de idade
montava seu cavalete, todos os domingos, na Quinta da Boa Vista para receber a preciosa
orientação de Levino Fânzeres. Aos 18 anos, expondo pela primeira vez no Salão
Nacional de Belas Artes, recebeu um prêmio de viagem pelo país, escolhendo como local a
Bahia. No ano seguinte, de volta ao Rio de Janeiro, realizou sua primeira individual.
Não tinha intenções de transformar a pintura em sua principal e única atividade e, em
1955, ingressou na carreira diplomática, o que não representou nenhum inconveniente à
sua vida de artista, já que, sendo obrigado a viajar constantemente ao exterior, teve a
grande oportunidade de tomar contato com novos cenários, novas técnicas, bem como de
assimilar processos utilizados em outras partes do mundo.
Modernismo,
mas com moderação
Fazendo opção definitiva pela arte figurativa, sua obra apresenta, entretanto, duas
fases bem distintas: a acadêmica, que lhe foi inculcada pelo professor Levino Fânzeres e
a moderna, influência indelével de seu convívio com Ana Maria Nivoliès de Pierrefort.
Pinta
paisagens, também, mas não pode ser considerado apenas um paisagista, pois seu trabalho
percorre todos os gêneros, desenvolvendo com rara felicidade todos os temas a que se
propôs. É uma pintura eclética, não apenas quanto ao gênero, como quanto ao tema,
tornando-se, pois, agradável, um passeio pela seleção de pranchas relativas a seus
quadros. Pintura leve, mas de tons fortes, lembrando as experiências fauvistas do
princípio do Século 20, mas com um evidente toque de modernidade.
Texto de Paulo Victorino
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