Morre  em  São  Paulo   o
concretista Luís Sacilotto
1924-2003

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Folha de S. Paulo
Reportagem local
10 de fevereiro de 2003

     O artista plástico Luiz Sacilotto morreu na manhã de ontem, aos 77 anos, no hospital São Bernardo, no Grande ABC (São Paulo), em decorrência de complicações respiratórias.

     Nascido em Santo André, Sacilotto foi um dos fundadores do movimento concreto no Brasil e participou de cinco bienais no país, além de mostras internacionais.

     Em 1952, quando o artista assinou o manifesto do Grupo Ruptura, junto com Waldemar Cordeiro e Lothar Charoux, entre outros, o concretismo apareceu definitivamente em suas obras.

     Sacilotto, que ainda estava envolvido em alguns projetos, começou a ter problemas mais graves de saúde há cerca de duas semanas. Ficou internado na UTI do Hospital das Clínicas, em São Paulo, por 15 dias e teve alta na quinta-feira. Na sexta-feira, deu entrada no hospital São Bernardo, onde acabou morrendo.

     O enterro do artista plástico está marcado para hoje, às 11h30, no cemitério da Vila Assunção, em Santo André.


Fonte: CD-Rom «500  Anos de Pintura Brasileira»

     SACILOTTO, Luís (1924). Nascido em Santo André (SP).

     Entre 1938 e 1943 freqüentou em São Paulo o Instituto Profissional Masculino do Brás, cujo curso de desenho de letras concluiu. Em seguida, e até 1947, estudou na Associação Paulista de Belas Artes, ao mesmo tempo em que trabalhava como desenhista de letras na Hollerith, publicitário, desenhista de arquitetura e projetista de esquadrias de alumínio.

     Sua primeira exposição deu-se em 1946 no Instituto dos Arquitetos do Brasil - Seção Rio de Janeiro. No ano seguinte seria um dos participantes da mostra 19 Pintores na Galeria Prestes Maia, em São Paulo, na qual expôs telas figurativas de cunho expressionista. Conhecendo pela mesma época a obra abstrato-geométrica de Calder e Kandinsky, abandonou o figurativismo inicial, e por volta de 1948, para emprestar a seus trabalhos a aparência e a precisão de produtos industriais, adotou como suporte a chapa de cimento-amianto, deixando de lado a tela tradicional.

     Em 1949 tornou-se um dos pioneiros do Concretismo em São Paulo e no Brasil, ao lado de Waldemar Cordeiro; do mesmo modo, nos anos iniciais da década de 1950 alguns de seus trabalhos apontam-no como um dos precursores da Op Art a nível internacional.

     O próprio Sacilotto costuma definir-se como "o mais concreto entre os artistas concretos" - título ao qual decerto faz jus por sua fidelidade ao ideário concretista, mesmo depois de a tendência sair de moda.

     Foi um dos signatários, em 1952, do manifesto do Grupo Ruptura, de cuja única exposição participou. No mesmo ano integrou a representação brasileira à Bienal de Veneza e conquistou no Salão Paulista de Arte Moderna o Prêmio Governador do Estado.

     Participou das Exposições Nacionais de Arte Concreta de 1956 e 1957 respectivamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, bem como da Konkrete Kunst, em 1960, em Zurique.

     Entre 1957 e 1960 incursionou pelo tridimensional, produzindo relevos em alumínio pintado e uma série de esculturas em latão e alumínio anodizado.

     Sacilotto participou várias vezes da Bienal de São Paulo entre 1951 e 1965. Entre outros eventos importantes nos quais figurou devem ser citados o Projeto Construtivo Brasileiro em Arte (São Paulo e Rio de Janeiro, 1977), Tradição e Ruptura (São Paulo, 1984), Bienal Brasil Século XX (São Paulo, 1994) e I Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 1997). Sua obra foi exposta em retrospectiva em 1980 no MAM-SP, além de merecer sala especial no Salão Paulista de Arte Contemporânea de 1986.

     Em 1995 a Galeria Sylvio Nery da Fonseca, em São Paulo, organizou pequena retrospectiva, com os trabalhos dos anos 50. Suas pinturas, do mesmo modo como suas serigrafias, destacam-se por absoluto rigor costrutivo, invenção formal e efeitos óticos e cromáticos.

     A seu respeito escreveu Frederico Morais em 1995:

     «Concretista rigoroso, Sacilotto emprega um vocabulário geométrico deliberadamente restrito, com o claro propósito de se concentrar, sempre, no essencial.

     «Visualidade pura. E para isso se vale de uma gama muito variada de recursos - interrupções rítmicas, torsões, cortes, dobras, relevos, superposição de tramas lineares etc.

     «Na aparente simplicidade, ou contenção de sua obra, reside toda uma inteligência visual: há nela clareza, propriedade e transparência. Rigorosas e processuais, suas obras não devem ser vistas, no entanto, como frias equações ou demonstrações de teoremas matemáticos, mas como verdadeiras obras de arte.»



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