Laços de amizade
Dois poetas consagrados,
Cecília Meirelles e Murillo Mendes, e o jovem pintor Carlos Scliar, foram grandes amigos
de Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva não só entre 1940 e 1947, anos em que o
casal viveu no Rio de Janeiro, mas mantendo uma estreita intimidade ao longo de toda a
vida.
Carlos Scliar nasceu em
Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1920. Faz a sua primeira mostra individual de pintura
em 1940 em S. Paulo.
A sua participação na II
Grande Guerra, a partir de 1944, integrado na Força Expedicionária Brasileira em Itália
(onde conheceu Morandi) e os anos vividos em França, para onde partiu em 1947
acompanhando Vieira da Silva no seu regresso a Paris (Arpad seguiria alguns meses mais
tarde) foram decisivos na trajetória da sua pintura.
Em 1950 regressa a Porto
Alegre. Anos mais tarde viria a dividir-se entre os ateliês de Cabo Frio, Rio de Janeiro
e Ouro Preto (Minas Gerais) que hoje acolhem os núcleos da Fundação Carlos Scliar
criada após a sua morte em 2001.
Meio século de pintura
As 21 pinturas
seleccionadas para esta exposição da Fundação Arpad Szenes -Vieira da Silva dão
testemunho do trabalho ao longo de 50 anos de intensa actividade profissional de um dos
mais profícuos e actuantes artistas plásticos brasileiros.
Carlos Scliar é
considerado um dos mestres da arte moderna no Brasil:
"As suas obras têm
por base os objetos do nosso cotidiano, temas simples que se repetem num processo
cumulativo no qual o tempo exerce papel fundamental: elo entre a vida e a arte" .
Um carinho paternal
Maria Helena Vieira da
Silva e Arpad Szenes tratavam-no como um filho e Scliar assumia essa
"paternidade" com devoção pelos mundos que o casal o ajudou a descobrir e com
ele partilhou.
Maria Helena escreveu-lhe
um dia:
"Ao Carlos Scliar -
Ele saberá perdoar-me - não sou escritora... Conheço-o há muito, muito tempo. Arpad e
eu amamos o que ele faz, a simplicidade das suas escolhas, mas também a sua seriedade, a
sua tenacidade, as suas cores tranqüilas, o seu desenho cuidado, as suas composições
amplas e concisas, a diversidade dos seus ritmos, a sua obstinação e a sua criatividade
pintando o que lhe apraz, da forma como pensa que deve ser: a melhor, a mais generosa, e
eu entendo a sua pintura calma, contida, tensa, como uma cantata grave de dias de festa.
Fielmente tua, Maria Helena."
E é para celebrar essa
"cantata" festiva que o museu Arpad Szenes-Vieira da Silva convida a visitar a
exposição de Carlos Scliar.