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Família de Artistas
Flávio-Shiró Tanaka nasceu em Sapporo (Japão) no ano de 1928. De família
tradicional, era filho de um dentista e intelectual dotado de habilidades artísticas que
em 1932 emigrou com a família para o Brasil, fixando-se numa colônia de japoneses
fundada em Tomé Açu (PA).
Ali os Tanaka permaneceriam sete anos, entregando-se o chefe à sua profissão e, nas
horas vagas, pintando retratos
Flávio-Shiró se recorda de seu pai naqueles tempos: «Ele reproduzia os rostos com uma
perfeição inigualável. Tinha uma paciência infinita. Desenhava cabelo por cabelo, era
meticuloso nos traços.»
Quanto à mãe, musicista, tocava koto e shamissen, e mais tarde, ao se transferir
para São Paulo, chegou a dar concertos desses dois dificílimos instrumentos nipônicos.
Caminho da roça
A morte de uma irmã de Shiró, aos 18 anos, de apendicite, fez com que a família
abandonasse Tomé Açu e procurasse São Paulo, por volta de 1940.
Em São Paulo, a situação agravou-se: não apenas o diploma de Odontologia do pai não
era reconhecido, como os cidadãos japoneses passaram a ser encarados de modo hostil após
1941:
«Meu pai poderia ter comprado um diploma, mas se recusou, era homem escrupuloso. Fomos
morar em Mogi das Cruzes, primeiro, onde trabalhamos nas plantações de chá de
conhecidos.
«Depois, São Paulo, na Rua Bueno de Andrade e em seguida na Rua Augusta, onde abrimos
uma quitanda. Eu era o entregador, colocava a cesta de verduras no meio do guidão da
minha bicicleta e ia embora.
Integrando-se ao
ambiente
Na Escola Profissional Getulio Vargas, que passou mais tarde a freqüentar, Flávio-Shiró
fez amizade com outros futuros artistas, como Otávio Araújo, Grassmann e Sacilotto.
A partir de então sua vocação artística se define. Shiró comparece às sessões de
modelo-vivo do Grupo Santa Helena e em pouco tempo surgem-lhe as primeiras pinturas.
Tinha apenas 19 anos quando participou da mostra 19 Pintores, em 1947, expondo paisagens e
naturezas-mortas expressionistas, de colorido ainda indeciso, mas vazadas num desenho já
nervoso e dramático.
Kaminagai, moldureiro
e mestre
Ao mesmo tempo, trabalhou sucessivamente como empregado numa fábrica de móveis e
letrista da Metro Goldwyn Mayer, e ao se transferir para o Rio de Janeiro, torna-se
ajudante na molduraria do grande pintor Tadashi
Kaminagai
1899-1982, a quem seu pai
confiara sua educação artística.
Essa permanência de Shiró no Rio, embora curta, produziu frutos: primeiro, a medalha de
bronze no Salão Nacional de Belas Artes, em 1949; no ano seguinte, a primeira
exposição, no Diretório Acadêmico da Escola Nacional de Belas-Artes, com
apresentação generosa de Antônio Bento.
Um estágio na
França
Retornando em 1951 a São Paulo, dois anos mais tarde seguia para a França, com bolsa de
estudo em Paris, ali se aperfeiçoando com Gino Severini (mosaico), Friedlaender (gravura
em metal) e na Escola Superior de Belas Artes (litografia).
No começo com a magra pensão da bolsa, depois com a problemática venda de seus quadros,
Shiró foi-se mantendo durante longos anos na capital francesa, onde terminou por se impor
e por conquistar o seu lugar. Tudo isso, porém, não o impediu de participar do movimento
artístico brasileiro.
Entre os prêmios mais importantes que obteve no exterior figuram o Internacional de
Pintura, na II Bienal de Paris, em 1961, e o Nacional de Pintura do Festival Internacional
de Peinture de Cagnes-sur-Mer. Desde então vem alternando sua carreira entre o Brasil e a
França.
Entre a figurativo e
o reflexivo
Do ponto de vista do estilo, a arte de Flávio-Shiró tem atravessado vários estágios,
começando, como já foi dito, pelo figurativismo expressionista dos quadros expostos em
1947 na mostra dos 19.
Veio em seguida uma fase de progressivo afastamento da representação, e no fim da
década de 1950 Shiró foi um dos pioneiros, no Brasil, do Abstracionismo Informal, sem
abandonar sua veia expressionista
Em meados da década seguinte, Shiró seria igualmente dos primeiros adeptos da Nova
Figuração, sempre, porém, sem abrir mão do seu expressionismo, por vezes mesclado a
elementos fantásticos.
Na verdade, Shiró sempre oscilou entre as vertentes figurativa e não-figurativa da arte,
numa deliberada ambigüidade. O crítico Olívio Tavares de Araújo assim se referiu
em 1985 a esse aspecto da arte de Shiró:
Flávio-Shiró
tem expostos freqüentemente, individual e coletivamente, no Brasil e em países como
Japão, França, Bélgica, Estados Unidos, Reino Unido e Itália, e ainda em 1993 e 1994 o
Hara Museum de Tóquio e o MAM do Rio de Janeiro dedicaram-lhe retrospectivas, o mesmo
fazendo em 1998 o Museu de Arte Contemporânea de Niteroi.
Fonte:
CD-Rom 500 Anos da Pintura
Brasileira.
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