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A grande mestra
do modernismo
Parece mentira, mas foi no Brasil que
tomei contato com a arte moderna
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| (18861973) |
Tarsila pintou sua tela mais famosa em 1928, como presente de aniversário para o segundo
marido, Oswald de Andrade, que batizou aquele estranho selvagem de Abaporu, o
gigante que come carne humana, na língua tupi.
Com certeza, o escritor não imaginou que estava recebendo um presente que valeria, quase
70 anos depois, US$ 1,3 milhão, preço alcançado num leilão em Nova York e o maior
valor já obtido por uma obra brasileira.
Tarsila arriscou diferentes caminhos em sua trajetória a pintura Pau-Brasil, a
Antropofágica e a Social , todos eles polêmicos, que discutiram a identidade
nacional pela arte.
Paulista de Capivari, nascida numa rica família de barões do café, Tarsila estudou em
colégios de freiras como o Sion, em São Paulo, e o Sacré-Coeur, em Barcelona.
Aos 20 anos, casou-se com um primo de sua mãe, André Teixeira Pinto, pai de sua única
filha, Dulce. O casamento durou pouco, e logo Tarsila se voltou para sua paixão, a arte.
Entre 1920 e 1922, ela morou em Paris, onde estudou e expôs seus quadros.
Ao voltar da Europa, ela visitou as cidades históricas de Minas Gerais e encantou-se com
as casas caipiras e a doçura dos tons pastéis, iniciando ali a sua fase Pau-Brasil. Mais
tarde, na efervescência do Modernismo, sua pintura transformou-se no símbolo da
Antropofagia, um dos mais importantes movimentos culturais do País e cuja obra-prima foi
o Abaporu.
Nos anos 30, separada de Oswald, com quem viveu quatro anos,, casou-se com um médico que
a fez ingressar nos quadros do Partido Comunista. Juntos, viajaram para a União
Soviética e Tarsila, na volta, chegou a ficar presa durante um mês.
Mais uma vez sua pintura mudou de rumo e adquiriu feições sociais marcantes ao retratar
o povo, embora os críticos atribuam a essa fase uma importância menor.
Famosa por sua facilidade em despertar paixões nos homens, a pintora casou-se mais duas
vezes.
Sofreu com as mortes da filha, e da única neta, Beatriz. A neta morreu afogada ainda
pequena. Em 1973, aos 87 anos, Tarsila morreu, vítima de um câncer. |