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Sangue árabe e
coração brasileiro
Descendente de
árabes, Orlando Teruz nasceu no Rio de Janeiro em 1902 e faleceu na mesma cidade em 1984.
Tinha 18
anos quando matriculou-se na Escola Nacional de Belas-Artes, tendo tido por mestres a
Rodolfo Chambeland e Batista da Costa, entre outros.
A partir de
1924, participou do Salão Nacional de Belas Artes, conquistando sucessivamente menção
honrosa (1924), medalha de bronze (1925), medalha de prata (1926), o prêmio de viagem ao
estrangeiro (1937) e o prêmio de viagem pelo Brasil (1942).
Em 1931,
com vários outros artistas de orientação moderna, foi um dos expositores do chamado
Salão Revolucionário, organizado por Lúcio Costa.
O mundo descobre
o artista
Integrou, também, representações de artistas brasileiros em várias coletivas
realizadas fora do país, em Londres, 1944; Buenos Aires e Montevidéu, 1945, Vaticano,
1958, etc.
Realizou
também inúmeras individuais em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte,
Recife e Fortaleza.
Vários
museus possuem obras suas, entre eles o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e
o de Museu de Artes de São Paulo, o Hermitage em São Petesburgo, o Carlsberg de
Copenhague e o do Vaticano.
Ateliê
transformado
em museu
Durante
uma carreira, que se estendeu por mais de 60 anos, pintou possivelmente 8 mil quadros. Nem
toda obra está catalogada, e sua família estima que, no total, foram produzidas em torno
de 13 mil obras.
Muitos de seus melhores quadros
foram conservados como patrimônio familiar.
Num gesto
de raro despreendimento, a família renunciou à venda dessas obras, fundando o Museu
Teruz, mantido na antiga residência-ateliê da Muda da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Os dois
filhos do artista, Rogério e Alexandre, são igualmente pintores.
Mais profundidade
do que
diversidade
Sobre seu
estilo, comenta o crítico José Roberto Teixeira Leite:
«Ao
longo de uma extensa carreira de mais de seis décadas, pouco modificou-se o estilo de
Teruz: a sua é uma pintura adivinhável em sua tipicidade, imutável em sua técnica e em
sua temática, decerto porque esse artista, bem cedo, de posse de seus recursos
expressivos e de um mundo-de-idéias próprio, preferiu explorá-los quase que até à
exaustão e à monotonia.
«Preferiu, em outras palavras, aprofundar a diversificar, dando de um único tema
seguidas interpretações - favelas no morro, cavalos, passistas de frevo, cirandas,
negrinhas de duros seios e meninas na gangorra.
«Teruz
domina a técnica da pintura, apreendida junto a mestres corno Chambelland e Batista da
Costa.
«Mas é
tolo falar, como se tem falado tanto, em técnica dos primitivos flamengos ou dos
primitivos italianos em relação a esse artista: o fato de ter visto nesse ou naquele
museu esse ou aquele quadro não deu evidentemente a Teruz a posse de um procedimento
técnico à la Van Eyck ou à la Antonello, simplesmente porque, em tais artistas,
técnica e ideal pictórico são interligados, uma complementando o outro.»
Uma técnica
genuina
Prossegue Teixeira Leite:
«Na
verdade, a técnica de que se utiliza Teruz é a boa e velha técnica que se aprendia nas
academias, aquela indispensável cozinha que é preciso primeiro saber para
depois de esquecer e começar a fazer. É a mesma técnica de Portinari e de Guignard, de
Osir e de Gobbis.»
«Mais,
porém, do que simplesmente pintor, Teruz é artista, alguém dotado de emoção que,
através de sua arte, transmite essa emoção a outros.
«Se
muitas vezes, sobretudo a partir da década de 1960, à força de tanta repetição,
certos tons brilhosos nos enfadam, a composição nos parece fácil e o desenho frouxo, em
outras - mormente no começo de sua carreira - o que pinta possui o dom de tocar-nos, não
evocasse ele o longínquo mundo da infância, as humildes alegrias do povo sofrido, o
cenário de morros e cidades do interior.
«Tudo é
mesclado com freqüência a certa nota metafísica ou onírica - cavalos de sonho, de
crinas arrepiadas ao vento como os de Füssli -, e a discreta atmosfera erótica,
traduzida em jovens corpos femininos de redondos contornos, coxas à mostra, o colo
desnudo, roliços braços e pernas em movimentos frenéticos, numa atmosfera bem
brasileira de sensualidade.»
Fonte: CD-Rom «500 Anos da Pintura
Brasileira».
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