Esta
flexibilidade está, sem dúvida, presente no conjunto da obra de Artur Timóteo da Costa,
cujo trabalho consolida as experiências impressionistas no Brasil, em pintura que teria
desdobramentos fauvistas, por volta de 1929 e 1921, pouco antes de o artista terminar seus
dias.
Na imagem
abaixo, a personagem popular, que é a cigana, aparece revestida de austeridade no
tratamento que o pintor lhe confere. Mais preocupado com a composição do que com a
fidelidade à aparência da cigana, o modelo parece só ter servido de referência para
extrair os elementos que permitiriam ao artista realizar uma «idéia» de cigana.
A idéia,
desenvolvida sobre o eixo central do quadro, determina altivez à figura, e simetria quase
total à composição. A cor é utilizada nos tons escuros, passando dos pretos aos
castanhos e avermelhados, onde os limites dos contornos se diluem. A mão,, pousada num
gesto de recolhimento, aparece como o ponto mais iluminado da tela.