foto.jpg (5184 bytes) Guido Viaro
1897-1971
 


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Guaratuba (1949)
Óleo sobre tela - 62 x 75 cm

De passagem pelo Brasil

     Guido Viaro nasceu em 1897 na Itália (Badia Polesine), vindo a falecer em Curitiba (PR) em 1971.

    Dois de seus tios, que eram artistas, deram-lhe as primeiras noções de desenho e pintura e, a partir daí, desenvolveu-se sozinho, aprendendo e dominando as técnicas do óleo, da têmpera, da monotipia e da aquarela, além de ter-se tornado bom desenhista e gravador.

     Chegou ao Brasil em 1927, fixando-se sucessivamente no Rio de Janeiro, em São Paulo e, finalmente, a partir de 1930, em Curitiba.

A irresistível atração
de Curitiba

     Seu destino não era o Brasil, era o México. Estava por aqui naquilo que ele pensava ser uma temporada para fazer economias o suficiente para se instalar naquele país, fascinado que estava pelos murais de Orozco, Siqueiros e Rivera.

     Todavia, foi se aclimatando à capital paraense, arrumou mil-e-um pretextos para postergar sua viagem. Casou-se, constituiu família e acabou permanecendo em Curitiba até o fim da vida.

Uma visão humanista
da pintura

     Viaro foi paisagista, marinhista, pintor de figuras e de naturezas-mortas. A paisagem paranaense, com seus pinheiros típicos e sua neblina que envelopa as formas, nele teve o intérprete talvez mais sensível.

     Também fixou em marinhas aspectos do litoral, sobretudo em Guaratuba, localidade em que trabalhou em diversas oportunidades.

     Mas foi acima de tudo pintor de figuras, e ele próprio costumava explicar:

     «Tudo isso é feito para chegar à figura humana; a gente faz paisagem para ser fundo da figura humana; a gente faz natureza-morta para ser complemento da figura humana. É no homem que se realiza toda a grandeza e a meta final da obra plástica.»

Quase abstrato

     Viaro não se considerava um retratista, argumentando que não pintava especificamente as pessoas e sim os tipos que elas representam.

     Tipos regionais, cenas bíblicas ou eivadas de tênue classicismo, completam a bagagem temática desse artista, que, em dado instante de sua carreira, chegou a abeirar-se do abstracionismo "como recurso para desenvolver novas texturas na busca de novas formas de expressão".

Exposições

     Guido Viaro só conquistou, no Salão Nacional de Belas Artes, a medalha de bronze, em 1942; em compensação, foi contemplado no Salão Paranaense com as medalhas de prata (1947) e ouro (1951), prêmios de viagem (1952) e de aquisição (1961, 1963).

     Também não realizou muitas individuais: São Paulo (1948), Rio de Janeiro (1948 e 1963), Porto Alegre (1962) e Curitiba (1959 e 1964).

     Participou de diversas coletivas, mormente no Sul do País, e ainda, em 1985, a 18ª Bienal de São Paulo o inclui na sala especial Expressionismo no Brasil - Heranças e Afinidades.

     Por ocasião do centenário de seu nascimento, em 1997, diversas exposições foram-lhe consagradas em Curitiba, ressaltando não apenas a qualidade de sua obra, como sua marcante atividade didática.

Impressionista ou
expressionista ?

     Tendo retratado a natureza paranaense em nuances delicadas, de conotação quase impressionista, Viaro transformou-se diante do assunto social, nas cenas da vida rural e mesmo em determinados temas religiosos, em artista expressionista.

     Como bem observou Quirino Campofiorito, «exibe então uma energia expressionista que atende ao real e à insinuação intensiva do drama, com as acentuações de uma comovente ternura».

      Foi pintor de recursos e artista de nível, que a crítica e os colecionadores brasileiros ainda não redescobriram suficientemente.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»

 
 


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