.Victor Meireles de Lima
1832-1903

 
 


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A Bacante

MEIRELES (Vítor MEIRELES DE LIMA, dito apenas Vítor), pintor brasileiro (Desterro [hoje Florianópolis], SC, 1832 - Rio de Janeiro, 1903). Ainda estudante, conquistou (1852) o prêmio de viagem à Europa. Estudou em Roma, Florença, Milão, Paris. Consagrou-se na pintura histórica, especialmente com a execução de A primeira missa no Brasil, exposta no Salão de Paris de 1861. Nesse mesmo ano retornou ao Brasil, onde passou a exercer o magistério e formou uma geração de pintores importantes. Quadros principais: Combate naval de Riachuelo, Passagem de Humaitá, Batalha dos Guararapes, Juramento da princesa Isabel.
(Fonte: Enciclopédia Koogan-Houaiss).

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(Texto do livro "Um Século de Pintura",
de Laudelino Freire)

      Natural do Estado de Santa Catarina, e nascido a 1º de agosto de 1832. Teve por primeiro mestre o engenheiro argentino D. Mariano Moreno, com quem começara a aprender desenho aos dez anos de idade.

MORENO (Mariano), político e jurista argentino (Buenos Aires, 1778 - no mar, 1811), um dos próceres da revolução de 1810, foi secretário de sua junta.

      À vista da precoce revelação do seu gênio artístico, o conselheiro Jerônimo Francisco Coelho o trouxe para a cidade do Rio de Janeiro, em cuja Academia de Belas Artes se matriculara a 3 de março de 1847. Foi aluno muito aplicado, conquistando todos os prêmios escolares, inclusive o prêmio de viagem, que o alcançara no concurso de 1852.

      A 10 de abril do ano seguinte, partiu para a Europa, instalando-se em Roma, onde, por conselho de Agostinho da Mota e Grandjean Ferreira, se fizera discípulo do professor Minardi.

      "O Sr. Minardi entendia de si para si, que o aluno, por mais hábil que fosse, nunca estava pronto no desenho, de modo a passar à pintura. O discípulo observou-lhe que, além do que fazia, era obrigado pelas instruções que trazia, a executar trabalhos originais. O professor riu-se desdenhosamente e estranhou que ele quisesse pintar quando ainda não sabia bem desenhar. Vítor Meireles, à vista disso, entendeu que devia abandonar o ateliê do mestre e, tomando um outro por sua conta, começou resolutamente, e por si só, a estudar."

      "Por essa ocasião, ouvia conselhos de seu colega Grandjean Ferreira, então pensionista. Mais tarde, resolvera Vítor tomar como professor o Sr. Consoni, da Academia de São Lucas, com quem, porém, estudou muito pouco tempo.

      "Estando a findar-se o prazo de sua pensão, esta lhe fora prorrogada pelo então Diretor Porto-Alegre, que o aconselhara a transferir-se para Paris, o que efetivamente se fez em novembro de 1857. Aí também não fora feliz com o primeiro mestre que escolhera, o Sr. Leon Cognet, passando a estudar com Gastaldi.

      "Regulavam ter ambos a mesma idade. Foi aos atilados avisos de Gastaldi que Vítor Meireles se desenvolveu e progrediu. Aprendeu a olhar, por assim dizer, a ver as coisas da natureza, segundo a graduação que conservavam entre si, a forma, as distâncias. Mesmo no combinar as tintas ele estava atrasado. Gastaldi ensinou-lhe a espalhar e reunir estas na palheta, produzindo a fácil composição das cores suplementares."

      Prevalecendo-se de uma concessão regulamentar, obteve mais dois anos de prorrogação para compor a sua Primeira Missa, cujo esboço submeteu à apreciação do pintor histórico Roberto Fleury que, depois de ter feito algumas observações quanto à composição do quadro, o achou bom. Esse quadro foi aceito pelo júri francês, composto de notabilidades, o que, sem dúvida, constituiu uma bela conquista do estudante brasileiro.

      Depois de exposto o trabalho, voltou ao Brasil, sendo nomeado professor de pintura da Academia, em cujo exercício entrou em 1862. Nesse mesmo ano pintou Moema   e vários retratos.

      Em 1868, por encomenda do então ministro da Marinha, Dr. Afonso Celso, e mediante o ajuste de 16:000$000, foi encarregado de pintar o Combate Naval do Riachuelo e a Passagem de Humaitá, que os executou no próprio teatro da guerra. Esses quadros foram concluídos e expostos em 1872, ano em que também fora exposto A Batalha de Campo Grande, de Pedro Américo.

      O então ministro do Império, conselheiro João Alfredo, tendo em consideração o valor dos dois artistas, incumbiu Pedro Américo a pintar a Batalha dos Guararapes. Firmado o contrato, ficou estabelecido que o artista seguiria para a Europa, a fim de dar começo ao seu trabalho.

ALFREDO (João Alfredo Correia De Oliveira, dito Conselheiro João), político brasileiro (Goiana, PE, 1835 - Rio de Janeiro, 1919). Formado em Direito (1858), foi deputado em sua cidade (1859) e presidente das províncias do Pará e de São Paulo (1861). Deputado em quatro legislaturas, senador (1877), ministro do Império (1871-1875 e 1877), presidente do Conselho e organizador do gabinete de 1888, que aboliu a escravidão no Brasil. Na República, foi diretor do Banco do Brasil.

      Tempos depois, recebia o Sr. João Alfredo "uma carta de Pedro Américo, em que lhe dizia não ser possível cumprir sua promessa de pintar a Batalha dos Guararapes e, ao mesmo tempo, acrescentva que faria um episódio da Guerra do Paraguai, sendo que já havia escolhido o Avaí. O Sr. João Alfredo mostrou-se muito contrariado pela carta que recebera do Sr. Pedro Américo: todo sonho dele era ver os Guararapes, de que o digno paraibano vinha de se desobrigar. Nestas condições, pedia a Vítor Meireles que aceitasse a empresa, que ele o favorecia na indagação dos materiais para a execução de tão afamada obra.

     Ficara, destarte, Vitor Meireles incumbido de pintar a Batalha dos Guararapes. E Pedro Américo a de Avaí. Tais quadros foram apresentados na exposição de 1869, e assinalaram o acontecimento mais importante da movimentação artística no país.

      Vitor Meireles entregou-se a extraordinária atividade. De 1861 a 1879, que foi a fase áurea das suas manifestações, produziu intensamente e exerceu uma ação sem igual no magistério artístico, quer oficial, quer particular. A sua vasta produção está principalmente representada da Batalha dos Guararapes, Combate Naval do Riachuelo, Passagem do Humaitá, Moema, Primeira Missa no Brasil, São João no Cárcere, Degolação, Flagelação de Cristo, O Juramento da Princesa Regente, em inúmeros esboços e estudos, e em oitenta e três retratos de personagens ilustres. Vem em destaque a seleção crítica que, da sua obra, faz o Sr. José Leão, na monografia artística que consagrou ao pintor.
     "A Moema, diz, enquanto a nós, está acima da Primeira Missa, como a Passagem de Humaitá acima de Moema, o Combate do Riachuelo acima da Passagem de Humaitá, e a Batalha de Guararapes. acima do Combate de Riachuelo.

     "Do alto dessa pirâmide artística, em que tem o autor consumido a melhor parte de seus anos, dificilmente se distingue a base formada pelo São João no Cárcere, a Degolação de São João Batista e a Flagelação de Cristo. A cabeça deste último valeu, talvez, a Vitor Meirelles, a sua maior permanência na Europa, no conceito do R. Diretor, Barão de Santo Ângelo.

ARAÚJO PORTO ALEGRE (Manuel José de), barão de Santo Ângelo, poeta e pintor brasileiro (Rio Pardo, RS, 1806 - Lisboa, 1879). Foi para o Rio de Janeiro, onde estudou pintura com Debret. Completou a educação artística na Europa, aí influenciando-se pela literatura romântica. Em Paris fez parte do grupo fundador da revista Niterói, na qual publicou o poema Voz da natureza. Retornando ao Brasil, criou com outros o Conservatório Dramático, a Academia de Ópera Imperial e participou ativamente do movimento romântico. Obras: Brasilianas (1836), poesias líricas; Colombo (1866), poema épico.

     "De fato, é um excelente trecho de pintura, há nele alguma coisa dessa unção religiosa, de que se tornou fonte inexaurível, o cristianismo... Reputamos Vítor Meireles o representante mais genuíno da pintura brasileira. É o verdadeiro fundador da pintura nacional." (José Leão, Vítor Meireles, pags. 58 e 60).

     Como professor, nenhum o excedeu em competência, na dedicação e nos serviços que prestou; nenhum exerceu ação mais útil no desenvolvimento do ensino da pintura, conseguindo, como ele conseguiu, formar maior número de discípulos. A sua vida, dedicou-a toda aos seus alunos e ao cultivo ardoroso de sua arte.

      Nos seus últimos anos, pouco antes de falecer, tentou novo gênero de pintura, até então não executado entre nós, dando-nos, através de esforços inauditos, os seus inolvidáveis panoramas.

      O Governo do país nunca foi indiferente ao merecimento do artista, e nunca deixou de o cercar de justa proteção. Deu-lhe várias encomendas remuneradas, adquiriu-lhe diversos quadros para a Galeria Nacional e cumulou-o de honras e distinções, tais como o hábito de Cristo, a comenda da Rosa e outras.

      O grande pintor faleceu a 22 de fevereiro de 1903.
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