Juventude na Bélgica |
Nascido em Antuérpia (Bélgica) e falecido no Rio de Janeiro.
Era filho da grande pintora belga Marie De Duve, e embora tenha recebido dela alguma
orientação foi a rigor autodidata em pintura.
Começou
a pintar muito moço, postando-se estilisticamente em seus primórdios entre os que
sentiam o Art-Déco dos anos 20 sem contudo abandonar de todo certas posturas da Belle
Époque.
Suas
aquarelas da década de 1920 exibem, assim, um parentesco patente com obras de alguns
grandes artistas de tal época, como Rops, Steinlen e Forain.
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Viajando pelo Brasil |
Trocando em 1933 o Velho pelo Novo Mundo, Wambach fixou-se no Rio
de Janeiro, de onde sairia nos próximos anos inúmeras vezes em peregrinações
artísticas que o levaram às cidades históricas mineiras, ao Nordeste e mesmo à
Amazônia.
De todos
esses lugares, retornava sempre com um punhado de novas pinturas e aquarelas e com seus
livros de apontamentos repletos de esboços e croquis. Retomava assim a velha tradição
dos pintores-viajantes de começos do Oitocentos, fascinados pela natureza exuberante dos
Trópicos.
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Um artista à moda antiga |
Wambach (que no Brasil expôs individualmente raríssimas vezes,
inclusive no Museu Nacional de Belas Artes em começos da década de 1940), não foi de
modo algum artista moderno, mesmo porque em pintura suas predileções iam ostensivamente
para os Velhos Mestres, e em especial para El Greco e Goya.
Mas, se
as conquistas da arte do Séc. XX não o seduziam, estava também longe de ser um mero
repetidor da tradição; sentia suas pinturas, insuflava-lhes vida, movimento. E é isso o
que se vê em suas paisagens, nas figurinhas de filletes e notívagas tão abundantes em
sua produção, nas estranhas cenas de flagelação e sadismo.
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| Mais que tudo, a aquarela |
Maior aquarelista do que pintor, nunca foi Wambach mais artista
do que quando improvisava, sobre o papel em branco, mancha após mancha e linha após
linha, as formas que pouco a pouco lhe nasciam da memória, da observação ou da
imaginação.
Fazia
tudo com tanta emoção, num traço e num pincelar tão ágeis e sensíveis que em tais
obras o tema é secundário, sendo essencial o modo como são desenvolvidas, a elegância
de certos contornos, a força expressiva que delas transborda. Junte-se a tudo isso sua
capacidade inata de colorista, sua facilidade em valorizar com pequeninos realces de tom a
cena mais modesta e aparentemente mais banal.
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Um tipo inesquecível |
Georges Wambach era alto, corpulento, muito louro e de uma
boêmia que beirava a inconseqüência. Tinha, a diferenciá-lo de tantos pintores, uma
cultura invulgar, que aprimorava em constantes leituras em vários idiomas.
Era um dionisíaco e um esteta, de sentimentos à flor da pele, apaixonava-se com grande
freqüência, e então sofria a dor de todos os românticos...
Anticlerical, odiando a guerra, todos os totalitarismos e o militarismo (coisa que aliás
facilmente se constata pelo exame de sua produção, na qual avultam cenas de violação e
flagelo praticadas por homens fardados contra mulheres indefesas), liga-se por esse
aspecto a seu idolatrado Goya.
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| Fontes: |
CD-Rom: 500 Anos da
Pintura Brasileira
Livro: «Aquarelas de Georges Wambach» (Banco
Itaú)
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