Código de Ética da
"Pitoresco"

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     Na pesquisa, formulação e divulgação de imagens, textos e conceitos, buscamos incessantemente o ponto de equilíbrio entre o Direito de Propriedade e o Direito à Informação, ambos sagrados e ambos garantidos pela Constituição Brasileira.

     Um e outro são importantes para a salvaguarda dos princípios democráticos; um e outro precisam conviver harmoniosamente, já que o crescimento de uma nação pressupõe o respeito ao trabalho criativo mas, por outro lado, não existe criação sem que ela seja precedida da informação.

     Uma nação é livre até o ponto em que seus cidadãos tenham acesso à cultura. Sem cultura, não há cidadania e sem cidadania não há como falar em democracia. O cidadão inculto não tem como exercer seus direitos, transformando-se facilmente em presa nas mãos de inescrupulosos, os quais adaptam a pretensa opinião pública aos seus interesses individuais, para dela tirar proveito.

     Por outro lado, a Internet surge como um elemento de irradiação de idéias e de conhecimento sem precedentes na história da humanidade. Mas a Internet é apenas um meio, não é um fim em si mesma. Da qualidade das informações que são colocadas à disposição do público é que depende a boa ou má formação dos que por ela navegam. Como o leme de um navio, poderá conduzi-los a um porto seguro ou jogá-los de frente a um rochedo.

     "Pitoresco" luta pela primeira opção, contrapondo-se aos que fazem mau uso desse veículo, geralmente pela ganância irrefreável ou pelo simples sentimento de poder que transtorna as mentes mais lúcidas, colocando-as a serviço do mal.

     "Pitoresco" não é uma página comercial. Poderia sê-lo, que não há mal nenhum nisso, desde que respeitados os princípios elementares da ética. Mas optamos por não ter qualquer vinculo com patrocinadores para garantir a total liberdade de edição. As despesas de manutenção da página vão a fundo perdido, na esperança de que a divulgação da pintura dos grandes mestres nacionais e internacionais possa despertar vocações e ativar o mercado de arte como um todo.

     Esta página existirá enquanto houver liberdade de informação, isto é, enquanto o Direito de Propriedade e o Direito à Informação conseguirem conviver harmoniosamente. A legislação em torno do assunto é um cipoal fechado e impossível de ser transposto, a menos que haja entendimento entre   propriedade e informação. Leis aplicadas sem critério transformam-se em leis "burras", que mais atrapalham do que ajudam. Cada caso é um caso e tem que ser analisado separadamente.

     Pintores que se destacaram pela sua obra deixaram de pertencer a si mesmos para se tornarem um patrimônio nacional ou até um patrimônio da humanidade. Fazem parte do conhecimento humano. Precisam ser divulgados pois são parte integrante da cultura universal. Se este princípio não for respeitado, fica prejudicado o sagrado direito à informação. E, sem ele, esta página não terá mais razão de existir.

São Paulo, 22 de dezembro de 2000.
Paulo Victorino