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A personalidade
Cada pessoa
usa as palavras a seu jeito. Porque alguns se identificam com o que penso, outros, quem
sabe por comiseração, até dizem que gostam do que escrevo. Escrevo sobre aquilo que
vivencio, realista e verdadeiramente, com as palavras que julgo justas, no momento em que
as escrevo.
Sinto o que escrevo. Uso as
palavras que exprimem o meu sentimento, sem que desconheça os sinônimos por mim
preteridos, e as enfio solenemente no papel. Não raro, crio um significado só meu para
as palavras, contrariando todos os mestres dicionaristas, quando acho que eles no
meu contexto de criação estão errados.
Um estranho
no ninho
Hoje,
mesmo com todos os favores do computador, a revisão dos textos é fundamental. À
exceção daqueles que estão aprendendo, que leem de carreirinha, ninguém consegue fazer
a revisão daquilo que escreveu, pelo simples fato de que, ao ler um texto, ninguém o lê
soletrando...
No Manual do Mercado de
Arte, a folhas tantas, há uma palavra tida como minha que detesto. Não a
palavra em si, que é linda na boca e nos livros dos outros, mas na minha e nos meus
escritos soa falsa, destoa, fica piegas, porque a palavra não é minha, entrou na
revisão do meu texto e eu não a percebi nessa época não conhecia o Paulo
Victorino, que fará a revisão dos meus próximos livros.
A emenda pior
que o soneto
Não
se trata de uma censura ao revisor anterior, tenho conhecimento de que, quando o autor
repete a palavra num curto espaço, em nome da estética do texto, os revisores a trocam
por outra equivalente, por um sinônimo. Tudo bem, mas, quando leio o tal trecho do livro
é verdade, volta e meia, leio o meu livro a coisa me soa como uma moeda de
quatro reais...
Você jamais vai me ouvir
falar, ou escrever, que as pessoas procuram quadros e esculturas para seus lares.
Esta e algumas outras, não são palavras do meu vocabulário. Uma simples análise
estilística detectará que ela não é da minha lavra.
Os dicionários
fecham questão
Como
exemplo de definição própria da palavra, como aludi acima, vou lhes dar o meu
significado para a palavra parceria. A acepção que dou a esta é só minha e de
alguns excelentes parceiros que tenho.
Antes, vamos ao que dizem,
em uníssono, os dicionários: parceria é a reunião de indivíduos para a
exploração de interesses em comum; sociedade; companhia.
Parceria será
apenas isso?
Parceria, para mim, é um pouco diferente: é quando duas ou
mais pessoas, andando até por caminhos e objetivos diversos, promovem, apenas e
diretamente, o bem estar e o interesse dos demais. Parceria, para mim, pode ser até um
caminho solitário, mas sempre objetivando os interesses dos outros parceiros.
(João Carlos)
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Há parceria num casamento, num mutirão, na organização de uma
festa ou de uma formatura; há parceria em cidadãos que se reúnem para promover o bem
estar de seu bairro, de sua escola ou de seu condomínio; há parceria, quando professores
se empenham em transferir conhecimentos e alunos se esforçam para justificar a
dedicação do mestre, estudando com denodo.
Não há parceria quando
comerciantes se associam, procurando, cada um, tirar maior proveito do outro, valendo-se,
por vezes, de métodos pouco ortodoxos; não há parceria quando patrões e empregados se
posicionam em trincheiras diferentes, disparando um contra o outro, em prejuízo do
interesse comum; quando políticos, dependentes que são de suas bases eleitorais,
esquecem-se dos compromissos assumidos, cuidando apenas de seus próprios interesses, como
se nunca mais fossem disputar eleições.
Você mesmo, usando da
experiência cotidiana, poderá relacionar outros casos de esperteza, disfarçada de
parceria. Falsa esperteza, de vez que não se podem enganar todos, a todo tempo. A
falsidade, como a mentira, tem pernas curtas: é alcançada e desmascarada bem mais cedo
do que imagina o espertalhão.
Aqui se faz,
aqui se paga
A falsa parceria, em que
cada um procura defender seus próprios interesses, em prejuízo dos demais, gera um clima
de desconfiança mútua.
Não é apenas
desonestidade, é burrice. Ao fazer furos no barco em que está viajando, o parceiro
estulto torna-se candidato ao naufrágio. Mais dia, menos dia, acabará perdido no vasto
oceano de suas contradições, agarrado a uma tábua de salvação, à espera de um
resgate que não virá, de outra mão salvadora que não lhe será estendida.
O
relacionamento humano é coerente. Quem se arriscaria a dar uma nova oportunidade àquele
que desperdiçou as chances que a vida lhe deu e pisoteou sobre seus companheiros,
acreditando na esperteza, mais do que na fidelidade?
(Paulo)
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