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João Carlos Lopes dos Santos
Eis a pergunta
que mais sou instado a responder. Invariavelmente, respondo: o mercado vai bem,
obrigado...
No Manual do Mercado de
Arte, defino: mercado de arte é a via processual pela qual transita um segmento
de pessoas físicas e jurídicas em torno do objetivo de comercializar obras de arte, que,
com base na lei da oferta e da procura, determina os relacionamentos e principalmente
estabelece preços.
Mercado é isso aí...
Agora, se o mercado vai bem ou mal, aquecido ou frio, só depende de todos nós que
gravitamos em torno dele. Todas as pessoas envolvidas no processo, inclusive os
colecionadores, têm que fazer a sua parte.
Dependemos uns
dos outros
Devemos sempre nos perguntar: o que estou pretendendo fazer será
bom para o mercado? Se for bom para o mercado como um todo, será sempre bom para cada um
de nós. No entanto, a recíproca nem sempre é verdadeira, pois, se transgredirmos as
normas do mercado, em benefício próprio, com certeza mais tarde nós seremos punidos
pelas consequências dos nossos próprios atos.
Nenhum profissional pode
viver à margem do seu mercado, já que não há sobrevivência digna fora dele. O mercado
tem que ser um terreno fértil, onde todos a ele vinculados devem plantar para, depois,
colher. Os êxitos e mazelas - muito mais as mazelas - de cada um de nós, acabam
repercutindo sobre todos. É por isso que devemos trabalhar com responsabilidade, pois só
assim preservaremos as nossas atividades. Pouca gente se apercebe disso...
Pavimentando a
grande avenida
Outros problemas prejudicam o mercado de arte:
Primeiro, a falta de
informação sobre o próprio mercado, de um modo geral, e, em particular, por parte dos
profissionais nele envolvidos. Até os artistas plásticos que fizeram Escola de
Belas-artes (curso superior), ou cursos livres, não tiveram aprendizado específico sobre
mercado de arte. É incrível, mas não existe essa cadeira nos diversos cursos
disponíveis.
Segundo, o número
extremamente reduzido de marchands, profissionais que poderiam divulgar e promover o
mercado, abrindo, assim, campo de trabalho para os milhares de artistas plásticos,
espalhados por este país. Cheguei a essa conclusão, depois que os artistas plásticos
atenderam ao pedido de interatividade, que fiz no Manual do Mercado de Arte.
É tão claro
que ninguém enxerga
Registre-se, por último, a falta de cursos de formação
de profissionais do mercado de arte. Alguns marchands iniciantes também
interagiram e, literalmente, me imploraram por um curso de formação profissional.
Concluí que os artistas
plásticos brotam por toda a parte. Já os marchands, sem nenhum tipo de formação
disponível, surgem um aqui e outro acolá, correndo atrás de informações dispersas, o
que quase ninguém lhes quer passar. Disso resulta, não só um diminuto número de
marchands, como também - aqueles que vingam - acabam com uma formação empírica,
calcada nas soluções das dificuldades do dia-a-dia, sendo-lhes negada uma prévia
formação profissional.
Neste início de
Século XXI, quando o emprego está em processo lento de extinção, quem quiser uma
atividade profissional terá que criá-la. Assim, a profissão de marchand se apresenta
como uma das mais promissoras, de vez que, além da carência de que lhes falei, trata-se
de uma nova atividade liberal no Brasil, assim como é novo e muito restrito o hábito de
se colecionar ou mesmo ter obras de arte em casa ou nos escritórios.
Espero, para breve e
por todo país, a cristalização de cursos de formação de profissionais do mercado de
arte, mas que objetivem ensinar a fazer, preparando os profissionais realmente para o
mercado de trabalho, uma tendência que, com muita satisfação, se constata. Hoje,
precisamos de doutores que saibam fazer, que materializem o produto do seu trabalho.
Antes, até os anos de 1980, o importante era ter um diploma; agora, além da importância
do diploma, é fundamental saber fazer. Só com marchands bem formados é que
teremos um mercado de arte profissional, orientado e absolutamente confiável.
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