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João Carlos Lopes dos Santos
Já notaram
como as pessoas gostam de se meter na vida dos outros? É verdade, mas nem sempre essa
prática pode ser rotulada de leviandade, fofoca, falta do que fazer, intromissão,
ingerência ou qualquer outra conotação negativa que se queira dar. Resumindo, é a
ótica que as pessoas têm sobre os outros. Essa ótica, inevitavelmente, se transforma no
conceito que teremos daqueles que interagem conosco. Contudo, a regra geral é cuidar da
própria vida e não se meter na dos outros.
Como sempre, isso terá um
lado positivo se a intromissão for ética, honesta e sem interesse pessoal, acho que
sempre valerá uma reflexão sobre as idiossincrasias alheias.
Vou lhes dar exemplos mais
adiante, como sempre, sem citar nomes. Decerto, vocês terão inúmeras outras histórias
parecidas, mesmo desconhecendo os problemas paralelos, invisíveis, que as pessoas estão
vivendo. Daí os ditados: O corcunda sabe como se deita e Cada qual sabe
onde o calo lhe aperta.
Um lugar quase
perfeito
Sei de um hospital,
excelente por sinal, majestoso, amplo por demais, um dos poucos que prodigalizam espaço.
Sabe o que me leva a não lhe dar uma nota dez? Apenas por um detalhe, para mim muito
importante. Todas as pessoas lúcidas sabem que um dia vão morrer. Todas as pessoas
esclarecidas sabem que nos hospitais sempre há uma morgue local onde os cadáveres
são colocados, até que sejam removidos para os seus destinos finais.
No hospital em questão,
há dois estacionamentos contíguos: o da parte da frente, num plano mais baixo, destinado
aos pacientes e visitantes, e o que vem a seguir, um pouco mais acima, usado pelos
médicos e funcionários. Estes sabem que num hospital é comum os pacientes saírem vivos
e eles lutam muito para isso ou mortos.
Acontece que a morgue desse
hospital fica em frente ao estacionamento dos médicos, ou seja, na passagem obrigatória
de todos os mortais que vão àquele hospital e estacionam seus automóveis na parte da
frente. Pergunto: no que pensará o paciente que chega para uma cirurgia e vê um ou dois
corpos na morgue, enrolados em lençóis brancos? A cena patética fica ali exposta, de
porta e janelas abertas. Tomara que alguém de lá tenha percebido que tais cenas causam
constrangimentos.
De fora a visão é
mais ampla
Como já disse, a
regra geral é não se meter na vida alheia, pois cada um deve saber como conduzi-la.
Contudo, quase sempre, não se tem uma visão nítida do que estamos fazendo. Então, para
enxergarmos melhor é necessário afastarmos os objetos dos nossos olhos. Experimente
encostar uma folha que esteja lendo na ponta do nariz. É por aí... No caso do hospital,
a morgue está encostada nos narizes do diretor, do administrador e dos médicos, além de
que, para eles, se trata de uma situação tão rotineira, quanto normal. De tanto vê-la,
nem mais a enxergam.
Portanto, há que se ter
uma tomada externa de quaisquer empreendimentos, que pode ser até a visão do próprio
dono, desde que ele consiga se colocar afastado, no lugar de seus clientes. Os consultores
de todas as áreas sabem disso.
A pirâmide da
sabedoria
Para mim, o Século
XXI é o século da tríade: informação, conhecimento e bem estar das
pessoas.
Esse tripé forma uma
pirâmide. Na base, a informação, gerando obrigatoriamente o conhecimento, que estará
no meio da pirâmide. No ápice deverá sempre estar o bem estar, a satisfação das
pessoas.
O ser humano tem que ser o
objetivo de tudo que se faz. E ainda há gente que não se apercebeu disso. Daí, a
opinião e a satisfação das outras pessoas ser tão importante. Não só
é importante como pode ser vital para a sobrevivência dos empreendimentos.
Laboratórios
antipáticos
Tomava um medicamento para
regular a pressão arterial, que era até baratinho... Só que, mesmo sendo de uso
contínuo, as caixas vinham com 20 drágeas. Ora, se os meses têm de 28 a 31 dias e o
remédio é de uso contínuo, por que não vêm com 31 drágeas? Como se trata de
medicamento muito usado por aposentados, que ganham um salário-mínimo mensal ou pouco
mais, vejam que maldade...
Agora, tomo um medicamento
para o mesmo fim, só que muito caro... É fabricado por um laboratório bem sofisticado,
assim como as drágeas são embaladas. Prestem a atenção no requinte: cada caixa,
caríssima, vem com 28 drágeas e eles só acertam nos meses de fevereiro, mesmo assim
quando o ano não é bissexto. Antipático, muito antipático...
Porque certas
empresas fecham
Num passado que
já vai longe, havia um restaurante que servia uma paella para ninguém botar
defeito. Sempre íamos lá.
Certa feita, um casal amigo
nos visitou e fomos lá saborear o tal petisco. Na hora da sobremesa, duas baratas
francesinhas apareceram na nossa mesa...
Uns
meses depois, o restaurante foi demolido. Hoje, no local, funciona um estacionamento de
automóveis. Por que será?
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