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João Carlos Lopes dos Santos
Pompa e circunstância
Como o mercado de arte, a olhos vistos, vem crescendo no país, ele já está sendo
considerado, cada vez mais, uma boa alternativa para investimento.
Os números são tentadores, em confronto com o que se vê numa economia em crise. Os
preços informados, quase sempre, são reais, mas a liquidez passa por um processo de
mercado, às vezes lento.
Eu mesmo, tenho dito - e escrito -, que, a médio e longo prazos, quando se é conhecedor
da matéria ou se está bem assessorado na aquisição e condução do acervo, o mercado
de arte é um dos mais rentáveis, à frente de aplicações em bolsa, caderneta de
poupança, fundos, dólar e outros do gênero.
No entanto, todos devem saber que há um momento certo para se conseguir a melhor liquidez
e, com ela, a cristalização de lucros. Este momento tem que ser aguardado com
paciência. É o que ocorre com todas as aplicações.
Minimizando a
falta de liquidez
Prefiro quando meus clientes encaram a aquisição de obras de arte como um hobby ou,
simplesmente, priorizem a decoração de ambientes. Contudo, há que se ter o cuidado de
distinguir o que é decorar um ambiente, objetivando-se o gosto e a decisão do cliente, e
o que, verdadeiramente, é investir em obras de arte. No Manual do Mercado de Arte e nos
meus sites já escrevi muito sobre isso.
Paralelamente, se a aquisição se der da forma correta, obediente aos ditames do mercado,
poderá originar ganhos futuros ou iniciar um processo de formação de uma aplicação
séria e lucrativa.
Costumo dizer que a compra de obras de arte só deve ser feita quando se tem absoluta
disponibilidade de dinheiro, mormente no Brasil, onde, volta e meia, a economia passa
pelos trancos e solavancos das bruscas mudanças. Há que se prever a possibilidade de
tais ocorrências, para prover o que é básico durante os atropelos da economia. A crise
quando vem, quase sempre atinge a todos e aí, de certo, não será a hora de vender nada,
mormente obras de arte.
Afinal, contrariando o que faz a maioria no mercado de arte, deve-se comprar na baixa e
vender na alta. Em qualquer mercado, quando a crise sinaliza baixa dos preços, é que é
a hora de comprar, nunca de vender. O investidor em ações sabe disso.
Sempre é bom repetir: em quaisquer circunstâncias, quando se compra as melhores obras de
arte de artistas plásticos importantes, a médio e longo prazos, não há riscos de se
perder nessas aplicações.
Combine investimento
com bom gosto
Por outro lado, aconselho sempre que só deve
investir neste mercado quem tem sensibilidade pela arte; obras de arte não propiciam
lucros imediatos e têm baixa liquidez. Mais uma vez me repetindo, o investidor que
ambiciona lucros rápidos, pronta liquidez e, por via de conseqüência, riscos na mesma
proporção, deve dar prioridade a outros ativos.
Não gosto de citar nomes de artistas plásticos nos meus escritos, pois pode parecer que
estou querendo conduzir o mercado, mas há casos de artistas que deram muito preço e, em
dado momento, por isto ou aquilo, esgotaram a fonte, caindo a patamares baixíssimos de
preço.
Depois de certas correções de rumo, os seus trabalhos das boas fases retomaram um lento
viés de alta e superaram em muito os patamares anteriores. Sempre que isso acontece, eles
se solidificam no mercado e dificilmente caem novamente, por piores que sejam as crises
econômicas, conflitos bélicos, ou outros fatores interferentes no mercado financeiro.
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