João Carlos Lopes dos Santos
Se vocês querem saber qual é a melhor definição de artes
plásticas, mormente pela ótica do mercado de arte, nenhuma supera a do jornalista
Joelmir Beting. Disse ele, certa vez:
- Preto no branco: arte catalogada é investimento seguro, rentável e de
liquidez assumida. Claro, descartado o dividendo espiritual da beleza da vida capturada na
janela da fantasia pelo dom divino do artista iluminado. Arte na parede não é ouro no
cofre nem dólar na moita. É raio de luz, valor que não tem preço. E o que não tem
preço é sempre um artigo barato. No mundo inteiro é assim: arte é bem de raiz, reserva
de valor, resseguro de crise, arrimo de família, ficha cadastral. E, de sobremesa,
prestígio social. - Joelmir Beting.
A janela
da vida e o
artista iluminado
Na minha ótica, a transcrita definição, dentro de um contexto
econômico, não poderia ser de outra pessoa. Se destacarmos o trecho: "Claro, descartado o
dividendo espiritual da beleza da vida capturada na janela da fantasia pelo dom divino do
artista iluminado, teremos, também, uma belíssima definição de artes
plásticas.
Que inveja! Gostaria que fossem minhas... Mas como talento não
se pode furtar, o mestre Joelmir está de parabéns por ambas as definições.
Há quem dê à arte definições ortodoxas, voltadas aos seus
interesses artísticos e profissionais. Grosso modo, dizem: isto é arte, aquilo não é.
Na minha maneira de ver, seja qual for a manifestação artística, defino-a como: "Arte é a emoção de
quem a faz, cristalizada pela luz da emoção de quem a recebe..
Mostre
sua arte e encontrará
seu público
É como se fosse uma flor na mais absoluta escuridão, que só se
revela bela quando recebe um raio de luz. É por isso que, ao se contemplar uma obra de
arte, ouvir uma música, ver uma peça teatral e outras manifestações artísticas, uns
gostam, outros não. Os que não gostam não interagem com a luz da emoção. Por outro
lado, tenho uma certeza: se atividade artística for realizada com emoção, fatalmente,
encontrará vários fachos de luz pela vida afora.
Mostre a sua arte e encontrará o seu público. Daí se falar de
público específico, de segmento ou seguimento, de nicho. Mas há que se correr risco:
quem expõe sua arte fora do seu público, se arisca a agradar poucos e a desagradar
muitos.
Nas minhas andanças pelas casas e paredes alheias, tenho visto
de tudo e até, muitas vezes, nada exposto nas paredes. Já ouvi quem dissesse que
preferia comprar uma televisão nova, a investir numa pintura ou escultura.
Sensibilidade
se afina com
educação artística
Admirar uma obra de arte passa por uma boa educação, por uma
sólida cultura, por exercícios de sensibilidade, por olhos afinados com a longa
vivência da contemplação do que é bom. Essa é uma das razões porque defendo a tese
que se deveria dar cultura artística às crianças desde o ensino fundamental. Como as
pessoas estão em patamares diferentes há gosto para tudo - e nem se estou falando de
capacidade financeira. Assim, vê-se de tudo nas paredes.
O meu dia-a-dia é colorido, pois cada cliente tem preferência
por uma cor. Quase sempre, marido e mulher têm preferências por estilos diferentes. Se
for para agradar todos da família, fatalmente, o marchand deverá apresentar sempre um
leque de opções.
Já presenciei de tudo, até gente chorando de emoção diante de
uma pintura que tinha sido motivo de risos irônicos de outros. Como, então, se definir
arte de uma forma ortodoxa?
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