|
Curso para formação
de marchands
Outro dia, recebi um e-mail com o seguinte teor: «Entrei no seu site e naveguei nos seus
escritos. Com o direito que me cabe de discordar, me parece absurda a sua idéia de uma
"escola para marchands". Bons ou maus, eles o são por sua sensibilidade. E
sensibilidade não se ensina».
Apreciei a intervenção. Acho que todas as pessoas deveriam interagir em meus sites,
mormente para discordar do que eu digo. Gostaria de que todos fossem francos assim.
Bem intencionada, a grande maioria formula elogios, agradecimentos e discursos bonitos,
que me levam a creditá-los apenas como simpáticos registros. Por isso é que dou muito
mais importância a manifestações críticas.
Há quem se ofenda com críticas; no meu caso, elas tem efeito contrário; gosto delas,
porque me levam à reflexão. Críticas acres - e esta não o foi - nunca me abatem, mesmo
porque só respondo à minha consciência.
A verdade de
cada um
No que tange à futura «Escola de Marchands» - usando as palavras do interlocutor - não
concordo com os argumentos apresentados e fico com a integridade dos meus textos, nos
quais abordo o assunto com insistência.
Desde que lancei o MMA, tenho sido instado por diversos marchands novos de todo o pais, a
ministrar um curso de formação de profissionais do mercado de arte. Os que me
perguntaram pelo curso só não deram número para formar uma turma porque são de
diferentes cidades.
Sensibilidade é só
o começo
Obviamente que, para o bom exercício da profissão de marchand, é necessário se ter
sensibilidade, diria até que este quesito é fundamental; mas sensibilidade, por si só,
não é capaz de oferecer ao profissional a competência de que ele precisa para
sobreviver no mercado.
O marchand precisa ter ainda outros pré-requisitos para abraçar com sucesso a carreira:
vocação; vivência no mercado de arte; conhecimento sobre arte; cultura eclética; bom
relacionamento com o mercado de uma forma geral; bom relacionamento social; relativa
capacidade financeira; e conhecimento de propaganda e marketing.
Parece simples,
mas não é
Atualmente, para a prática da atividade, não há exigências legais específicas ou de
formação profissional. Para se tornar ou se arvorar em marchand, basta abrir uma galeria
de arte ou - se conseguir - sair comprando, consignando e vendendo obras de arte.
Ser marchand, evidentemente, não é só isso. Há outras atribuições além da de
vender. O marchand deve ser um agente, um promotor do mercado, na acepção mais ampla
desta palavra, e, principalmente, tem que estar preparado.
Embora não haja maior exigência formal, sem alguns dos pré-requisitos já mencionados,
acho muito improvável que a empreitada venha a ser coroada de êxito.
Aplainando
o caminho
Esta é uma profissão atípica, uma atividade mista, que envolve comércio e prestação
de serviço, para a qual, infelizmente, ainda hoje, não se oferece qualquer tipo de
formação acadêmica específica, desconhecendo-se qualquer notícia sobre cursos
intensivos ou algo parecido.
O que se vê são cursos de história da arte - dirigidos aos interessados em artes
plásticas de uma forma geral - que muito ajudam, mas que não são específicos para
formação de marchands.
E, como no caso do mercado de arte em geral, para marchands também não há qualquer tipo
de regulamentação profissional (sindicato, associação ou entidades afins), em todo o
território nacional, que congregue os profissionais do ramo.
Conhecimento técnico
é valioso
Há marchands oriundos de vários segmentos profissionais, com formações as mais
variadas, como engenheiros, médicos, advogados, jornalistas e militares reformados, entre
outros tantos.
Uma parte deles divide o tempo entre as duas atividades; a outra, abandonou de vez a
anterior, por força de aposentadoria ou, como no meu caso, por simples opção.
E é por isso que, com o meu projeto, objetivo dar um apoio específico a esses
vocacionados. Não se trata de entregar um mero diploma de marchand, mas sim, de dar ao
interessado um conhecimento técnico sólido.
O estudo, a formação profissional, nunca atrapalha, só acrescenta. Isto, para mim, é
fundamental.
Valores intrínsecos
dão o respaldo
É claro que, em tudo que aqui foi dito, estão implícitos os valores pessoais básicos
que os profissionais devem ter: falo de honestidade, ética e caráter. Ainda mais, pelo
fato de se tratar de uma profissão atípica, não regulamentada, sem um órgão direto
que a fiscalize.
Tenho certeza de que o "Curso para Marchands", brevemente, será uma realidade;
só depende de um reitor inteligente e com vocação para mecenas, de uma das boas
universidades particulares deste país.
Mecenas, sim, porque o lucro não será imediato; inteligente, também, por que este novo
século, tenho certeza, será das artes, da cultura e do entretenimento.
Além disso, os mais de 50 mil artistas plásticos, calculo, em atividade no país,
necessitam urgentemente de marchands.
...
|
|