João Carlos Lopes dos Santos
Trata-se de
uma rede de comunicação telefônica formada por pessoas de determinado mercado, nicho ou
confraria.
Decerto, é a melhor
mídia, mormente, entre os profissionais do mercado de arte, para troca de informações
entre si.
A verdade é que o mercado
de arte vem sendo desprezado pelas mídias formais e aí quase todas as notícias nos
chegam através de informes publicitários, que, por serem caros, acabam sendo raros.
É nessa lacuna que entra a
Rádio Cotonete. Sem dúvida, o meio de comunicação que nos transmite as melhores
notícias e, também, as fofocas do mercado.
Aliás, por oportuno, está
na hora de os jornais de todo o país criarem as suas colunas sobre mercado de arte.
As melhores informações
do mercado
Voltando à Rádio
Cotonete, sem conferir razão àqueles que usam o telefone com se fossem brincos, as
ligações telefônicas entre profissionais do mercado de arte como nos demais
são fundamentais para que esse mercado se mantenha informado.
No passado falo ali
pela década de 1980 a Rádio Cotonete viveu seus tempos áureos. Costumava-se
dizer que, se dois solitários marchands fizessem uma troca de quadros
chamada de «rolo» às quatro horas da madrugada, em frente ao Restaurante
Rio-Nápoles, na Praça General Osório, em Ipanema, pouco tempo depois todos
profissionais de mercado do eixo Rio-São Paulo tomavam conhecimento do fato...
Eixo Rio-São Paulo
Vou me repetir: até o
início dos anos 1990, os marchands se reuniam em bares e restaurantes, após os leilões
de arte ou, nos finais de tardes, em galerias de arte. Frequentemente, os do Rio formavam
grupos e viajavam para São Paulo e em ocasião diferente os de São Paulo
vinham em caravana para o Rio de Janeiro.
Na década de 1980, os
mercados do Rio e de São Paulo eram uma coisa só. Trocava-se de tudo: ideias,
experiências, informações e até obras de arte. Os decanos transmitiam conceitos para
os novatos. Não havia escola, mas se passava a tradição; agora, nem uma coisa nem
outra; é cada um por si e Deus por todos.
Nada a substitui
Mesmo assim, a Rádio
Cotonete funcionava a pleno vapor, mantendo informados, on line, os profissionais
do mercado.
Atualmente, temos as
mensagens eletrônicas, mas de forma alguma elas substituem a Rádio Cotonete de outrora.
Os e-mails que recebo exceto quando vem de consulentes não falam da
dinâmica do mercado de arte.
Ainda recebo algumas ligações, mas são
poucas, se comparamos com as de outrora. Precisamos revitalizar as nossas maiores fontes
de informação, o bate-papo após os leilões, nos «botecos» da vida, e,
fundamentalmente, a Rádio Cotonete
.