João Carlos Lopes dos Santos
Mas que emissora é essa?
Trata-se de uma rede de
comunicação telefônica formada por pessoas de determinado mercado, nicho ou confraria.
Decerto, é a melhor
mídia, mormente, entre os profissionais do mercado de arte, para troca de informações
entre si.
A verdade é que o mercado
de arte vem sendo desprezado pelas mídias formais e aí quase todas as notícias nos
chegam através de informes publicitários, que, por serem caros, acabam sendo raros.
É nessa lacuna que entra a
Rádio Cotonete. Sem dúvida, o meio de comunicação que nos transmite as melhores
notícias e, também, as fofocas do mercado.
Aliás, por oportuno, está
na hora de os jornais de todo o país criarem as suas colunas sobre mercado de arte.
Atualmente, no Rio de
Janeiro, só temos duas colunas específicas: a de domingo, da jornalista Ledy Mendes
Gonzalez, no tradicional Jornal do Commercio e, mais recentemente, a coluna "Informe
de Arte", da lavra da jornalista Cleusa Maria, no Jornal do Brasil, que sai às
segundas-feiras.
As melhores informações
do mercado
Voltando à Rádio
Cotonete, sem conferir razão àqueles que usam o telefone com se fossem brincos, as
ligações telefônicas entre profissionais do mercado de arte como nos demais
são fundamentais para que esse mercado se mantenha informado.
No passado falo ali
pela década de 80 a Rádio Cotonete viveu seus tempos áureos. Costumava-se dizer
que, se dois solitários marchands fizessem uma troca de quadros chamada de
«rolo» às quatro horas da madrugada, em frente ao Restaurante Rio-Nápoles, na
Praça General Osório, em Ipanema, pouco tempo depois todos profissionais de mercado do
eixo Rio-São Paulo tomavam conhecimento do fato...
Eixo Rio-São Paulo
Vou me repetir: até o
início dos anos 90, os marchands se reuniam em bares e restaurantes, após os leilões de
arte ou, nos finais de tardes, em galerias de arte. Freqüentemente, os do Rio formavam
grupos e viajavam para São Paulo e em ocasião diferente os de São Paulo
vinham em caravana para o Rio de Janeiro.
Na década de 80, os
mercados do Rio e de São Paulo eram uma coisa só. Trocava-se de tudo: idéias,
experiências, informações e até obras de arte. Os decanos transmitiam conceitos para
os novatos. Não havia escola, mas se passava a tradição; agora, nem uma coisa nem
outra; é cada um por si e Deus por todos.
Nada a substitui
Mesmo assim, a Rádio
Cotonete funcionava a pleno vapor, mantendo informados, on line, os profissionais
do mercado.
Atualmente, temos as
mensagens eletrônicas, mas de forma alguma elas substituem a Rádio Cotonete de outrora.
Os e-mails que recebo exceto quando vem de consulentes - não falam da dinâmica do
mercado de arte.
Ainda recebo algumas
ligações, mas são poucas, se comparamos com as de outrora. Precisamos revitalizar as
nossas maiores fontes de informação, o bate-papo após os leilões, nos «botecos» da
vida, e, fundamentalmente, a Rádio Cotonete.