Tenho um grande
apreço pelo povo do Rio Grande do Sul. Fui muito bem recebido quando estive lá e,
também, pelos gaúchos que vivem no Rio de Janeiro e em outras plagas.
Provavelmente por isso, já
que aconteceu naturalmente, o "Manual do Mercado de Arte", de minha autoria e
editado pela Júlio Louzada Publicações-SP em 1999, começa e termina falando do Rio
Grande do Sul.
Escrevi
este artigo em dezembro de 2003 e o atualizei em janeiro de 2007.
No Rio de Janeiro
Os profissionais de mercado
gaúchos, decerto, são os mais atuantes do país. É verdade. Eles são encontrados em
todos os mercados de arte. Jones Bergamin, Laura Marsiaj, Renato Rosa e Eloísa Bergamin
Muccillo, entre outros, estão trabalhando no mercado do Rio de Janeiro.
Os irmãos Pedro e Paulo
Scherer, cada qual com seu antiquário, são apenas dois exemplos dos diversos gaúchos
que emigraram para fortalecer o antiquariato do Rio de Janeiro nas últimas décadas.
Em São Paulo
O meu amigo Roberto Ibarra
Silveira, já há alguns anos, vive e trabalha como marchand no mercado de São
Paulo. Os gaúchos radicados em São Paulo, à exceção de Roberto Silveira, estão todos
no ramo de antiguidades. Ao todo, são cerca de dez profissionais.
Nas minhas conversas com
Roberto Silveira, soube da memorável sentença do crítico de arte Jacob Klintowitz
gaúcho também, que morou no Rio e vive em São Paulo há muitos anos
, a respeito do êxodo dos artistas gaúchos. Ele disse certa feita: "O Rio
Grande do Sul não exporta arte, exporta artistas".
Lembrando do que disse
Klintowitz, agora a respeito da emigração dos marchands de lá, eu diria: o
mercado de arte gaúcho é nacional: forma e exporta profissionais para todo o país.
Os artistas plásticos
que emigraram
Vejam como Klintowitz tem
razão. Tudo começou com os artistas Araújo Porto Alegre e Pedro Weingärtner. Continuou
com os saudosos Libindo Ferraz, Leopoldo Gottuzo, Carlos Scliar, Iberê Camargo, Ione
Saldanha, Avatar de Morais, Jacintho Moraes, Glauco Pinto de Moraes, Paulo Houayek, Glauco Rodrigues, entre outros.
Chegamos, então, aos
artistas em atividade em outros mercados: Regina Silveira e Herton Roitman que estão em
São Paulo; Carlos Vergara, Júlio Castro, Magliani e a escultora Sônia Ebling, que
estão no Rio de Janeiro; Glênio Bianchetti, em Brasília; entre outros.
Os críticos de arte
que emigraram
Os críticos de arte
gaúchos também emigraram. Além do Jacob Klintowitz, estão radicados em São Paulo
Carlos Scarinci e Angélica de Moraes. Para o Rio de Janeiro foram Walmir Ayala, Francisco
Bittencourt, Gerd Borheim, Jayme Maurício, entre outros.
Os marchands que
estão no sul
São estes os marchands
que, hoje, trabalham no mercado dos pampas: Décio Presser, da Arte&Fato; Jorge,
Ronaldo, Patrícia e Roberta Karam, todos da Sala de Arte de Porto Alegre; Marisa
Soibelmann, da galeria de arte que tem o seu nome; Tina Zappoli, da galeria de arte
também com o seu nome; Marga Pasquali, titular da Bolsa de Arte de Porto Alegre;
Vera Schneider, da Galeria da Vera; Regina Galbinski Teitelbaum e Renata Galbinski
Horowitz, da Gravura Galeria de Arte; Paulo Raimundo Gasparotto e Elias da Rosa, que
organizam leilões em Porto Alegre, entre outros profissionais de mercado.
Por informação de Roberto Silveira, marchand gaúcho radicado em São Paulo, a mais
nova galeria de Porto Alegre, inaugurada no final de 2006, com área de mais de 400 m2, na
mesma quadra da Sala de Arte, chama-se Casa Arte e tem a direção de Darwin Longoni,
um ex-empresário do setor de equipamentos elétricos.
Sou avesso às
injustiças. Se você se julga merecedor de constar de quaisquer das listas acima,
desculpe a minha falta de informação. Por favor, peço-lhe que me escreva falando da sua
atuação no mercado gaúcho e a injustiça será corrigida. Por outro lado, tendo
qualquer tipo de sugestão ou crítica, por favor, escreva-me.
Os artistas plásticos
Para nomear aqui os
artistas gaúchos em atividade no Rio Grande do Sul, só há um jeito de não se cometer
injustiças: basta recomendar uma consulta ao "Dicionário de Artes Plásticas do Rio
Grande do Sul" Editora da Universidade (UFRGS) , da lavra de Renato Rosa
e Décio Presser. Trata-se de um importantíssimo trabalho, um exemplo a ser seguido por
todos os mercados de arte.
Bienal do Mercosul
Quando se fala em mercado
de arte, obrigatoriamente, temos que aplaudir a Bienal de Artes Visuais do Mercosul.
Para quem não
lembra, em meados dos anos 90, um grupo de artistas plásticos, empresários e políticos
do Rio Grande do Sul se uniram para lançar as bases da Bienal de Artes Visuais do
Mercosul. Surgiu, então, a Fundação de Artes Visuais do Mercosul; frise-se: uma
fundação de direito privado.
Dessas Bienais, participam
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, além de países convidados. A
primeira edição foi em 1997 e, em dezembro de 2005, foi realizada
a quinta Bienal.
Assim, como
se vê, a seu modo, o mercado gaúcho vai muito bem.