|
João Carlos Lopes dos Santos
Tenho um grande apreço pelo povo do Rio Grande do Sul. Fui
muito bem recebido sempre que estive lá e, também, pelos gaúchos que vivem no Rio de
Janeiro e em outras plagas.
Provavelmente por isso, já que aconteceu naturalmente,
o Manual do Mercado de Arte, de minha autoria e editado pela Júlio Louzada
Publicações-SP em 1999, agora com edição esgotada, começa e termina falando do Rio
Grande do Sul.
Escrevi este artigo em 2003, o atualizei em 2007 e,
mais uma vez, com as informações do meu amigo Roberto Ibarra Silveira, o atualizo em
abril de 2011.
Os profissionais de mercado gaúchos, decerto, são os
mais atuantes do país. É verdade. Eles são encontrados em todos os mercados de arte.
Jones Bergamin, Laura Marsiaj, Renato Rosa e Eloísa Bergamin Muccillo, entre outros,
estão trabalhando no mercado do Rio de Janeiro. Os irmãos Pedro e Paulo Scherer, cada
qual com seu antiquário, são apenas dois exemplos dos diversos gaúchos que emigraram
para fortalecer o antiquariato do Rio de Janeiro nas últimas décadas.
O meu amigo Roberto Ibarra Silveira, já há alguns
anos, vive e trabalha como marchand no mercado de São Paulo. Os gaúchos radicados em
São Paulo, à exceção de Roberto Silveira e do leiloeiro da Tableau, Luiz Carlos
Moreira, estão todos no ramo de antiguidades. Ao todo, são cerca de dez profissionais.
Nas minhas conversas com Roberto Silveira, soube
da memorável sentença do crítico de arte Jacob Klintowitz gaúcho também, que
morou no Rio e vive em São Paulo há muitos anos , a respeito do
êxodo dos artistas gaúchos. Ele disse certa feita: "O Rio Grande do Sul não
exporta arte, exporta artistas".
Lembrando o que disse Klintowitz, agora a respeito da
emigração dos marchands de lá, diria: o mercado de arte gaúcho é nacional: forma e
exporta profissionais para todo o país.
Os artistas plásticos que emigraram
Vejam como Klintowitz tem razão. Tudo começou com os
artistas Araújo Porto Alegre e Pedro Weingärtner. Continuou com os saudosos Libindo
Ferraz, Leopoldo Gottuzo, Carlos Scliar, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Avatar de Morais,
Jacintho Moraes, Glauco Pinto de Moraes, Paulo Houayek, Glauco Rodrigues, Sônia
Ebling, entre outros.
Chegamos, então, aos artistas em atividade em outros
mercados. Regina Silveira e Herton Roitman estão em São Paulo. Carlos Vergara e Júlio
Castro estão no Rio de Janeiro. Magliani, que estava também no Rio de Janeiro, voltou à
Porto Alegre, segundo soube. Glênio Bianchetti está em Brasília.
Os críticos de arte que emigraram
Os críticos de arte gaúchos também emigraram. Além
do Jacob Klintowitz, estão radicados em São Paulo Carlos, Scarinci e Angélica de
Moraes. Para o Rio de Janeiro foram Walmir Ayala, Francisco Bittencourt, Gerd Borheim,
Jayme Maurício, entre outros.
Os marchands que estão no Sul
São estes os marchands que, hoje, trabalham no mercado
dos pampas: Décio Presser, da Arte&Fato, Jorge, Ronaldo, Patrícia e Roberta Karam,
todos da Sala de Arte de Porto Alegre, Marisa Soibelmann, da galeria de arte que tem o seu
nome, Tina Zappoli, da galeria de arte também com o seu nome, Marga Pasquali e seus 2
filhos na Bolsa de Arte de Porto Alegre, Vera Schneider, da Galeria da Vera, Regina
Galbinski Teitelbaum e Renata Galbinski Horowitz, da Gravura Galeria de Arte, Carlos
Gallo, da Gestual Galeria, Paulo Raimundo Gasparotto e Elias da Rosa, que organizam
leilões em Porto Alegre, entre outros profissionais.
Conforme
informação de Roberto Silveira, o atual indicador de espaços culturais indica mais
de 100 locais, entre ele, uma galeria de Porto Alegre, inaugurada no final de 2006, com
área de mais de 400 m2, na mesma quadra da Sala de Arte, que se chama Casa Arte e tem a
direção de Darwin Longoni, um ex-empresário do setor de equipamentos
elétricos.
Sou avesso às injustiças. Se você se julga merecedor
de constar de quaisquer das listas acima, desculpe a minha falta de informação. Por
favor, peço-lhe que me escreva falando da sua atuação no mercado gaúcho e a injustiça
será corrigida. Por outro lado, tendo qualquer tipo de sugestão ou crítica, por favor,
escreva-me.
Para nomear aqui os artistas gaúchos em atividade
no Rio Grande do Sul, só há um jeito de não se cometer injustiças: basta recomendar
uma consulta ao Dicionário de Artes Plásticas do Rio Grande do Sul
Editora da Universidade (UFRGS) , da lavra de Renato Rosa e Décio Presser.
Trata-se de um importantíssimo trabalho, um exemplo a ser seguido por todos os mercados
de arte.
Quando se fala em mercado de arte, obrigatoriamente,
temos que aplaudir a Bienal de Artes Visuais do Mercosul.
Para quem não lembra, em meados dos anos 90, um
grupo de artistas plásticos, empresários e políticos do Rio Grande do Sul se uniram
para lançar as bases da Bienal de Artes Visuais do Mercosul. Surgiu, então, a Fundação
de Artes Visuais do Mercosul. Frise-se que se trata de uma fundação de direito
privado.
Dessas Bienais, participam Argentina, Bolívia, Brasil,
Chile, Paraguai e Uruguai, além de países convidados. A primeira edição foi em 1997 e,
em dezembro de 2005, foi realizada a quinta Bienal.
Assim, como se vê, a seu modo, o mercado gaúcho vai
muito bem.
|
|