Marcos tinha um sonho
O texto nos reporta ao
sucesso de muitas pessoas que conhecemos, em várias áreas de atuação profissional.
Pessoas que, aparentemente, tinham tudo para dar errado na vida, mas acabaram atingindo os
mais altos patamares do sucesso. Preferiram acreditar mais nos seus sonhos do que nos
conselhos recebidos - ainda que muitas vezes lógicos e dados por pessoas bem
intencionadas. Crendo em si, deram foco, foram fundo e cristalizaram os seus sonhos.
Poderia contar
histórias de esforçados e talentosos artistas, de estudantes, de profissionais de
atividades atípicas, mas vou lhes dar um só exemplo de persistência, paciência e de
pessoa que acreditou no seu próprio taco e deu foco absoluto ao seu objetivo.
Vou lhes contar a
história de Marcos Evangelista de Morais, paulistano, nascido em 1970, que tinha um sonho
na vida: ser jogador de futebol.
Menino ainda,
diariamente, Marcos saía atrás das chamadas "peneiras do futebol" da Grande
São Paulo, em busca da cristalização do seu sonho, mas era sistematicamente cortado ou
barrado, com o convite para que não voltasse no dia seguinte.
A «mea culpa» do olheiro
Em depoimento a um
programa de televisão, o "olheiro da peneira" não lembro o nome dele
, hoje aposentado, fez o seu "mea culpa". Na década de 80, era ele quem
promovia as mais importantes "peneiras" da Grande São Paulo.
Resumindo, foi ele o
responsável por inúmeras dispensas do garoto Marcos em suas "peneiras", até
que um dia ele tirou o Marcos da fila de inscrição para uma conversa séria.
Disse ele ao garoto:
"Marcos, meu filho, você é um bom menino, aplicado, esforçado, muito educado e
saiba que eu gosto muito de você. Por tudo isso, vou lhe dar um conselho. Já o cortei
para mais de dez vezes das minhas "peneiras" e você ainda insiste... Vai
estudar, meu filho, você não dá para isso. Futebol é para poucos. Do jeito que a coisa
vai, se você não estudar, o que será do seu futuro? Vai estudar, Marcos."
Em tenra idade,
iniciou sua carreira no Itaquaquecetuba, do interior de São Paulo. Mas sempre sonhou
jogar num time grande. Fez oito testes no São Paulo Futebol Clube e oito vezes foi
recusado. Na nona vez, foi aprovado para as divisões de base.
Muito rapidamente,
chegou ao time titular do São Paulo F.C. e aos vinte anos de idade foi convocado pela
primeira vez - pelo técnico Paulo Roberto Falcão - para a Seleção Brasileira e, a
partir daí, virou hábito vestir a amarelinha.
Mesmo assim, as
críticas não pararam. No início de sua carreira no São Paulo F.C., jogando sob a
batuta de Telê Santana, seu mestre e incentivador, mesmo colecionando títulos, muitas
vezes amargou a incompreensão e críticas da torcida e da imprensa. As críticas só
atenuaram em 1994, depois que foi campeão na Copa do Mundo, nos Estados Unidos. As
críticas atenuaram, mas não pararam, posto que persistem até hoje; mas vamos pular essa
parte...
Um colecionador de títulos
Encurtando a história
mais ainda, Marcos foi campeão paulista de 1989, 1991 e 1992; campeão brasileiro de
1991; bi-campeão da Taça Libertadores da América em 1992/3; bi-campeão mundial
interclube em 1992/3; campeão da Supercopa das Libertadores da América em 1993;
bi-campeão da Recopa Sul-americana em 1993/94, até esse momento jogando pelo São Paulo
Futebol Clube.
Depois, uma rápida
passagem pelo Zaragoza, da Espanha, onde teve tempo de ser campeão da Recopa Européia,
em 1995; depois, uma meteórica passagem pelo Juventude-RS, a caminho do Palmeiras-SP.
Neste, em 1996, foi novamente campeão paulista e vice da Copa Brasil, jogando pelo
Palmeiras.
Jogando pelo Roma, da
Itália, recebeu o scudetto de campeão italiano da temporada 2000/2001. Em 2003, se
transferiu para o Milan e ganhou outro scudetto na temporada 2003/2004. Vocês não têm
idéia do que seja, para os jogadores que jogam na Itália, ganhar dois scudettos...
Em maio de 2006, um
mês antes de completar 36 anos nasceu em 7/6/1970 esbanjando talento e uma
força física invejável foi convocado pelo técnico Carlos Alberto Parreira para
disputar sua quarta Copa do Mundo, a da Alemanha. Marcos é o atleta recordista em
convocações e atuações pela Seleção Brasileira: já foi convocado 182 vezes e jogou
150 partidas com a camisa da CBF. Com 20 partidas também é o recordista brasileiro em
jogos da Copa do Mundo. Cristaliza outro recorde: 16 vitórias em jogos disputados em
Copas do Mundo. Foi por duas vezes
campeão mundial, em 1994 e 2002, o que o coloca no seleto grupo dos jogadores que
conseguiram ser duas vezes campeões mundiais entre
seleções. Mais um recorde: em 2006, comemorou seu décimo sexto ano como
jogador da Seleção Brasileira, superando Pelé que nela jogou por 14 anos.
Titular absoluto da Seleção Brasileira a partir da final da Copa de 1994 é detentor de
um recorde mundial: foi o único jogador que disputou, consecutivamente, três finais de
Copa do Mundo. Tudo isso pode ser verificado no website da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF).
Mas quem é esse Marcos?
É o jogador de
futebol que mais conseguiu títulos importantes no cenário internacional e, na mesma
proporção, o que mais recebeu incompreensões e críticas em sua terra natal. Hoje,
radicado na Itália, sem se esquecer de fazer filantropia no Brasil, depois de atuar na
equipe da Roma, onde se sagrou campeão italiano, foi para o poderoso Milan e lá obteve
mais um scudetto. Marcos é um atleta-referência do futebol internacional,
mormente, pelo caráter, profissionalismo e inquestionável persistência que imprime em
tudo que faz. Você ainda não sabe de quem se trata? Você já ouviu falar do Cafu? O
capitão da Seleção Brasileira que levantou a Copa do Mundo no Japão. Faça, então, como ele, não se abata com o que dizem os
críticos sempre de plantão e tenha em mente esta verdade axiomática: a primeira pessoa
que deve acreditar em você é você mesmo. Jamais espere o reconhecimento alheio. Quem
acredita em si tem maiores chances de se tornar um vencedor.