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João Carlos Lopes dos Santos
A história do bambu chinês, decerto, é muito
conhecida. Ela serve para reflexão, mormente àqueles que querem fazer do
imediatismo a mola propulsora de suas vidas.
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Marcos tinha
um sonho
O texto nos reporta ao
sucesso de muitas pessoas que conhecemos em várias áreas de atuação profissional.
Pessoas que, aparentemente, tinham tudo para dar errado na vida, mas acabaram atingindo os
mais altos patamares do sucesso. Preferiram acreditar nos seus sonhos e deram de ombros
aos conselhos recebidos ainda que muitas vezes lógicos e dados por pessoas bem
intencionadas. Acreditando em si, deram foco aos seus objetivos, foram fundo e acabaram
por cristalizar os seus sonhos.
Poderia contar histórias
de esforçados e talentosos artistas, de estudantes, de profissionais de atividades
diversas, mas vou lhes dar um exemplo de persistência, de paciência, de uma pessoa que
acreditou no seu próprio taco e deu foco absoluto ao seu objetivo.
Vou lhes
contar a história de Marcos Evangelista de Morais, paulistano e nascido em 1970, que
tinha um sonho na vida: ser jogador de futebol. Menino ainda, diariamente, Marcos saía atrás das chamadas
peneiras do futebol da Grande São Paulo, em busca da cristalização do seu
sonho, mas era sistematicamente cortado ou barrado, com o aviso para que não voltasse no
dia seguinte.
A mea culpa
do olheiro
Em depoimento a um programa
de televisão, o olheiro da peneira não lembro o nome dele ,
hoje aposentado, fez o seu mea culpa. Na década de 1980, era ele quem
promovia as mais importantes peneiras da Grande São Paulo.
Resumindo, foi ele o
responsável por inúmeras dispensas do garoto Marcos em suas peneiras, até
que um dia tirou o Marcos da fila de inscrição para uma conversa séria.
Disse ele ao garoto: Marcos,
meu filho, você é um bom menino, aplicado, esforçado, muito educado e saiba que eu
gosto muito de você. Por tudo isso, eu vou lhe dar um conselho. Já o cortei um monte de
vezes das minhas peneiras e você ainda insiste... Vai estudar, meu filho,
você não dá para isso. Futebol é para poucos. Se você não estudar, o que será do
seu futuro? Vai estudar, Marcos...
Em tenra idade, iniciou sua
carreira no Itaquaquecetuba, do interior de São Paulo. Mas sempre sonhou jogar num time
grande. Fez nove testes no São Paulo Futebol Clube e oito vezes foi recusado. Na nona
vez, ele foi aprovado para as divisões de base.
Muito rapidamente, chegou
ao time titular do São Paulo Futebol Clube e aos vinte anos de idade foi convocado pela
primeira vez pelo técnico Paulo Roberto Falcão para a Seleção Brasileira
e a partir daí virou hábito vestir a amarelinha.
Mesmo assim, as críticas
não pararam. No início de sua carreira no São Paulo Futebol Clube, jogando sob a batuta
de Telê Santana, seu mestre e incentivador, mesmo colecionando títulos, muitas vezes
amargou a incompreensão e críticas da torcida e da imprensa. As críticas só atenuaram
em 1994, depois que foi campeão na Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos. As
críticas atenuaram, mas não pararam, posto que persistam até hoje, mas vamos pular essa
parte...
Um colecionador
de títulos
Encurtando a história mais
ainda, Marcos foi campeão paulista de 1989, 1991 e 1992; campeão brasileiro de 1991;
bicampeão da Taça Libertadores da América em 1992/3; bicampeão mundial interclube em
1992/3; campeão da Supercopa das Taças Libertadores da América em 1993; bicampeão da
Recopa Sul-Americana em 1993/94, até esse momento jogando pelo São Paulo Futebol Clube.
Depois, uma rápida
passagem pelo Zaragoza, da Espanha, onde teve tempo de ser campeão da Recopa Europeia em
1995; depois, uma meteórica passagem pelo Juventude-RS, a caminho do Palmeiras-SP. Em
1996, foi novamente campeão paulista e vice da Copa Brasil, jogando pelo Palmeiras.
Jogando pelo Roma da
Itália, recebeu o scudetto de campeão italiano da temporada 2000/2001. Em 2003,
se transferiu para o Milan e ganhou outro scudetto na temporada 2003/2004. Vocês
não têm ideia do que seja, para os jogadores que jogam na Itália, ganhar dois scudettos,
ainda mais jogando por clubes diferentes...
Em maio de
2006, um mês antes de completar 36 anos nasceu em 7/6/1970 esbanjando
talento e uma força física invejável ele foi convocado pelo técnico Carlos Alberto
Parreira para disputar sua quarta Copa do Mundo, a realizada na Alemanha. Marcos é o
atleta recordista em convocações e atuações pela Seleção Brasileira: foi convocado
182 vezes e jogou 150 partidas com a camisa da CBF. Com 20 partidas, também é o
recordista brasileiro em jogos da Copa do Mundo. Cristaliza outro recorde: 16 vitórias em
jogos disputados em Copas do Mundo.
Foi duas vezes
campeão mundial, em 1994 e 2002, o que o coloca no pequeno e seleto grupo de jogadores
que conseguiram dois títulos de campeões mundiais entre seleções. Mais
um recorde: em 2006, comemorou seu décimo sexto ano como jogador da Seleção
Brasileira, superando Pelé que nela jogou por 14 anos. Titular absoluto da
Seleção Brasileira a partir da final da Copa de 1994 é detentor de um recorde mundial:
foi o único jogador que disputou, consecutivamente, três finais de Copa do Mundo. Tudo
isso pode ser verificado no website da Confederação Brasileira de Futebol.
Mas quem é esse Marcos?
É o jogador de
futebol que mais conseguiu títulos importantes no cenário internacional e, na mesma
proporção, o que mais recebeu incompreensões e críticas em sua terra natal. É um
cidadão generoso, mesmo quando radicado na Itália, não se esqueceu de fazer filantropia
no Brasil. Marcos é um atleta-referência do futebol internacional, mormente, pelo
caráter, profissionalismo e inquestionável persistência que imprime em tudo que faz.
Você ainda não
sabe de quem se trata? Você já ouviu falar do Cafu? O capitão da Seleção Brasileira
que levantou a Copa do Mundo no Japão.
Faça, então, como ele, não se abata com o que dizem os críticos de plantão e
tenha em mente esta verdade axiomática: a primeira pessoa que deve acreditar em você é
você mesmo. Jamais espere o reconhecimento alheio. Quem acredita em si tem maiores
chances de se tornar um vencedor.
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