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João Carlos Lopes dos Santos
O carcará
Carcará todo mundo conhece
do cancioneiro popular: pega, mata e come... Grosso modo, trata-se de uma espécie
da família dos falconídeos, ave muito encontrada na América do Sul. Carcará vem de
carancho, que, por sua vez, vem do tupi karãi, que quer dizer arranhar,
rasgar com as unhas.
O nordestino tem fundadas
razões para caçá-lo sem economizar munição, já que o filho duma égua come de tudo:
galináceos e assemelhados, todos os tipos de pássaros, borregos, vitelos, até os
calangos, que, nas épocas de absoluta míngua, são disputados pelo sofrido povo do
sertão.
O tetéu
Já o
tetéu, outra ave, só os nordestinos conhecem bem. Sabe o que é um tetéu? A origem do
nome é onomatopaica, pois o vocábulo imita o seu canto. Haveria para ele definições
bem mais científicas, mas fico com a de um amigo paraibano: "O tetéu é um passarinho cinza, preto e branco, com o
bico, pernas e esporões encarnados, que não drómi e - com a zueira que faz - não deixa
o povo drômir, não dá pra cumê de vez que não cunzinha e nem pega sal. Carne dura da
mulesta, não serve para nada".
Mais ao sul do país, o
tetéu muda várias vezes de nome: quero-quero, tero-tero, teréu-teréu, téu-téu,
terém-terém, gaivota preta, espanta boiada e chiqueira.
Mas que "pássaro" seria esse?
Da dupla Tetéu &
Carcará que até daria um excelente nome de repentistas nordestinos ,
o povo tem conhecimento e dela se defende bem.
Mas existe também no
nordeste um terceiro "pássaro", que vem flagelando o povo de lá, para o qual
ainda não encontraram remédio. A sorte já que Deus nunca desampara é
que, misturadas com esses "pássaros", existem muitas andorinhas que, mesmo
sendo maioria, não conseguem fazer verão...
Mas,
voltando ao outro tal "pássaro", trata-se de uma ave de arribação que, de vez
em quando, sempre nos longos finais de semana de quinta à terça , de per
si ou em pequenos grupos, faz o trajeto do Planalto Central para o Nordeste e
vice-versa... Muitos deles fazem ninhos mais para sul, em balneários famosos ou em serras
chiques. Alguns também têm ninho no hemisfério norte e passam literal e
literariamente por cima do problema, e vão para outras plagas. Até mudam de
trinado: Ai quenti bé-livi ou, então, Jé sui dé-solê...
Contudo, o "pássaro" em questão não é
monopólio da região Nordeste, posto que haja muitos deles em qualquer lugar do Brasil.
Como é que fui me esquecer do nome desse "pássaro"?
Seria o chupim?
Seria o chupim? O quê? Você não sabe o
que é isso? Didaticamente, o chupim é um pássaro preto, cuja fêmea tem como
idiossincrasia pôr os seus ovos no ninho do tico-tico que, inadvertidamente, lhe cria os
filhotes.
O chupim, também chamado
de vira-bosta, por ser comum frequentar os currais das fazendas, alimentando-se de todo o
tipo de sementes, principalmente do milho que recolhe das fezes do boi, assim como costuma
causar sérios danos aos arrozais na época das colheitas.
Nos Estados do Rio de
Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul ele também é chamado de marido de
professora, quando ele vive a expensas da mulher. Por extensão, diz-se da
pessoa inoperante, que vive sem fazer força, vivendo na aba ou das sobras dos outros, se
aproveitando do esforço alheio. Mas como é o nome dele? Deve ser mesmo o chupim...
A minha homenagem às andorinhas
Esta crônica é uma
homenagem que presto ao valoroso povo nordestino, honesto e trabalhador. Assim, vai aqui o
meu respeito e admiração a todos Cíceros e Cíceras, Severinos e Severinas, Josés e
Josefas, Antônios e Antônias, Franciscos e Franciscas, Luízes, Marias, Pedros,
Raimundos de todos os tipos e até aos Alfredos, assim como outros nomes que porventura
possam ter.
As minhas
homenagens às andorinhas, pedindo a Deus que as façam reproduzir, ao ponto de serem
suficientes para fazerem muitos verões de abençoadas chuvas para o nordeste.
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