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Nós éramos felizes e não sabíamos Como vocês já sabem, durante o Carnaval de 2002, na varanda lá de casa, conversava com o Brumel Delano o meu alter ego virtual, aquele que mora no meu computador e chegamos à conclusão de que éramos felizes e não sabíamos... Os anos tranqüilos Vivi a melhor fase do Rio de Janeiro. Vejam como era a Cidade Maravilhosa de 1950 a 1970. Foram os anos tranqüilos do Rio de Janeiro e, creio eu, em todas as grandes cidades do país. A população do Rio de Janeiro e do país era muito menor do que hoje, diriam alguns. Vamos deixar os porquês para lá. O saneamento básico era precário, porém, pouco a pouco, foi resolvido, mormente, onde havia densidade populacional. A saúde pública funcionava muito bem. Aos sete anos, em 1951, tive uma apendicite aguda, resolvida com uma cirurgia no Miguel Couto, para quem não sabe, um dos hospitais públicos de pronto-socorro do Rio de Janeiro. Tudo por conta do governo e com muita qualidade. A educação e cultura também eram de excelente qualidade. Posso estar errado, mas me parece que havia mais bibliotecas públicas do que hoje. As escolas e faculdades do governo funcionavam. Havia concurso público para o ingresso, já que as vagas eram poucas; por outro lado, só entravam os melhores. Havia poucas escolas e faculdades particulares. Um título de doutor, ou melhor, Título de Doutor, era muito respeitado. É verdade que a polícia vivia às voltas com furtos de galinhas, de roupas nos varais, de litros de leite e pães, que eram deixados pelos fornecedores domiciliares, nas soleiras da portas. Furtos, sem dúvida, não famélicos, mas sim por pura molecagem das moças e rapazes que voltavam dos bailes de madrugada. Crime de morte era coisa rara e, quando acontecia, quase sempre era passional e noticia durante anos. O julgamento era coberto pela televisão, que obrigava o já falecido repórter Hilton Gomes a fazer vigília na porta do antigo Fórum da Rua D. Manuel. Os crimes causavam uma verdadeira comoção na sociedade. Saúde e Paz O governo, nas três esferas, previa e provia as nossas necessidades fundamentais. Não nos fazia favor, já que é da alçada do governo dar ao povo justiça, segurança, saneamento, saúde, educação e cultura. Ou aquilo que toda gente diz: "Saúde e Paz, que o resto a gente corre atrás". Como as coisas mudaram... Hoje, tenho uma segurança perfeita dentro de casa, um bom saneamento básico, uma saúde de primeiro mundo, a melhor educação e cultura, tudo particular, pago mensalmente por mim e a peso de ouro. E já temos lei especifica federal, que nos promete uma justiça privada de mediação e arbitragem, ou seja, não estatal. É a iniciativa privada substituindo a inércia do poder público. Aliás, está até na moda o poder paralelo... |