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João Carlos Lopes dos Santos
Todo
profissional de sucesso tem uma história para contar. Ninguém vira floricultor por ter
vivido eternamente num mar de rosas. Invariavelmente, o sucesso profissional vem
alicerçado na tríade sofrimento, trabalho e foco absoluto.
Sei de filho que se tornou
excelente advogado para tirar o pai injustiçado da cadeia ou resolver uma intrincada
causa que envolvia a família. Sei do caso de um engenheiro que, saindo de sua área
profissional, se tornou uma referência em previdência pública e privada, objetivando
proteger o filho que poderia ficar indefeso após a sua morte. Sei de profissionais da
área de saúde que ficaram famosos em suas especialidades, com o único objetivo de
tentar salvar a vida de um ente querido.
Tais fatos nos demonstram
que é preciso ter um objetivo na vida e, fundamentalmente, dar foco a ele. Mesmo que não
se consiga êxito no fato gerador do foco o que será sempre motivo de tristeza
, a humanidade, penhorada, sempre agradecerá, pois é assim que se forjam os
grandes profissionais.
O fisioterapeuta cada um
paga o seu preço
O menino não aprendeu a
andar, aos nove meses começou a correr... Como sempre acontece com quem queima etapas,
volta e meia se espatifava num portal, fazia um galo enorme na testa e os pais,
preocupados, juravam que o garoto ia ficar deformado.
O gordinho mais rápido que
já vi, um dia quebrou a clavícula ao cair da cama do irmão. Tinha um ano e um mês.
Mesmo com o gesso, que lhe
tomava o braço esquerdo e parte do tronco, não parava de correr. Porque ainda não sabia
frear, a toda hora batia nos móveis e portais.
Um mês depois, voltamos ao
ortopedista para a retirada do gesso. Lembro-me que o médico serrou o gesso e,
retirando-o, jogou em direção a um cesto de lixo. O menino, numa linguagem enrolada e
chorosa, esbravejou como querendo dizer que ele (o médico) não poderia fazer aquilo com
um objeto dele; afinal, o gesso tinha sido seu companheiro por cerca de 10% de sua
existência.
Viemos embora, mas o gesso
ficou por lá mesmo sob os protestos do olhar choroso do garoto.
As intermináveis sessões
de fisioterapia
A partir daí, o menino
não saiu mais da fisioterapia... Posso lhes dizer que foi uma pré-graduação em
Fisioterapia que durou cerca de 20 anos. Pós-graduação, hoje em dia, todo mundo
tem... Talvez seja ele o único profissional da área, na face da terra, que tenha feito
um brilhante curso de pré-graduação. Garanto-lhes que foi um "cursinho"
bem caro e muito sofrido...
No futebol, que jogava
muito bem, era um volante com grande vocação para fazer gols. Invariavelmente, chegava
arrebentado das peladas do nosso condomínio e, por isso ou por aquilo, tinha que
reiniciar as sessões de fisioterapia.
Hora de escolher
uma profissão
O garoto não foi um
bom aluno, muito pelo contrário. Gostava mesmo era de jogar futebol e saber das notícias
do Flamengo. Ninguém é perfeito... Foi levando a vida assim, até concluir o segundo
grau.
Chegou a hora do vestibular
e a pergunta era inevitável:
- O que você vai fazer,
Cadu?
- Fisioterapia. Disse
rápido, sem pestanejar.
- Não acredito... Você
não está saturado desse negócio? Por que você não tenta medicina?
- Vou fazer fisioterapia!
E não é que ele passou no
vestibular...
O estalo de Vieira
Aconteceu com ele o famoso
estalo do Padre Antônio Vieira. Tinha vinte anos e sua vida mudou radicalmente. Deu foco
absoluto à Fisioterapia. Daí em diante, dia e noite, vivia debruçado nos livros e virou
excelente aluno. Por sorte ou destino, arranjou uma namorada que estudava medicina, focada
como ele. Passava e ouvia os papos telefônicos entre os dois. Namoravam, falando de
anatomia, fisioterapia, estetoscópio e outros assuntos correlatos.
A fisioterapia, decerto,
passou a ser o seu monotema.
Ele fez um estágio de dois
anos com o Dr. Nilton Petrone, o internacionalmente conhecido Filé, o fisioterapeuta a
quem o Ronaldo Fenômeno agradeceu a sua recuperação em rede mundial de TV, depois do
jogo final da Copa do Mundo de 2002.
Quando o garoto cursava o
sétimo período da faculdade, em uma das minhas palestras sobre mercado de arte, na Barra
da Tijuca, contei esta história que só conhecia até aquele momento ,
exemplificando o que era dar foco absoluto à profissão. Naquela oportunidade falei:
anote o nome do garoto, vocês ainda vão ouvir falar dele.
Formado, logo iniciou a
pós-graduação e, concomitantemente, foi contratado pelo Centro Integrado de
Reabilitação e Saúde Fisio R-9, uma parceria da Universidade
Estácio de Sá e o futebolista Ronaldo Luís Nazário de Lima, que, à época,
jogava no Barcelona ou Real Madrid.
Ninguém pediu por ele, já
que não temos conhecimento pessoal com os acima citados. Tudo foi conseguido pelo
seu trabalho e méritos pessoais.
Seis meses depois da
inauguração da Fisio R-9, uma referência em Fisioterapia, veio a "triste
notícia" de que ele estava fora dos planos da clínica... Foi um baque, para o nosso
fisioterapeuta. Ele já tinha a Equipe da R-9 como gente da família. É que a
Universidade Estácio de Sá decidiu abrir a Fisioniterói, que começou a funcionar em
março de 2003.
E, assim, o
monomaníaco-fisioterapeuta foi mandado para Niterói para ser o coordenador da clínica
e, de imediato, começou a dar aulas na Faculdade de Fisioterapia de lá, como
professor-adjunto.
Assim, em 18 de fevereiro
de 2003, após treze meses da sua formatura, aos 25 anos, o Dr. Carlos Eduardo Lopes dos
Santos o Cadu, para os íntimos ministrou a sua primeira aula de
traumato-ortopedia para 45 alunos da turma da manhã do sexto período de Fisioterapia da
Universidade Estácio de Sá Campus Niterói.
Em junho de 2003, já
implantada a Fisioniterói, onde deixou com saudades uma equipe de amigos, de lá saiu
para ser contratado como docente pela Universidade Estácio de Sá.
Ao que me parece, embora o
contato com pacientes seja a sua maior paixão, hoje, ainda no campo da Fisioterapia,
está dando foco ao magistério, já que continuará a ministrar suas aulas onde houver
alunos que queiram aprender traumato-ortopedia. Contudo, nota-se, está torcendo por suas
outras paixões, como implantar novas clínicas e fazer o atendimento direto de pacientes.
Nenhum sacrifício é
demasiado, quando se tem um final feliz.
Post scriptum.
E o final
feliz continua...
No início de 2004, o nosso fisioterapeuta voltou
aos quadros da Fisio R-9, onde trabalha na parte da tarde. A partir de 2006, deu um
tempo para as aulas, já que, pela manhã e à noite, além de estudos, vem
se dedicando aos seus clientes particulares. Não citarei nomes, mas seus pacientes
são, na sua maioria, artistas do eixo Rio-São Paulo, desportistas (alguns vêm
especialmente do exterior para o tratamento) e empresários paulistas e cariocas.
Decerto, o nosso professor de Cinesioterapia,
Traumato-ortopedia e Fisioterapia Esportiva agradou, pois sua trajetória é bem
eloquente. Formou-se em 2002. Em 2003 começou a dar aulas, ainda em 2003, ele foi um dos
professores homenageados pela "Turma Mãos Que Reabilitam". Em 2004, foi eleito
o paraninfo da "Turma Celebridades". Em fevereiro de 2005, mês em que completou
27 anos, recebeu um título que na minha época de estudante se exigia do homenageado, no
mínimo, alguns cabelos brancos: foi eleito patrono da "Turma Skolegas". Em
março de 2006, foi eleito o paraninfo da "Turma Fábio dos Santos Borges"
(Formandos 2005.2). Mais uma vez, em outubro de 2006, foi eleito paraninfo pelos
formandos da turma 2006 de Fisioterapia. Todas as sobreditas turmas são da
Faculdade de Fisioterapia da Universidade Estácio de Sá Campus Niterói, muito
embora o nosso professor de fisioterapia resida na Barra da Tijuca. Em janeiro de
2007, participou da colação de grau de mais duas turmas do Campus R-9/Taquara da
Universidade Estácio de Sá (Formandos 2006.2): "Turma Fisioterapia sim, com muito
orgulho!" e "Turma Zuruwiski", já que em ambas foi um dos
professores homenageados.
Em 2010, o nosso fisioterapeuta deixou os quadros da Fisio R-9 e lá inúmeros
amigos. Agora, em regime de tempo integral, dedica-se aos seus clientes particulares e,
nas horas vagas, elabora planos para viabilizar a abertura da sua própria clínica de
fisioterapia. |
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