Como é difícil conviver
O relacionamento entre as pessoas é sempre muito complicado. Quase sempre,
se faz tudo certo e dá errado.
As nossas individualidades
As pessoas, além de serem
únicas, estão em patamares culturais diversos. Em 2011, o mundo está chegando a sete
bilhões de indivíduos, ou seja, de seres individuais, únicos. E nós nem paramos para
pensar nisso e, pior, não damos valor às nossas individualidades. Quem quiser uma pessoa
como você, só tem uma... Por isso, as pessoas, por serem individuais, apresentam
virtudes que para alguns são defeitos e vice-versa. Têm religiões, humores, manias,
idiossincrasias, caracteres, personalidades, velocidades e óticas de vida diferentes,
assim como traumas de infância, problemas emocionais latentes e financeiros pendentes.
Tudo isso, temperado por amor, ódio, paixão, competição, frustração, inveja, ciúme
e muita hipocrisia.
A sinceridade, decerto, é
a que causa menos danos aos relacionamentos, mas tem que ser mensurada. Aí, saímos nós,
no fio da navalha, entre a sinceridade e a hipocrisia.
Entre os pares, o sucesso,
inteligência, fortuna, felicidade e a beleza incomodam muito mais do que os seus
antônimos. Na apatia social, nos isolamos. Se intensificarmos os relacionamentos,
decerto, a reboque, virão os atritos. Engolem-se sapos ou se roda a baiana. Calçados com
botas de chumbo, vivemos pisando em ovos. E, para mim, que tenho outros defeitos, nada
pior do que um relacionamento contido, medido, calculado, hipócrita. Em face disso, ao
longo da vida das pessoas surgem as maiores confusões e as melhores piadas, mormente
aquelas ocasionadas pelas legítimas defesas putativas verbais.
O que é isso?
Putativo vem do Latim putativu, que quer dizer suposto: aquilo que se supõe
ser o que não é. O direito penal contempla a legítima defesa putativa. Ela acontece
quando alguém empreende uma reação, imaginando que está se defendendo de uma agressão
que, sequer, poderia ser materializada, no entanto, para quem a revida, parece
absolutamente real. É o caso de quando se deparam dois desafetos e, ao se entreolharem,
um deles coloca a mão no bolso para pegar, digamos, um aparelho celular. Imaginando que o
inimigo sacaria uma arma, o outro saca a sua e atinge com um tiro quem só tinha a
intenção de fazer uma ligação telefônica.
A conversa cifrada
A palavra usada fora do seu
ambiente cultural pode gerar muitas confusões. Há algum tempo, dois professores
conversavam. Objetivando tornar a conversa cifrada, e assim evitar falar abertamente da
possibilidade de uma guerra civil na frente de uma servente da escola, um disse ao outro:
- Se a situação do país
continuar desse jeito, isso vai dar numa convulsão intestina.
No entanto, a servente
acabou por decifrar o assunto à sua maneira, e, entendendo o que se presume, deitou
falação:
- É isso aí, professor, a
coisa vai feder...
E o Zé Ciço?
Soube de uma passagem que
aconteceu com um personal trainner. Ele tinha um aluno, todos os dias, às sete da
manhã, na Av. Sernambetiba, hoje Lúcio Costa, na Barra da Tijuca. Chegava com
antecedência de uns 15 minutos, acordava o aluno pelo interfone e ambos se dirigiam à
praia, onde aconteciam os exercícios físicos.
Ali pelas 6h45 de certo
dia, por isso ou por aquilo, quem estava na portaria não era o porteiro de sempre e sim
um faxineiro. Segurando os pesos e demais apetrechos, o personal chegou falando:
- Bom dia, amigo. Por
favor, avise ao morador da cobertura que já cheguei.
O rapaz, de pronto, pegou o
interfone e falou com alguém do outro lado da linha:
- Olha, o homem do Zé
Ciço está aqui.
O personal,
distraído, provavelmente ainda com sono, de cara feia, interpelou o pobre do rapaz:
- Que homem do Zé Ciço,
ô cara? Eu não conheço Zé Cícero nenhum. Fala só que o professor está aqui.
O rapaz foi saindo meio
assustado, quando chegou o porteiro, a tempo de presenciar a cena:
- Ô, me desculpe, deixei o
faxineiro rapidinho no meu lugar. Você não entendeu o que ele quis dizer: "o
homem do exercício está aqui".