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As árvores frutíferas
de nossa infância

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João Carlos Lopes dos Santos


No dia 21 de setembro, comemoramos "O Dia da Árvore". A propósito, tenho uma proposta-convite - lá no final - a lhes fazer.

Como era branca a nossa NIPA

     Para quem conheceu Nova Ipanema dentro de um imenso areal, o verde que ora adentra pelos nossos olhos, através das varandas, ganha foros de uma fantástica floresta tropical.

   No início dos anos 80, a paisagem era extremamente branca. O sol se refletia no areal e irradiava um calor duplicado. De Nova Ipanema, o verde só era visto à distância. As raquíticas amendoeiras, recém plantadas pelos incorporadores do novel empreendimento, nos confidenciavam aos olhos que iam morrer.

E as árvores vingaram e
começaram a crescer

     De fato, infelizmente, se testificou depois que, na sua maioria, eram amendoeiras... Árvores frutíferas, nem para remédio... Mesmo assim, não podemos reclamar do que hoje vemos. Temos um verde exposto aos olhos para nos encher de orgulho.

Vinte e cinco anos depois

     Não temos aqui, ainda, as árvores frutíferas das nossas infâncias. O que vou lhes reportar vai parecer para os mais jovens como se fosse escrito em javanês. Sapoti, tamarindo, pitanga, nêspera, amora, jabuticaba, abio, romã, carambola, jaca, cajá, entre outras; eram estas as frutas das nossas infâncias. Tinham cheiros e sabores personalíssimos. A criançada as arrancava do pé e as comia sem lavar. Em nome do progresso, essas saborosas iguarias estão a caminho da extinção.

Ninguém joga pedra

     Outro dia, meu sogro colheu umas mangas, com sabor de antigamente, em uma solitária mangueira do nosso bosque. Alguém, por livre recreação, a plantou lá, quem sabe para fazer contra-ponto com as inúmeras amendoeiras.

     Há uns anos, depois de ter o meu automóvel amassado por umas inúteis amêndoas, conversando com um vizinho, soube o porquê da existência das amendoeiras no nosso condomínio. Ele me explicou que, (sic) dando frutos absolutamente desprezíveis, evitava-se, com isso, que as crianças subissem nas árvores ou lhe atirassem pedras. Fingi que entendi e fui embora, lembrando do ditado: Ninguém joga pedra em árvore que não dá bons frutos.

Sabor bem diferente

     O sabor daquelas mangas me remeteu à infância. Nelas, senti o gosto da terebintina de suas cascas, o que lhes dava um aroma especialíssimo.

     Hoje, só comemos frutas alienígenas ou geneticamente modificadas: melões insípidos; figos raquíticos; pêras d’água – que lhe empresta o gosto –; maçãs argentinas; ameixas com gosto de nada; uvas ácidas; tangerinas, caquis e mamões bem diferentes dos de outrora; cerejas, pêssegos e "kiwis" importados não sei de onde; lindas goiabas, enormes e sem bicho, mas muito duro de se comer; mangas maravilhosas de se ver, mas sem sabor. Tudo isso, produto de truques genéticos, de regas agrotóxicas e outras químicas de última geração.

Seus netos e os pássaros
agradecerão

     Quem tiver um "pé-de-fruta" qualquer, que venha plantá-lo no bosque ou na marina de Nova Ipanema. Assim, teremos excelente qualidade de vida e frutas saudáveis. Além disso, os passarinhos terão o que comer; saibam que são eles os maiores predadores de insetos. Portanto, está na hora de plantarmos árvores frutíferas, assim como colocarmos chafarizes no bosque, na área desportiva, e na marina, que sirvam de bebedouros para os nossos pássaros.

Proposta-convite

     Vamos à prometida proposta-convite: não esperem o próximo "Dia da Árvore": plantem árvores sempre. Tragam mudas das árvores frutíferas típicas de sua cidade ou região e as entregue na administração do condomínio que, na sua presença, serão plantadas no nosso bosque ou na marina de Nova Ipanema.
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