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De Recruta a General
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João Carlos Lopes dos Santos

     Hoje, dia 16 de julho de 2003, aos 89 anos, numa manhã linda de inverno carioca, com céu azul e sem nuvens, o nosso querido Thomaz nos deixou. Seus amigos estão tristes e enlutados. Um dia tinha que acontecer...

A trajetória militar

     Thomaz de Albuquerque Câmara, que nasceu no Recife-PE, em 24/5/1914, faz parte, e muito, da História do Brasil. Na Revolução de 30, aos dezesseis anos, era aluno do Ginásio Pernambucano, pegou em armas contra o governo federal de Washington Luiz. Em 1932, com a notícia espalhada de que os paulistas desejariam se separar do Brasil, ele ingressou no recrutamento voluntário de jovens para fazer frente aos revoltosos. Assim, aos 18 anos ingressou, efetivamente, no Exército Brasileiro.

     De pronto, como soldado, foi enviado ao Rio de Janeiro para integrar o 19o Batalhão de Caçadores, da Bahia, que estava acantonado no 3o Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

     Aí, começa uma carreira brilhante e vertiginosa. Um mês depois, passou no curso de formação de cabos, só ficando com as duas divisas por sete dias, tempo necessário para passar nas provas do curso de formação de sargentos. Aos 18 anos era sargento.

     Fez concurso de admissão na Escola Militar do Realengo, hoje nas Agulhas Negras, com destino à Escola de Intendência. Aos 27 anos era Aspirante a Oficial e, em seguida, 2o Tenente.

     Com 30 anos de idade, na Itália, integrado a FEB - Força Expedicionária Brasileira, foi promovido a 1o Tenente. Aos 35 anos era Capitão. Aos 40, por merecimento, era promovido a Major. Aos 45, também por merecimento, foi a Tenente-Coronel.

     Encurtando esta longa história, aos 51 anos de idade, também por merecimento, repete-se a rapidez vertiginosa dos acontecimentos do início da carreira, foi promovido a Coronel; meses depois, em 22/11/1965, o Presidente da República, por decreto de 4/10/65, resolveu promovê-lo ao posto de General de Brigada, de acordo com a Lei nº 288, de 8/6/1948, e transferi-lo, a pedido, aos 33 anos de carreira militar, para a reserva remunerada nesse posto, bem como promovê-lo na inatividade no posto de General de Divisão.

A vida civil

     Já na vida civil, aos 51 anos, não aceitou o otium cum dignitate que a vida lhe propusera. Aceitou sim o convite para organizar a firma Intelco Radiocomunicações S/A, que introduziu o serviço de radiochamada no Brasil, popularmente conhecido como "BIP", sua marca registrada.

     Na Intelco, desempenhou as funções de diretor executivo e, posteriormente, como vice-presidente. Afastou-se da empresa, depois de mais de dez anos de serviços prestados.

A sua vida em Nova Ipanema

     Com o dinheiro amealhado em dez anos de vida civil, somado ao soldo de General de Divisão da reserva, pode comprar um apartamento em Nova Ipanema, o primeiro condomínio fechado da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1978, aos 64 anos.

     Desfrutou de Nova Ipanema como ninguém. Participou sempre da vida social, política e administrativa do Condomínio, onde foi Presidente da ACNI (Associação dos Condôminos de Nova Ipanema) e, por diversas vezes, Secretário do Colegiado e Presidente da Comissão de Legislação e Normas do Colegiado.

     Até falecer, destacou-se pela sua contemporaneidade. Falava em obsolescência instantânea dos objetos, em futuro, em século 21, em programação, em estudos, em treinamento pessoal, sempre se atualizando.

Fascinado por livros e boa música, deixou lida e relida uma belíssima biblioteca particular.

     Há uma crônica abordando como foi a sua maneira de ser e que você poderá ler clicando aqui.

Elogio nos moldes militares

     Desde 1978, até falecer, em 16/7/2003, Thomaz foi meu amigo. Se tivesse que lhe fazer um elogio, nos moldes militares, diria:

ELOGIO – Thomaz de Albuquerque Câmara foi um cidadão exemplar, nada constando, ao longo de sua vida e segundo o meu conhecimento, que desabone a sua conduta moral e pessoal. Sempre presente e, quase sempre, à frente das causas nobres; foi, de todos, amigo e companheiro; inteligente e culto, honesto e sincero, sóbrio e dotado de elevado espírito de cooperação, de fino trato e atencioso indistintamente com todos, e, como característica, manteve-se sempre sereno e pacífico diante da mais vis e indevidas ofensas; contudo, tendo espírito combativo, sempre pelo bom combate, nunca se curvou diante das injúrias. Desinteressado das coisas materiais, lutou sempre por idéias. Foi notório o seu caráter ilibado. Tinha uma absoluta capacidade de trabalho, que, por vezes, chegou à exaustão, assim como um modo invulgar de se devotar à defesa de suas teses. Cumpre-me louvar o Cidadão que foi Thomaz de Albuquerque Câmara pelos bons serviços que prestou à comunidade de Nova Ipanema, onde teve oportunidade de exercer várias funções, nesses últimos 25 anos. Rio de Janeiro, 16 de julho de 2003. (a) João Carlos Lopes dos Santos – seu amigo e morador de Nova Ipanema.


De inteligência clara e lúcida, Thomaz de Albuquerque Câmara era um intelectual na na mais pura expressão do termo, de cultura enciclopédica, capaz de discorrer com autoridade e sem pestanejar sobre os mais diversos temas que lhe fossem propostos. Leia um de seus últimos artigos, que, com sua autorização, se acha publicado em minha página de História (Paulo Victorino, Webmaster de Pitoresco e Terras Brasileiras)
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