Por
não se terem, no Porrinhódromo, o hábito de se fazer atas de suas reuniões - falha
organizacional imperdoável -, surgiram várias teses, todas extremamente polêmicas,
duvidosas e quem sabe fantasiosas. Penso que o ocorrido vai ficar na história, tal qual
ficou o episódio da renúncia do Jânio, a morte de John Kennedy ou o que aconteceu, na
verdade, com Ronaldinho na Copa do Mundo de 98...
De fato, há várias teses para o que
aconteceu no Porrinhódromo. Uma delas, com fundadas possibilidades de ser a verdadeira,
nos acena para a península ibérica, portanto, cheirando a futuro conflito internacional
e não de coisas intestinas...
Primeira tese
A primeira tese seria ainda conseqüência da
formação do Estado do Ceará, que remonta ao ano de 1799, quando o glorioso povo
alencarino se separou do não menos glorioso de Pernambuco, para se tornar uma grande
potência independente.
Essa tese não está com nada e nada tem a ver
com a gente. Segundo se apurou, é um problema de divisa entre os dois Estados com disputa
uma zona litigiosa, quando uma certa cidade, a critério exclusivo de um rico importador
de uísque paraguaio, passaria novamente a pertencer a Pernambuco; querela pessoal, coisa
de quem quer jogar o outro no analista, ensejando-lhe uma crise de identidade.
O que foi atacado é lógico que não
ia entregar a rapadura , se defendeu armando-se de argumentos de lucros indevidos,
agravados pela sonegação, com a venda de uísque paraguaio. O objetivo claro era que o
outro entrasse não só pelo cano, como também fosse multado, pagando os tubos de multas
pelas conexões paraguaias, alicerçados que estavam em amizades da Receita Federal,
Estadual, Municipal e Condominial, presentes ao bate-boca. Não deu em nada, briga de
vizinhos (lá e cá), coisas de amigos que não têm inimigos nem outras coisas para
fazer.
Tudo acabou em pizza de calango com mussarela
de queijo de coalho.
Segunda tese
A segunda tese aponta para uma CPI
(Comissão Porrinhomentar de Inquérito) para apurar o desvio de material: um valioso
acervo composto de aparelhos de chá e café e complementos correlacionados; estando a
reboque, o sumiço de duas garrafas de uísque.
Essa tese também não procede. O que
aconteceu é fácil de explicar. Por falta de espaço no Porrinhódromo, todo aquele
material ocioso continuará ocioso na administração do Condomínio Nova Ipanema.
Ninguém pode ser contra, já que na Administração de NIPA tem muito mais espaço...
Já, no que concerne às duas garrafas de
uísque, os cascos não foram encontrados (coisas da reciclagem...), mas o líquido foi
encontrado na ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), junto à Marina do Condomínio.
De novo, tudo acabou em pizza, só que, desta
vez, com muito malte escocês, comemorando-se o arquivamento do processo.
Terceira tese
A terceira tese nos diz que
teria sido a pretensão de uns acadêmicos prontamente rechaçada de
transformar aquele espaço na "Lanchonete de Goa" para venda de comidas
atípicas, como, por exemplo, sanduíches de bacalhau, camarões fritos para serem
servidos de sobremesa, após uma lauta feijoada, entre outros petiscos. Para tal, haveria
necessidade de obras, principalmente, para fazer uma copa fora dos limites
preestabelecidos, o que, de certo, lá é normal.
Tese absurda, na qual nem vamos nos
aprofundar, pois costuma dar briga.
Quarta tese
A quarta tese aponta para uma
desnecessária necessidade de se dar uma mexida na direção do Porrinhódromo. A proposta
anônima os canalhas sempre se escondem no anonimato não era para mudar as
pessoas e sim suas funções: um tiraria o umbigo do balcão e passaria a ser o diretor do
jogo de bocha; o outro passaria do Departamento de Boca Livre (para quem não sabe, a
tribuna democrática do Porrinhódromo onde se pode falar o que bem se entende), para
administrar os comes e bebes; já o outro, continuaria a não fazer nada... A mesma tese
configura um auditor macambúzio, sorumbático, ensimesmado que, diante das baixarias, já
pensa em voltar para Campinas.
Baboseira, pura maldade das pessoas...
Continuou tudo como era antes...
Quinta tese
A quinta tese seria a possibilidade de
uma retomada política dos destinos do Brasil por parte de Portugal, tendo como partida a
heróica batalha da "Tomada do Porrinhódromo", episódio épico, administrativo
e/ou bélico, de inspiração política-étnica-religiosa, com objetivo do nosso
país-irmão comemorar os 500 anos do Descobrimento.
Administrativamente, os neoconquistadores
fazem a solene promessa de continuarem a ser Vice-campeões em todos os campeonatos
que disputarem e só concorrerem a ACNI ao cargo de Vice-Presidente-Executivo;
comprometem-se a nunca mais trapacear na sueca; a promover uma farta distribuição de
sanduíches de bacalhau, de rebuçados de camarões ao alho e óleo e de periquita. Honra
seja feita, os gajos são fartos... Há gente da cúpula que está ansiosa e,
literalmente, seduzida. Há um outro acadêmico, de descendência cearense, que anda
sumido - dizem que é sempre visto jogando bocha e sueca no Novo Leblon -, que já se
naturalizou português, não se sabe se por interesse de conseguir passaporte da
Comunidade Européia ou se para adquirir status para voltar a residir no Bellini.
Num futuro próximo, só portugueses natos ou naturalizados poderão residir no Bellini.
Tem um que mora lá, que tem nome, pinta e grana de português, mas não é português;
para garantir sua permanência, abriu uma lanchonete no Barrashopping, para vender comida
árabe - os mouros foram um dos povos ancestrais dos lusos.
Esta quinta tese é a mais lógica, posto que,
é evidente a concentração quase absoluta dos lusos no Bellini, o quartel general deles.
Só é "quase" porque um deles, mesmo tendo bala (leia-se ouro) na agulha,
reluta em se mudar para aquela casamata de luxo, alegando que, desde miúdo, sempre morou
antes de uma ponte e que não será agora que vai mudar... Um outro foi obrigado por um
patrício a comprar o 14.º piso L/D (no Bellini foi abolida a numeração dos
apartamentos, agora lá andar é piso, a coluna 01 é L/D (lado direito) e a coluna 02 é
L/E (lado esquerdo).
A propósito, o luxuoso prédio esteve para
mudar de nome: uns queriam mudá-lo para "Edifício Flor do Minho", mas os
bravos transmontanos, enciumados, lutaram e conseguiram manter a homenagem ao valoroso
zagueiro vascaino, Capitão da Copa de 58. Está na cara que, depois que todos os
portugueses de NIPA estiverem no Bellini (a imprensa está com eles, mas também terá de
se naturalizar...), de lá partirão para subjugar os cearenses, italianos, mineiros,
paulistas e a minoria carioca.
Mesmo com todas as evidências, não se sabe
ao certo se a quinta tese, embora indiscutivelmente a mais lógica, seja a verdadeira.
Sabem por quê? Porque no Porrinhódromo não se tem o hábito de se fazer atas prolixas e
detalhadas...
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