Artista e Ativista
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Roberta Araujo (Tribuna de Imprensa
Rio de Janeiro - 15 de junho de 2002)
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Tudo começava em esboços

     Pela primeira vez, o público carioca vai poder conhecer de perto a essência das obras do escultor brasileiro Bruno Giorgi.

     A novidade é que ninguém vai precisar fazer o esforço de olhar para o alto, pois a mostra "Bruno Giorgi - desenhos de um escultor", que será inaugurada hoje à tarde, no Solar Grandjean de Montigny/Centro Cultural PUC-Rio, é expor em caráter inédito desenhos e gravuras usados por ele, antes da conclusão de suas obras.

     Esta exposição faz parte da programação de eventos culturais do "Junho italiano", um conjunto de manifestações que destaca o eixo Veneza-Milão, em parceria com o Instituto Italiano di Cultura e também iniciam as homenagens do 10º aniversário de morte de Bruno Giorgi.

Brasileiro ou italiano ?
(mezzo a mezzo)

     Você pode até estar se perguntando: se Giorgi era brasileiro, o que ele tem a ver com estes eventos? Na verdade, embora nascido no Brasil, sua família era italiana e todo o seu rumo às artes (desenhos e esculturas) partiu deste encontro com a Itália.

     A exposição vai reunir 50 desenhos, quatro gravuras e uma escultura, fora o material iconográfico e objetos de trabalho.

     O ato de desenhar era uma constante na obra do artista e tornou-se assim, uma outra faceta na sua vida artística. E hoje, poderemos saber destes esboços graças à sua mãe, porque antes de matriculá-lo num curso de escultura, ela preferiu colocá-lo para estudar desenho.

Lançamento de livro

     A mostra possibilita adquirir conhecimento do acervo da família e pelo trabalho da pesquisadora e historiadora de arte Piedade Grinberg, que também aproveita para lançar o livro "Bruno Giorgi 1905-1903".

     "A concepção das esculturas de Giorgi provinha do simples uso de uma caneta e papel. Este era o seu primeiro momento e isto é o que estamos ressaltando, ou seja, seus primeiros instantes com o pensamento na construção das obras", explica Piedade.

     Giorgi esteve em Paris ampliando suas experiências com esculturas, na convivência com o mestre Maillol.

Primeiro prêmio: a cadeia

     Porém, sua passagem pela Itália foi o que mais marcou sua carreira. Lá, acabou se envolvendo com as questões políticas do país, resultando numa prisão com duração de sete anos.

     Após quatro anos de prisão, foi absolvido por terem descoberto que era brasileiro. Então, o governo italiano extraditou-o para o Brasil.

     Ao chegar em solo brasileiro, sua recepção foi enfrentar o governo de Getúlio Vargas que também esperava prendê-lo.

     Ainda bem que não conseguiram, ele respondeu a vários processos e o fato de possuir um atêlie de artes (este servia apenas para disfarçar seu envolvimento com questões políticas) capacitou-o conquistar a liberdade.

O acessório que se tornou
o centro de sua vida

     Mesmo que o plano do ateliê estivesse servindo apenas para disfarçar, este foi muito importante por ter sido o principal vínculo de um relacionamento carismático com a escultura. Disfarçando, ele desenvolveu realmente um grande amor por elas.

    Em vários estados brasileiros existem obras de Giorgi. No Rio, podemos encontrar o Monumento à Juventude, em frente ao prédio do MEC, além de nove bustos espalhados pelo interior.

     Outras estão à mostra urbanamente em frente à Academia Brasileira de Letras, na Praça do Russell, e na entrada do Senac da Rua Pompeu Loureiro, em Copacabana.

     Entre estas, uma de grande importância é a escultura dos Candangos, em Brasília.
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Responsável: Paulo Victorino
www.pitoresco.com

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