Um
misto de sensualidade e pureza marca a maior parte da obra de Luca Della Robbia,
constituída por baixos-relevos, medalhões e frisos com madonas, profetas, santos e
sobretudo crianças de expressão serena e alegre.
Luca Della Robbia nasceu em Florença em 1399
ou 1400. Matriculado na guilda local dos escultores em 1432, foi um dos pioneiros do
Renascimento florentino, ao lado de Brunelleschi, Masaccio, Donatello e Ghiberti.
Em 1431 recebeu a encomenda de uma de suas
obras principais, a "cantoria", também denominada "galeria de canto",
feita para encimar a porta norte da sacristia da catedral de Florença. Em mármore, o
conjunto apresenta um grupo de meninos, trompetistas, dançarinos e tocadores de harpa e
cítara cantando salmos.
A forma das figuras, reta, quase
arquitetônica, e o panejamento ondulado, juntamente com a expressão de inocência das
crianças, constitui motivo de encanto. Desde 1688 a obra se encontra no museu Opera del
Duomo, em Florença.
Luca ainda fez algumas esculturas em mármore,
antes de se dedicar à terracota policrômica e esmaltada, inicialmente recebida com
reserva, mas hoje considerada a parte mais representativa de sua obra.
Os melhores exemplos dessas peças são os
grupos de apóstolos na capela Pazzi e, principalmente, as madonas. Estas últimas, em
grande número, se encontram no Bargello, em Florença. Há outros modelos e réplicas em
diversos museus, como o Victoria and Albert Museum, em Londres.
Luca Della Robbia morreu em Florença em 10 de
fevereiro de 1482.
A técnica da terracota esmaltada e o estilo
de Luca foram retomados pelos membros da mesma família que deram continuidade a sua obra:
seu sobrinho Andrea Della Robbia, que assumiu a direção do ateliê quando o tio morreu,
e os dois filhos de Andrea, Giovanni Della Robbia e Girolamo Della Robbia.