"PARIS"
Paris é o título da série que o fotógrafo Claudio Edinger expõe no Espaço de Arte Trio, com 16 fotografias em grandes dimensões, utilizando a técnica do foco seletivo onde parte da imagem está em foco e parte desfocada, simbolizando a ambigüidade e o paradoxo vivenciado a cada dia. Paris é a origem, a grande musa, foi onde nasceu fisicamente e espiritualmente a arte da fotografia, através de grandes nomes como Lartigue, Brassai, Cartier Bresson, Atget, André Kertész, etc. Fotografar Paris, "é como fotografar sua própria mãe, com quem temos uma intimidade sensorial, amorosa, carnal, profunda, daquelas que não se tem com mais ninguém." Para essa exposição, Claudio Edinger registrou imagens com máquina fotográfica de grande formato, negativo de 10 x 12,5 cm, ampliadas em Lambda. Minucioso com o planejamento de seu trabalho, pesquisa o tema selecionado por anos e depois faz as fotografias propriamente ditas. O embrião da série Paris surgiu quando em uma de suas visitas a cidade, em 1992, a convite do festival fotográfico de Perpignam, registrou Paris, instintivamente, com uma máquina Polaroid, marcando o início de sua pesquisa. Em 2008, decidiu fotografar Paris, no auge da crise econômica mundial; "resolvi fotografá-la "antes que o mundo acabasse". tanto que o título original deste projeto é Paris, antes do fim dos tempos." diz Claudio Edinger.
A técnica do foco seletivo com máquina de grande formato vem sendo utilizada pelo fotógrafo há dez anos, com uma qualidade de detalhes impecável. O trabalho é sempre sobre identidade e uma tentativa de entender as questões filosóficas: de onde viemos, para onde vamos e por que estamos aqui. Segundo o pensamento de Claudio Edinger, a fotografia leva as pessoas à reflexão. O profissional compartilha suas experiências, sua maneira de enxergar o mundo com o observador de seu trabalho, na esperança de que esta troca de reflexões aproxime mais as pessoas das respostas que incomodam o ser humano desde o início dos tempos. A mesma técnica foi utilizada em diversos projetos anteriores. Claudio Edinger fotografou o Rio de Janeiro durante três anos, a partir de 2001, tentando mostrar o que era o "seu" Rio, lugar onde nasceu, mas nunca pude morar. Na seqüência, fotografou o Sertão da Bahia, num projeto chamado "de Bom Jesus a Milagres". Nesta série, o artista procura mostrar o coração do Brasil, em mais uma tentativa de encontrar sua própria origem. A seguir, fotografa São Paulo, sua casa, cidade onde mora, no projeto "Minha estranha cidade linda". Com "Paris", dá prosseguimento a sua pesquisa, "tentando encontrar o meu lugar no planeta". Um maior reconhecimento de seu trabalho coincide com o momento pelo qual passa a fotografia. Para Claudio Edinger, pela primeira vez na história da arte, a fotografia começa a ter a mesma importância que as artes plásticas contemporâneas tanto para o mercado, como para os colecionadores e amantes de arte. Em bienais, a fotografia possui posição de destaque; mas o caminho a percorrer ainda é longo. Esses são apenas os primeiros passos. O momento atual da fotografia é semelhante ao que os pintores vivenciaram com o impressionismo, onde se romperam os vínculos com o passado, o formato clássico. Uma simples fotografia de registro da realidade torna-se o que de melhor se inventa em arte.
Claudio Edinger
O Fotógrafo Claudio Edinger (Rio de Janeiro RJ 1952). Fotógrafo. Na década de 1950, muda-se com a família para São Paulo. Forma-se em economia pela Universidade Mackenzie em 1974, mas não chega a exercer a profissão de economista. Ainda no início da década de 1970, opta pela fotografia e realiza sua primeira exposição individual. É autor de 13 livros de fotografia; recebeu duas vêzes o Prêmio Leica de Excelência, em 1983 e 1985, pelos livros Chelsea Hotel e Venice Beach. O Prêmio Ernst Haas, em 1990, pelos registros feitos no asilo do Juqueri. O livro sobre Carnaval recebeu o prêmio Higashikawa do Japão, de melhor fotógrafo estrangeiro em 1999 e a bolsa Vitae em 1993. As fotos para a revista Newsweek receberam, em 1996, o prêmio Pictures of The Year. Habana Vieja é o livro que foi eleito um dos dez melhores do ano, pela revista American Photo, em 1997. O trabalho sobre o Rio de Janeiro foi escolhido como um dos melhores do ano pela revista Photo District News. O projeto sobre São Paulo conquista o Prêmio Porto Seguro em 2007. As fotografias de Claudio Edinger são parte integrante de coleções diversas, como MASP, MAC-SP, MAM-SP, MIS, Centro Cultural Banco do Brasil, Itaú Cultural, Metronon Museu (Barcelona, Espanha), International Center of Photography (New York, USA), Higashikawa Photo Fest (Japão), Visa Pour lImage (França), entre outras.
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