Relembrando Lygia Pape, importante
ícone do neoconcretismo
(1927-2004)

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O Globo Online


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Lygia e uma de suas instalações


Uma das mais importantes artistas brasileiras, representante, nos anos 50, do movimento neoconcreto brasileiro, Lygia foi eleita personagem do ano de 2002 nas artes plásticas pela equipe do Segundo Caderno do jornal "O Globo".
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T-téia (escultura)

     Sempre ativa, Lygia escondia a idade. Avessa a rótulos, dizia não querer que exigissem dela um comportamento condizente com a faixa etária.

     "Quando você diz que tem 40, 60 ou 80 anos, é posto numa gaveta limitada e eu quero poder ter todas as idades", explicou a artista, em entrevista publicada no jornal "O Globo" no ano passado.

     Mas jurava não ter medo da morte: "Medo? Eu não, tenho é curiosidade! Só vou saber como é quando chegar lá..."

     A passionalidade foi o eixo de seu temperamento e de sua relação com o trabalho e as pessoas. Suas qualidades e seus defeitos derivam deste jeito derramado, aberto e turbulento. Transparente, não mede palavras e é capaz de repreender um parente em público caso considere que ele errou. Nunca deixa para falar depois o que está pensando agora.

     "Não sei me relacionar sem ter paixão. Adoro gente. Não consigo entender as pessoas que vivem sem gostar das outras", disse, em entrevista ao jornal "O Globo".

     A paixão por gente foi o trampolim para a revolução que a artista ajudou a gerar nos anos 60, quando ex-integrantes do movimento neoconcreto transformaram o espectador, antes passivo, numa espécie de co-autor das obras de arte. Trabalhos como "Roda dos prazeres" e "Ovo", ambos de 1968, passaram a só fazer sentido depois que o público os experimentava. Com isso, Lygia e contemporâneos como Hélio Oiticica e Lygia Clark abriram mão do status de gênios pregado aos artistas para se submeter a uma relação de troca.

     Mais de 30 anos depois, a "Ttéia" - que esteve em cartaz no Paço Imperial em 2002 - e a "New house" - instalação montada no Museu do Açude - continuam se abrindo, generosamente, para a participação dos visitantes.


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NOTA BIOGRÁFICA
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VELHOS TEMPOS  -  Ferreira Gullar, Lygia Pape,
Theon Spanudis, Lygia Clark e Reinaldo Jardim


Da gravura ao cinema novo, Lygia
experimentou de tudo um pouco

Arte e Lazer - Estadão

     Lygia Pape nasceu em Nova Friburgo, no Rio, em 1929, deixa uma obra marcada pelo abstracionismo geométrico e por uma diversificação exemplar. Uma de suas obras mais instigantes é o Livro Noite e Dia, um conjunto de 365 peças de madeira diferentes umas das outras, em tons que vão do branco ao cinza. Entre os vários prêmios que recebeu, destaca-se o da Associação Brasileira de Críticos de Arte, em 1990, com a série Amazoninos.

     "Os Amazoninos são peças de ferro em que eu trabalho como se fossem grandes origamis, tento dar ao ferro a leveza do papel", disse em entrevista ao Estado. "São e serão sempre uma alusão à Amazônia e à linha de urucum pintada na parede... como uma linha da vida. A Amazônia é incrivelmente bela... E forte. O vermelho é uma cor de que gosto muito, está sempre presente em mim", disse em entrevista sobre a retrospectiva organizada pela Galeria Milan no seu aniversário de 50 anos de carreira.

      Nos anos 50, Lygia aproximou-se dos concretistas, mas acabou integrando o Grupo Frente e assinando o Manifesto Neoconcreto, participando em 1958 da exposição internacional de arte concreta, em Zurique, Suíça. Participou da 3.ª, 4.ª e 5.ª Bienais Internacionais de São Paulo daquele período. Foi muito amiga de Hélio Oiticica, talvez o maior expoente da arte no período e depois de sua morte, em 1980, a artista passou a cuidar do acervo do amigo, retomando a produção artística somente em 1988.

     Lygia usou o corpo humano numa série de trabalhos de 1959, explorando o tato, o olfato e o paladar. No fim dos anos 50 e início dos 60, iniciou a trilogia de livros de artista, com o Livro da Criação, Livro da Arquitetura e Livro do Tempo. Em 1967, participou da exposição Nova Objetividade Brasileira com a Caixa de Baratas e a Caixa de Formigas. Em 1968, no evento Apocalipopótese apresentou seu objeto penetrável Ovo. Panos perfurados eram o tema da série Divisor, de 1969. Nas décadas de 1980 e 1990, trabalhou com a ilusão dos sentidos o pesado parecia leve e vice-versa.

     Lygia envolveu-se também com o Cinema Novo, cuidando da programação visual de vários filmes, como Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

     Lygia foi mestre em estética filosófica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi professora da Faculdade de Arquitetura Santa Úrsula e lecionou na Escola de Belas Artes da UFRJ.

     Deixou instruções precisas sobre os procedimentos em após sua morte, e 2004. A pedido dela, houve uma missa cantada no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, durante a Missa de 7° Dia. Mas proibiu que se realizasse o velório: "Ela não queria virar uma instalação, por isso não queria velório. Para ela tudo isso era um saco. Pode escrever", disse uma das filhas de Lygia, Paula Pape, com quem ela morava.

     Paula disse que a mãe era uma pessoa "pra cima" e até o fim da vida manteve-se ativa, elaborando muitos projetos. Lygia tinha outra filha, Maria Cristina Pape, e um "filho de estimação", Ricardo Fortes, que trabalhava com a artista e é o pai de seus dois netos. Ela deixou viúvo Gunther Pape.


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Artista foi uma das integrantes do movimento neoconcreto nos anos 50, ao lado de Lygia Clark e Hélio Oiticica

Folha de São Paulo
TALITA FIGUEIREDO

     Lygia Pape foi uma das mais importantes artistas brasileiras e representante do movimento neoconcreto nos anos 50. Ela não gostava de revelar a idade. Na maioria das biografias constantes dos catálogos de suas exposições, 1929 aparece como o ano de seu nascimento (ela nasceu em 1927).

A artista

     Lygia Pape nasceu em 1929, em Nova Friburgo, no Rio. Formou-se em filosofia pela Universidade Federal do Rio e, depois, fez mestrado em estética filosófica pela mesma UFRJ. Estudou com Fayga Ostrower e Ivan Serpa.

     Dedicou-se especialmente à xilogravura, sendo adepta do abstracionismo geométrico. Para Lygia, a arte era principalmente experiência.

Atuou em dois movimentos artísticos nos anos 50 e 60: o concretismo, marcado pela abstração geométrica, e o neoconcretismo (em 1957, ela integrou ao Grupo Frente e foi uma das signatárias do "Manifesto Neoconcreto"), que se rebelou contra os rigores da arte concreta.

     Em 1958, realizou o "Ballet Neoconcreto" e, em 1960, participou da Exposição Internacional de Arte Concreta, em Zurique, na Suíça.

No fim dos anos 50 e início dos 60, começou o que seria uma trilogia de livros de artista composta por "Livro da Criação", "Livro da Arquitetura" e "Livro do Tempo".

     A partir da década de 60, trabalhou com roteiro, montagem e direção de cinema, tendo feito a programação visual de alguns filmes do cinema novo, entre eles, "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha.
Produziu, em 1967, o vídeo "La Nouvelle Création". Ainda nos anos 60, produziu esculturas em madeira e realizou "Livro-Poema", composto de xilogravuras e poemas concretos.

     Em 1971, Pape realizou o curta-metragem "O Guarda-Chuva Vermelho", sobre o gravurista Oswaldo Goeldi (1895-1961).

     Em 1980, recebeu uma bolsa de estudos da Fundação Guggenheim, em Nova York. Com a morte de Hélio Oiticica, Lygia organizou, com Luciano Figueiredo e Waly Salomão, o Projeto Hélio Oiticica, destinado a preservar e divulgar a obra do artista.

     Em 1990, recebeu o prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Arte com a mostra Amazoninos e realizou com bolsa da fundação Vitae o projeto "Tteias", no qual combina luz e movimento. Recebeu, em 1992, o prêmio Ibeu, do Instituto Brasil-Estados Unidos, pela melhor exposição realizada no ano anterior. Em 1997, expôs seus trabalhos na galeria Camargo Vilaça, em São Paulo.

     Lygia Pape foi professora da Faculdade de Arquitetura Santa Úrsula de 1972 até 1985 e, desde 1982, lecionava na Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 


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Tetéia nº 7 (1991)

 

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Responsável: Paulo Victorino
www.pitoresco.com

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