Lúcio Costa tinha seu modo
de ser moderno

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Texto adaptado de

LUCRECIA ZAPPI
Folha de São Paulo


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O Prédio do Ministério da Educação, construído entre 1936 e 1945, foi a grande vitrine de Lúcio Costa. Com a orientação do arquiteto francês Le Corbusier, de quem Lúcio Costa era grande admirador, o edifício teve a decoração interna a cargo de Portinari e seus discípulos, com a participação de artistas do Grupo Santa Helena na parte dos azulejos.


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Construída em Paris em 1952, a Casa do Brasil é um projeto associado de Le Corbusier e Lúcio Costa. O edifício hoje acha-se abandonado por falta de conservação.

     "Não sou, jamais fui, modernista. Aliás, tenho horror a esse conceito que me soa falso, mas sempre participei dos movimentos de renovação válida."

     Lúcio Costa (1902-98), grande articulador da modernidade na arquitetura brasileira, dizia ter temperamento conservador. Mas o homem que passou a vida toda escrevendo arquitetura com "ch" dizia que, quando via que estava "tudo errado", não hesitava em ser um "revolucionário".

     Segundo Roberto Conduru, professor de história da arte na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), desde o início de sua adesão à arquitetura moderna,  Lúcio Costa procurou entender os vínculos da "nova arquitetura" com sua tradição ocidental.

     "Começou a produzir obras, sobretudo casas, em que procurou adaptar os ideais do modernismo internacional às necessidades climáticas e culturais do Brasil", diz Conduru.


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O "AVIÃO" DE LÚCIO COSTA
No concurso para a construção de Brasilia, concorrendo com grandes empresas internacionais, que apresentaram projetos coloridos de alto efeito, Lúcio Costa entregou à Comissão Julgadora apenas um rabisco a lápis, feito displicentemente sobre o papel, dando à cidade a aparência de um avião, com asa norte, asa sul, cabine e corpo. O projeto encantou os grandes arquitetos internacionais que formavam a comissão e levou o prêmio vencedor.

     Partindo do conceito de "saúde plástica perfeita", em que colonial e moderno se articulam na forma e na função, a linguagem arquitetônica de Costa se caracteriza pela mistura, não num pastiche de estilos, mas num desafio de pesquisa técnica e revisão dos valores plásticos.

     "A boa arquitetura de um determinado período vai sempre bem com a arquitetura de qualquer período anterior -o que não combina com coisa nenhuma é a falta de arquitetura", dizia ele, condenando os estilos apenas reproduzidos, como o neocolonial, considerado por ele uma "mentira".

     Segundo Cecília Rodrigues dos Santos, coordenadora do Núcleo de Arquitetura do Centro Cultural São Paulo, esse desencanto foi despertado em 1924, durante viagem a Diamantina (Minas Gerais), onde Costa diz ter encontrado um passado "novo em folha", com sua "verdade construtiva" em taipa de mão, como "o chão que continua".

     Responsável pelo tombamento de muitos espaços e edificações por todo o Brasil, durante a sua atuação como arquiteto do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), entre 1937 e 1972, Lúcio Costa construiu pouco.

     Em São Paulo, por exemplo, não levantou nenhum edifício, mas ajudou a preservar, através do SPHAN, edifícios como o Palácio dos Azulejos, em Campinas, ou a antiga Casa de Câmara e Cadeia de Santos.

     No Rio, Costa fica mais visível. Entre diversos projetos, dirigiu a equipe de arquitetos para a construção do Ministério da Educação e Saúde, considerado o primeiro grande marco modernista brasileiro. Anos depois, Costa observa que o ministério não foi apenas uma "mudança de cenário", mas uma "estréia de peça nova em temporada que se inaugura".

     Nessa mesma temporada de estréias estão o Pavilhão do Brasil na Feira de Nova York (1938), o complexo Pampulha (1940) e Brasília (1957-1960), em que a presença do jovem Niemeyer passa a ser decisiva.

     Segundo o crítico de arte Paulo Venâncio Filho, ao apostar em Niemeyer, Lúcio Costa transfere a missão histórica da arquitetura moderna brasileira à invenção artística individual, arbitrária, não programática. Sobre essa passagem, Costa escreve: "Desse momento em diante o rumo diferente se impôs e a nova era estava assegurada".
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Responsável: Paulo Victorino
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