No entanto, o fato de ser
formada por duas comunidades de cultura e língua distintas desequilibra, vez por outra,
sua própria unidade interna.
Com uma superfície de
somente 30.518km2, a Bélgica é um dos menores países do continente europeu. Limita-se a
noroeste com o mar do Norte; ao norte com os Países Baixos; a leste com a Alemanha e
Luxemburgo; e ao sul e sudoeste com a França.
Geografia
Sob o aspecto morfológico,
a Bélgica divide-se em duas grandes zonas claramente diferenciadas. Ao norte e oeste do
alinhamento formado pelo rio Mosa e seu afluente, o Sambre, encontra-se uma região de
planície, só quebrada, no litoral, por pequenas elevações de dunas, formadas por
materiais levados pelos ventos e fixadas há longo tempo pela vegetação.
A partir dessas séries de
dunas que protegem a costa, estende-se, numa largura de aproximadamente quarenta
quilômetros, a planície de Flandres Marítima, situada quase ao nível do mar, e
formada em parte por terrenos ganhos a este, chamados pôlderes.
Ao sul e a leste do curso
do rio Escalda, a planície de Flandres Interior adquire maior elevação. Para o
interior do país avança uma zona de baixos planaltos, nos quais se abre, no sentido
sudoeste-nordeste, a calha do rio Mosa e do Sambre.
Ao sul e leste dessa linha,
na região de Condroz, o terreno se eleva consideravelmente; esses altiplanos de
formação antiga, muito escavados pelos vales fluviais, constituem, no sudeste do país,
a região que se conhece pelo nome de Ardenas, que em alguns pontos ultrapassa 600m de
altitude (o monte Botrange, com 694m, é o ponto culminante da Bélgica). No extremo sul
fica a Lorena Belga.
História
Encravados entre o reino
francês e o império alemão, os territórios que hoje formam a Bélgica e os Países
Baixos foram objeto de disputas constantes ao longo da Idade Média.
No final desse período o
país viveu um notável florescimento comercial e também um desenvolvimento da vida
urbana e das formas econômicas capitalistas que o transformaram em uma das regiões mais
prósperas e povoadas da Europa.
Filipe de Borgonha libertou
o país da vassalagem ao rei da França no final do século XIV. Em 1528, os territórios
do ducado de Borgonha foram herdados por Carlos I da Espanha e V da Alemanha.
Iniciou-se um período de
dominação espanhola, durante o qual as províncias do norte, que viriam a formar os
Países Baixos, lideradas por uma burguesia em sua maior parte calvinista, se sublevaram
contra o domínio de Filipe II, conseguindo sua independência, com o nome de Províncias
Unidas, após longas e custosas lutas.
As províncias do sul,
tanto as de língua francesa quanto as flamengas, ficaram sob o poder da coroa
espanhola, devido ao fato de serem majoritariamente católicas e por causa da importância
política que ainda tinha a nobreza.
A decadência econômica da
Flandres espanhola foi paralela à da monarquia hispânica. A primazia comercial,
que na Idade Média pertencera a Bruges, passou no século XVI para Antuérpia.
Não obstante, a
intolerância ideológica, as vicissitudes da guerra e a desacertada política econômica
de Filipe II, fizeram de Amsterdam, capital das Províncias Unidas, o centro econômico da
Europa. Pela paz de Utrecht (1713), a Bélgica passou a ser governada pelo ramo austríaco
da casa de Habsburgo.
Artes plásticas.
Tanto Flandres como
a Valônia mostraram desde a Idade Média uma unidade cultural no campo das artes
plásticas que surpreende em vista do abismo lingüístico que separava as duas
comunidades.
A época de maior atividade
artística foi a dos séculos XV e XVI, quando a arquitetura civil gótica conseguiu nas
cidades belgas algumas de suas realizações máximas.
A invenção da pintura a
óleo e o detalhismo realista transformaram os pintores flamengos em mestres, que em
muitas ocasiões trabalharam fora de seu país, a serviço dos grandes monarcas europeus.
A arte flamenga, que a
princípio correspondia ao gosto de uma próspera burguesia citadina, se manifestou
visivelmente nas construções da época, impondo uma fisionomia urbana peculiar.
Jan van Eyck, Rogier van
der Weyden, Hugo van der Goes e Hieronymus Bosch foram nomes destacados na primeira etapa
de esplendor da pintura flamenga, que teve seu centro de irradiação em Bruges.
O Renascimento trouxe
consigo, nas artes plásticas, a implantação de formas clássicas e novidades italianas.
O centro de criação deslocou-se de Bruges para Antuérpia. Entre os pintores dessa
época destaca-se Pieter Brueghel o Velho.
A pintura dos chamados
primitivos flamengos iria influir decisivamente na pintura da Espanha, Portugal, Alemanha,
norte da Itália, norte da França e Holanda. Essa influência se estenderia até o
período barroco (século XVII), com Rubens. A técnica da pintura a óleo e o realismo da
pintura flamenga formariam as bases da pintura de cavalete.
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