Renascimento nos
Países Baixos (1)

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     Juntamente com a Itália, os países baixos foram um importante pólo do capitalismo comercial, possuindo ainda uma vida urbana desenvolvida e um mercado que poderia consumir obras de arte.

     Em alguns trabalhos de Jan van Heyck, pintor famoso do século XV, a quem é atribuída a introdução da técnica de pintura à óleo, pode serem vistos alguns traços renascentistas.

     Entretanto, a força da tradição gótica no local dificultou bastante sua assimilação da Renascença Italiana. Costuma-se dizer que isso só foi possível no país graças à figura do alemão Dürer, que passou um período de sua vida na Antuérpia, cidade que se tornou o centro cultural da Holanda.

     O Pintor Quentin Massys (1465 - 1530), um dos que tiveram influência direta de Dürer, era considerado como um dos principais artistas da Antuérpia da época.

     Seu painel central feito para a Irmandade de Santa Ana, mostra os familiares de Maria e José. Dos modelos renascentistas italianos, absorve o ajuste simétrico das figuras; da escola de Veneza, as cores e perspectiva (é cogitada a hipótese do próprio artista ter visitado Veneza, devido a aproximação de suas obras com essa escola).

     Já na pintura "Lamentação", do Museu Real de Belas-Artes, na Antuérpia, pode ser notada a influência dos trabalhos de Leonardo da Vinci e Rafael, estreitando seus laços com a Renascença.

     As paisagens naturais ganham bastante importância nas obras dos pintores norte-europeus da época. Joachim Patinir, que imprimia importância extraordinária às paisagens em sua pintura, ficou famoso por suas vistas de campos, vilas e montanhas, tendo à frente figuras em tamanho reduzido.

    Seu São Jerônimo em paisagem aberta, que enfatiza mais o cenário que a vida do santo, ganhou várias versões do artista. Nelas podemos observar características da arte norte-européia como a abundância de detalhes, bem como a utilização de uma perspectiva diferente da adotada na Escola de Veneza.

     Mabuse, ou Jan Gossaert (1478 - 1535), visitou a Itália e procurou assimilar os preceitos renascentistas em suas obras. É claramente influenciado por Dürer e os artistas holandeses que o precederam.

     Especialmente conhecido pelos nus que realizava, à semelhança dos italianos, "Netuno e Anfitrite", pode ser uma boa amostra de sua habilidade. É composto de figuras mitológicas nuas em um cenário arquitetônico renascentista.

     Entretanto, alguns de seus críticos defendem que o pintor, ávido por mostrar conhecimento e domínio da arte italiana, por vezes apropria-se dessas técnicas, sem contudo obter resultados satisfatórios.

     Um exemplo disso pode ser o quadro de São Lucas pintado a Virgem. É influenciado pelo pintor holandês Jan van Eyck e pelas técnicas italianas, como a perspectiva científica e o jogo de luz e sombra. As figuras aqui também estão assentadas num cenário de arquitetura italiana.

     Entretanto, apesar dos valores de encanto que o quadro possui, parece não ter atingido a harmonia nem de seus inspiradores em sua própria cultura nem dos italianos.

     Pieter Bruegel (1525 - 1569), é considerado o maior pintor flamenco do século XVI. É conhecido pela complexidade temática, apesar de boa parte deles referirem-se ao cotidiano dos camponeses.

     Seu talento é continuamente comparado ao setecentista Rembrandt, principalmente no que se refere à capacidade de enxergar a natureza humana. "Caçadores na Neve" é um bom exemplo de seu trabalho.

Fonte: Enciclopédia Digital-Master
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